Prólogo

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Palácio Real de Kamalapura — 12 de Junho de 1998

À sua Majestade Real, à Rainha Mãe e todos os membros do Conselho Dinástico,

Quando encontrarem esta carta, eu já estarei longe o suficiente para que a guarda real possa me encontrar, e eu imploro para que não o façam.

Há vinte e seis anos, nasci com o peso de uma herança que nem ao menos tive a chance de escolher. Fui moldada aos protocolos reais, vestida com as sedas mais finas e caras, ensinada a sorrir polidamente, nunca demais, mas jamais de menos. Minha infância, adolescência, e todas as memórias que me rogam foram construídas à base de política.

E hoje, a coroa que estou prestes a receber, e tudo o que ela envolve, é mais do que eu posso, e desejo aceitar.

Eu tentei, de todas as maneiras, ser a filha e a princesa que o reino de Kamala merecia. Mas, infelizmente, não posso passar o resto da minha vida sufocando quem eu sou, e principalmente, quem eu desejo ser: livre.

É por isso que, com muito pesar em meu coração, tomei a melhor decisão para ambas as partes. E por meio desta carta, eu abdico irrevogavelmente do meu título de Princesa Herdeira de Kamalapura e a qualquer direito à linha de sucessão ao trono.

Deixo para trás o ouro, os palácios e as expectativas. Não faço isso por rebeldia, mas por sobrevivência. Eu não quero reinar. Eu só quero, pela primeira vez na vida, ter o direito de ser apenas uma pessoa comum, vivendo aos meus próprios moldes, regras, desejos e sentidos.

Por fim, gostaria de me referir apenas aos meus pais, que sempre tentaram fazer dessa experiência a mais leve e doce. Eu peço perdão por deixá-los assim, tão de repente. Peço perdão pelo escândalo e, principalmente, peço perdão por não tê-los abraçado uma última vez. Se eu o fizesse, sentiria ainda mais o peso da despedida.

Torço para que, um dia, vocês sejam capazes de entender a minha decisão, talvez não como Vossa Majestade e Rainha, mas sim como mãe e pai. Estarei ansiando pelo dia em que poderemos nos reencontrar fora dos protocolos reais e bem longe dos enormes portões de ferro do palácio Taechwin.

Mais uma vez eu imploro pelo seu perdão, não como princesa, mas como a filha que os ama irrevogavelmente.

Com o mais profundo respeito e eterno amor,

Nastha Taechamongkalapiwat.

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