Especial: Dias dos Namorados ano anterior

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Jason

Merda, justo no dia dos namorados tinha que ser a final.

Olho em meu reflexo e penso o quanto eu lutei para conseguir chegar aqui.

Faz três anos que estou limpo esse é meu primeiro ano em competição oficial desde que eu não faço mais aquilo.  Eric, o homem que me "ajudou" na adolescência sumiu desde que eu fiz dezoito anos, e isso foi bom, porque quero ser uma pessoa melhor.

Mike aparece na porta avisando que só tenho mais dez minutos, aceno com a cabeça e continuo a meditar. Todos sabem que antes da luta gosto de ficar sozinho e me concentrar no meu oponente. Mas hoje me sinto diferente, não sei se é porque é final ou é porque é dia dos namorados e eu nunca tive uma namorada, realmente, mas me sinto diferente. Hoje minha vida vai mudar, não sei se vencerei Lucas-cão-doido, mas amanhã não serei o mesmo.

Lucas é realmente um adversário formidável. Meu peito está acelerado mais que o normal, olho em volta, ainda estou sentado enfrente o espelho, coloco minha capa preta e vou para o corredor.  Agora consigo ouvir a gritaria, Mike está me esperando com um sorriso no rosto e eu aceno e vamos para luta.

***

Uma luta de cinco round, perdi. Porra, Perdi. Não sei porque estou saindo pela porta dos fundo sem o Mike. Sei que meu rosto está um desastre, no primeiro round eu dominei, mas depois eu comecei a me sentir pressionado e vulnerável. Olhei para o público uma dúzia de vezes, pensei que alguém que eu não queria por perto poderia estar me vendo. Na verdade, esse sempre foi meu medo quando comecei a ficar famoso.

Me mudei para essa cidade pequena, perto de um lago que divide a cidade pacifica. Sei que a coisa mais assustadora em quilômetros sou eu.

Continuo andando são 23:00 horas, as pessoas ainda estão comemorando a vitória de Lucas, não que ele não merecesse, merecia, mas sei que eu podia ter lutado melhor. 

O que eu fiz de errado não era algo físico, era emocional, era mais como se eu ganhasse não teria ninguém a dedicar, seria uma vitória vazia, sinto que falta algo para o novo Jason.

Lila

- Mais uma prova que eu não sou doida! Ano que vem torço para o adversário.

- Nada a ver Lila, o Jason não perdeu porque estava torcendo para ele, ele só não estava num bom dia. - Thomas disse balançando a cabeça.

- Então me explica por que ele justamente não ganhou a luta que eu assisti?

- Má sorte.

- Sim, minha. E ainda passei para ele.

- Chega! mais uma palavrandisso e eu mato você, é melhor você ir para casa antes de que sua má sorte me contamine também - terminou ele limpando seu braço, como se limpasse uma sujeira.

Dei um soco em seu braço enquanto ele saia correndo rindo, mas não antes de beijar minha bochecha.

Amo Thommy, mesmo que ele não entenda a má sorte do dia dos namorados, isso é exclusivo meu, só não dá certo para mim. Hoje foi um dia de merda, e para relaxar Thomas me deu o convite para a final, estava esgotada a meses e eu queria muito ver.

Sentei na praça central a barca agora só meia noite, peguei um livro e comecei a ler. Minha mente rodava, esse ano estava sendo melhor que ano passado. Não podia desistir da minha vida por causa de um dia, um maldito dia que se repetia todo ano.

Ajustei meu óculos, tentei voltar minha mente para o livro, falta ainda uma hora para a barca sair e acabar esse dia. Se andando levo dez minutos até o cais, tenho aproximadamente quarenta e cinco minutos para ler, fiz meus cálculos mentais.

Esse livro prende minha atenção, tenho que tomar cuidado senão perco a última barca. 

Estava tão concentrada que não olhei quem sentou perto de mim, sei que a cidade não é perigosa, mas são 23:30, ninguém andando pela rua, podia ser qualquer um. Tento olhar para o lado, pensando se correr posso chegar na barca e esperar lá. Ele estava de capuz preto devia ter uns 1,90, digo, ele estava sentado e parecia ser maior que eu em pé. 

Quando um par de olhos verdes me olham, sinto que perdi a capacidade  de respirar, sempre vi na internet suas lutas e fotos, mas pessoalmente ele era um gato, mesmo que um olho não abria direito, uma sobrancelha cortada e lábios e nariz inchado. Ele emanava poder. Ele estuda na mesma universidade que entrei, embora nunca o vi, sei pelas pessoas.

Fechei meu livro, por impulso, não sei quanto tempo o estava encarando, mas quando ele arqueou a sobrancelha esquerda percebi que tinha que sair daqui antes de me constranger mais ou minha baba começasse a escorrer. Levantei meio que caindo.

Ele estava se levantando para me ajudar, percebi que ele estava abatido, acho que essa luta era mais que uma luta. Sinto que foi minha culpa sua derrota, tenho que falar com ele, me desculpar, mais tenho certeza que ele não entenderia. Consegui formar uma frase coerente e minha cabeça, mas minha boca estava seca, seu cheiro de suor e Jason me enebriava e a única coisa que saiu foi.

- Não desista, sempre há um amanhã.

Ele me encarou como se eu fosse doida, acho que sou, principalmente quando vejo que falta dez para meia noite. Digo tchau e saio correndo para a barca e para fugir desse desejo louco que senti de agarrar-lo.

Até que esse dia dos namorados não foi tão ruim.

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⏰ Last updated: Dec 31, 2019 ⏰

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Um dia: Dia dos namorados (conto)Where stories live. Discover now