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Prólogo

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Eu já não sabia dizer, com exatidão, em que momento tudo começou a ruir.

Era como se o mundo ao meu redor tivesse desmoronado em silêncio, sem explosões, sem avisos. Apenas um pedaço de cada dia desaparecendo até que, quando percebi, não havia mais nada de pé.

Por dentro, havia um grito incessante, desesperado, rasgando cada parte de mim. Um pedido de socorro que jamais encontrava uma saída. Mas, por fora... eu permanecia imóvel. Calmo. Sereno como a superfície do oceano em um dia sem vento.

Ninguém imaginaria a tempestade escondida sob aquelas águas.

Mas... no fundo, eu sabia.
Sabia exatamente o que estava acontecendo comigo.

Só não queria aceitar.

Não queria admitir que fui eu quem caminhou em direção à escuridão. Que fui eu quem, pouco a pouco, fechou as portas para as pessoas que iluminavam os meus dias. Afastei aqueles que me arrancavam sorrisos, que faziam o peso da vida parecer menor. Preferi o isolamento, acreditando que seria mais fácil carregar tudo sozinho.

E, quando me dei conta, já estava perdido.

Se eu encontrasse qualquer um deles agora... neste exato momento... acho que não conseguiria dizer uma única palavra.

O que eu poderia explicar?

Como colocar em frases algo que nem eu compreendia completamente?

Como contar que minha vida inteira pareceu ser construída sobre comparações?

Como admitir que passei anos ouvindo que jamais seria suficiente?

Que, independentemente do que eu fizesse, sempre existiria alguém melhor.
Sempre existiria... o meu irmão.
Durante muito tempo, acreditei que o problema era eu.

Acreditei que havia algo de errado comigo simplesmente por ser diferente. Que a culpa era minha por nunca conseguir corresponder às expectativas que colocavam sobre mim.

As vozes ainda permaneciam vivas dentro da minha cabeça.

"Encrenqueiro."

"Você deveria ser como o seu irmão."

"Cansado de quê? Você não faz nada."

As palavras nunca desapareceram.
Elas apenas aprenderam a ecoar dentro de mim.

Repetiam-se tantas vezes que, em algum momento, deixaram de parecer ofensas e passaram a soar como verdades.

Eu tentava ignorá-las.

Tentava convencer a mim mesmo de que eram apenas palavras ditas no calor da raiva, que ninguém realmente queria me machucar.

Mas... se era assim...

Como pais podem não perceber o peso das próprias palavras?

Como conseguem não enxergar as feridas que deixam justamente nas pessoas que mais deveriam proteger?

Eu via alguém sendo admirado, elogiado, colocado em um pedestal... enquanto eu me sentia como um erro ambulante.

Como alguém que sempre decepcionava.
Como alguém que nunca seria suficiente.
E isso me destruía um pouco mais a cada dia.

Às vezes me pergunto se tudo isso soa como vitimismo.

Será que demonstrar o que sinto realmente incomoda tanto as pessoas?
Será que falar da dor faz com que ela pareça menor aos olhos dos outros?
Eu não sei.

Na verdade... faz muito tempo que deixei de ter respostas.

Mas existe uma única coisa da qual ainda tenho certeza.

Eu não quero permanecer no fundo desse oceano.

Não quero continuar afundando enquanto finjo que sei nadar.

Eu só... queria encontrar um jeito de voltar à superfície antes que fosse tarde demais.

Essa história é para aqueles que se sentem vazios e não sabem qual é o problema. 🫀🤍

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| Oiii, amorecosss!! 💕💕

Como estão? Espero que bem.

Bom, essa história vai ser algo bemmm curtinho, de no máximo 5 capítulos. É uma história que eu tive ideia escutando a música "anything".

Bom, espero que gostem.

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