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O som do seu nome

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O dormitório estava silencioso de um jeito raro naquela madrugada.

As luzes do corredor estavam apagadas, a cozinha já tinha sido arrumada há horas e, espalhado pelos quartos, o resto do grupo finalmente dormia depois de um dia puxado de ensaios, gravações e compromissos. Só a sala ainda permanecia acesa, banhada pela luz azulada do notebook apoiado sobre a mesa de centro.

Bang Chan estava sentado no chão, com uma das pernas dobrada e a outra esticada, os fones jogados em volta do pescoço. O cabelo escuro caía bagunçado sobre a testa, e os olhos, cansados, iam e voltavam entre a tela do notebook e o caderno aberto ao lado dele. Havia rabiscos, palavras riscadas, trechos de melodia anotados às pressas e observações que, naquela hora da noite, já não faziam mais tanto sentido.

Ele suspirou e esfregou o rosto com as duas mãos.

Aquela música tinha começado fácil. Uma melodia aqui, uma ideia ali, e de repente ele já estava completamente mergulhado nela. O problema era que Chan sempre passava do ponto. Quando começava, não sabia parar. Não quando sentia que ainda faltava alguma coisa, não quando acreditava que podia deixar melhor, não quando a cabeça insistia em dizer que descansar era perda de tempo.

O relógio marcava 2h17.

Chan encarou os números por alguns segundos e soltou uma risada baixa, sem humor. Se alguém perguntasse, ele diria que já estava indo dormir. Mentira. Ele sabia disso, e os meninos provavelmente também saberiam.

A verdade era simples: Chan estava cansado demais para continuar, mas inquieto demais para parar.

Foi o som de passos leves no corredor que o tirou da própria cabeça.

Ele ergueu o olhar por cima da tela e viu Seungmin aparecer na entrada da sala, ainda sonolento, usando um moletom cinza largo e uma calça de moletom escura. O cabelo estava bagunçado de um jeito fofo, e ele segurava uma caneca com as duas mãos, como se ainda estivesse decidindo se realmente queria estar acordado àquela hora.

Seungmin parou assim que viu a luz acesa.

- Você ainda tá acordado?

A voz saiu baixa, rouca de sono, e Chan sentiu o canto da boca se curvar automaticamente.

- Acho que eu devia perguntar isso pra você.

Seungmin fez uma careta, andando até a cozinha para encher a caneca com água antes de voltar.

- Fui beber água. Aí vi a luz da sala acesa e imaginei que fosse você.

Chan ergueu uma sobrancelha.

- "Imaginei que fosse você" é uma forma muito elegante de dizer que eu sou previsível.

- Você é - Seungmin respondeu, sem hesitar. - Se eu acordar de madrugada e você não estiver na cama, tem oitenta por cento de chance de estar aqui trabalhando.

Chan soltou uma risada fraca.

- Só oitenta?

- Os outros vinte por cento são você na cozinha, dizendo que vai comer só uma coisa rápida e acabando com metade do armário.

- Ei!

- Eu tô mentindo?

Chan abriu a boca para rebater, mas não conseguiu. Porque não, ele não estava mentindo.

Seungmin sorriu de leve, vitorioso, e então se aproximou da sala. Em vez de voltar para o quarto, ele se sentou no sofá atrás de Chan, apoiando um braço no encosto e olhando por cima do ombro dele para a tela do notebook.

- Ainda trabalhando na mesma música?

- Tô tentando.

- Desde quando?

ChanMin e sua históriaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora