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capítulo 1:a saúde da mamãe

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Eu sempre tive um gosto muito específico para vestidos. Quando era pequena, adorava os de mangas curtas, leves e confortáveis, que me deixavam correr pela casa e brincar sem me sentir presa. Já os vestidos de mangas longas, ou até aqueles cujas mangas iam até os cotovelos, estavam longe de ser os meus favoritos.

Lembro-me de um dia em especial, quando eu tinha apenas oito anos.

Naquela manhã, meu pai me chamou até o salão principal da casa. Quando cheguei, encontrei-o segurando um vestido novo.

Era bonito, disso eu não podia negar. O tecido parecia delicado e bem feito, mas havia um detalhe que me desagradou imediatamente: as mangas eram longas e bufantes nos ombros, exatamente o tipo de manga que eu não gostava.

Fiquei alguns segundos olhando para a peça antes de cruzar os braços.

- Papai, eu não gostei.

Meu pai sorriu, como se já esperasse aquela reação.

- Mas, filha, o papai encomendou esse belo vestido especialmente para você. Foi feito com as suas medidas.

Ele me olhava com tanto carinho que, às vezes, parecia enxergar em mim algo muito maior do que uma simples menina. Era como se eu fosse uma rainha de um reino imenso, alguém destinada a coisas grandiosas.

Antes que eu pudesse continuar reclamando, a porta do salão se abriu.

Minha mãe entrou.

Assim que me viu, abriu um sorriso e caminhou na minha direção. Eu imediatamente corri para os seus braços.

Ela me pegou no colo como se eu fosse uma boneca e me girou devagar.

- Você está linda, Amélie.

Ouvir aquilo fez até o vestido parecer um pouco menos horrível.

Mas, de repente, tudo mudou.

Mamãe perdeu as forças e me colocou no chão. Em seguida, curvou as costas e fechou os olhos por um instante, enquanto uma expressão de dor tomava conta de seu rosto.

Meu sorriso desapareceu na mesma hora.

Papai correu até ela e a segurou pelos ombros.

Eu não entendia exatamente o que estava acontecendo.

Durante muito tempo, papai dizia que aquelas fraquezas eram consequência da gravidez. Sempre que eu perguntava, era essa a resposta que recebia.

Mas os meses passaram.

Então Frederico nasceu.

E, mesmo depois disso, as coisas não melhoraram.

Na verdade, pareciam piorar a cada dia que passava.

Depois do nascimento de Frederico, todos pareciam esperar que mamãe melhorasse.

Eu também esperava.

Achava que, assim que ela descansasse o suficiente, voltaria a passear pelos jardins comigo, a cantarolar enquanto arrumava meus cabelos e a sorrir daquele jeito que fazia qualquer lugar parecer mais acolhedor.

Mas isso não aconteceu.

Os dias transformaram-se em semanas, e as semanas em meses.

Mamãe passava cada vez mais tempo em seu quarto.

Algumas manhãs eram boas. Ela conseguia caminhar pela casa, segurar Frederico nos braços e até sentar-se conosco durante as refeições.

Em outras, porém, mal conseguia sair da cama.

juras de 1850Histórias para pegar e não largar. Descubra agora