Diário — Primeiro dia.
Hoje o dia amanheceu caótico dentro de mim.
Eu tentei seguir a rotina que eu sempre faço, tentei continuar com as coisas do dia, mas parecia que a cada dez minutos meus pensamentos paravam e voltavam para ela. Como se, no meio de tudo, minha mente encontrasse um jeito de lembrar dela de novo.
Comer tem sido difícil. Dormir também.
Enquanto eu tento comer, minha cabeça começa a passar por momentos nossos, lembranças, conversas, sorrisos e pequenos detalhes que parecem tão simples, mas que significam tanto. É como se tudo voltasse de uma vez e a saudade ficasse ainda mais presente. Meu estômago embrulha, meu coração aperta e até uma coisa tão comum quanto comer se torna difícil.
Quando eu deito a cabeça no travesseiro e fecho os olhos, tudo que aconteceu durante o dia volta para minha memória. E junto vem aquela sensação de perceber que ela esteve comigo em todos os meus pensamentos, em todos os momentos, mas não esteve ali comigo de verdade.
E isso dói.
Eu nunca fui boa com distância. Não importa se é pouco tempo, não importa se são apenas algumas semanas. Existe uma parte de mim tentando entender que ela vai voltar, que isso é passageiro, mas existe outra parte que sente uma falta tão grande que parece que ela está longe há muito mais tempo.
Às vezes eu paro e penso se é estranho sentir tudo isso. Pensar que uma mulher adulta pode sentir tanta coisa por uma distância tão pequena. Mas eu não sei explicar o que acontece dentro de mim quando se trata dela. Eu não sei explicar a intensidade do que sinto, o quanto ela se tornou importante para mim e o quanto tudo isso é novo.
É uma sensação que eu nunca precisei aprender a lidar antes, e agora estou tentando entender esse turbilhão de sentimentos que veio junto com esse amor. Hoje no trabalho eu pensei muito nela. Pensei em como o sorriso dela conseguia mudar meus dias, em como a presença dela deixava tudo mais leve. E percebi o quanto a falta disso pesa em mim, até no meu humor.
Passei boa parte do dia tentando me distrair, ocupando minha cabeça, encontrando pequenas coisas para fazer e momentos para sorrir, só para não pensar tanto na saudade.
Só para não lembrar do tamanho dela.
Porque a verdade é que a saudade que eu sinto é enorme. E mesmo doendo, existe algo bonito nisso tudo. Saber que alguém conseguiu tocar meu coração de uma forma tão intensa, que a presença dela se tornou uma parte tão importante dos meus dias.
