Setembro.
Kichijōji
Era o início de outono, o vento de setembro arrancava folhas de todas as árvores e jogava no chão, formando um tapete úmido e escorregadio. Uma folha seca, desprendeu-se do galho e caiu devagar, girando no ar até parar aos pés da Lexis, ela parou por um instante e observou. A folha era marrom com bordas laranjas, fina como papel, ela parou por um instante observando a beleza do outono, os troncos das árvores eram cinzentos e grossos, com casca rachada. Os galhos, já estavam ficando nus deixando o céu aparecer entre eles. Naquela tarde, como em tantos outros dias, ela saia da faculdade segurando uma mochila cheia de livros e um guarda-chuva transparente, daqueles que pareciam ser quase um símbolo do Japão.
Com apenas vinte anos, ela havia deixado seu país para trás depois de conquistar uma bolsa de estudos em uma das melhores universidades do Japão. Gênio da matemática, Lexis possuía uma mente brilhante capaz de resolver equações complexas com uma facilidade que impressionava os professores e colegas. Lexis é uma rapariga de pele clara, quase porcelana, com sardas leves espalhadas pelo nariz e bochechas. O rosto dela é redondo, com bochechas cheinhas. Os seus olhos são grandes, amendoados com cílios longos e escuros, ela possui cabelos ruivos acobreado, volumoso com cachos definidos caindo até a altura dos ombros. A biblioteca ficava 12 minutos dali. Lexis contava os passos quando estava ansiosa. Mas hoje ela contava as folhas. Quase chegando, um miado fino os fez parar. Encostado no pé de um poste, um gatinho pequeno tremia. Ele era todo preto, com uma mancha branca no peito em forma de coração. Os olhos eram verdes, enormes pro tamanho da cabeça. O pelo estava eriçado de frio e uma das orelhas tinha uma marquinha de corte. Estava magro, dava pra contar as costelas, o rabo começou a mexer devagar quando via a Lexis. Ela agachou na hora.
___ Oi, gatinho... __ A voz saiu suave.
Ela passou a mão de leve na cabeça dele. O gato ronronou fraco e esfregou a cara na mão dela. Lexis abriu a pasta de lona, tirou um biscoito e quebrou um pedaço. Esticou a mão. O gato cheirou, hesitou, e comeu com cuidado. Ela ficou agachada olhando o bichinho comer.
___ Você está bem? - perguntou ela baixinho sorrindo. __ Acho que você também mora sozinho, não é?
Lexis ficou mais uns minutos, fazendo carinho na cabeça do gato até ele lamber o último farelo. O portão de ferro da Musashino City Library apareceu entre duas árvores de momiji. As folhas ainda eram verdes, mas algumas pontas já ardiam de vermelho. Como se o outono tivesse começado a colorir de fora pra dentro. Então o vento mudou. As primeiras gotas grossas caíram no ombro dela fazendo com que ela corresse para dentro da biblioteca. Em dois segundos o céu cinza desabou. Dentro, a chuva batia no vidro e desenhava linhas, o cheiro era de papel velho, madeira e café da máquina, o lugar era quieto, e aconchegante como qualquer outra biblioteca. Lexis foi até o balcão e devolveu os livros emprestados. A bibliotecária, é uma senhora japonesa simpática e sempre sorridente, ela carimbou tudo. Lexis caminhou até a estante e tirou dois livros. Um falava sobre a criação divina, com capa dura toda de branco com letras douradas. O outro era sobre flores, cheio de fotos coloridas. sentou numa mesa de madeira perto da janela. Por alguns minutos, só o som da página virando preencheu o silêncio. Ela lia sobre como Deus separou a luz das trevas. Mais tarde, as gotas de chuva tamborilava suavemente sobre o plástico enquanto ela caminhava até o ponto de ônibus. Poucos minutos depois, o ônibus chegou. Lexis, entrou, cumprimentou o motorista com um leve aceno. Tirou os fones de ouvido da bolsa e os colocou. Logo, uma música suave preencheu seus ouvidos, isolando-a do barulho do motor e das conversas baixas dos passageiros. Enquanto a cidade passava lentamente pela janela embaçada, ela abriu uma pequena embalagem de onigiri e começou a comer tranquilamente. O sabor simples do arroz com salmão já havia se tornado uma de suas comidas favoritas. Lá fora, as ruas brilhavam sob a chuva. As placas luminosas das lojas refletiam-se no asfalto molhado, e as cerejeiras, já sem tantas flores, balançavam suavemente com o vento. Lexis encostou a cabeça no vidro frio da janela e observou tudo em silêncio. Ainda era estranho pensar que aquela cidade gigantesca era agora o seu lar.
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O Toque Do Silêncio 🤫
RomanceO toque do Silêncio Em uma silenciosa biblioteca de Tóquio, duas almas solitárias têm suas vidas transformadas por um encontro inesperado. Lexis Spencer, uma estudante apaixonada por livros, e Hakira Kato, um escritor famoso que esconde profundas ci...
