Nós nos encontramos no Dia dos Namorados. Uma data curiosa para duas mulheres que estavam se conhecendo pela primeira vez.
Fui ousada no convite. Não deixei espaço para dúvidas.
- Estando solteira e interessada, quero sair com você.
Ela sorriu daquele jeito convencido que me faz perder o rumo até hoje e respondeu:
- Estou solteira... e interessada.
Desde então, não tive mais sossego.
Acordo e vou dormir pensando nela. É como se meu corpo tivesse gravado a presença dela antes mesmo de conhecê-la direito. Como se tivesse entendido, antes da minha razão, que ela chegaria para bagunçar tudo.
No dia do encontro, caprichei. Nunca me achei uma mulher bonita, embora costume chamar atenção por onde passo. Ainda assim, escolhi a roupa com cuidado, passei meu melhor perfume e decidi que, naquela noite, eu seria corajosa.
Então ela chegou.
Exatamente o tipo de mulher que sempre desperta meu interesse. O jeito confiante, a postura firme, aquele ar de quem sabe exatamente quem é. Bem sapatona, daquele jeito que sempre me desmonta. Bastou um sorriso para eu perceber que estava completamente perdida.
O primeiro beijo tornou qualquer tentativa de manter a compostura inútil.
Havia uma urgência silenciosa entre nós, como se nossos corpos já tivessem ensaiado aquele momento inúmeras vezes.
Quando as mãos dela encontraram minha cintura, fizeram isso com uma naturalidade desconcertante. Não havia pressa, mas também não existia hesitação. Era como se ela soubesse exatamente onde queria estar.
Entramos no restaurante como um casal que já dividia histórias. Pedimos vinho e tentamos conversar. Tentamos.
Porque, desde o primeiro instante, ela me olhava de um jeito que desmontava qualquer linha de raciocínio. Um olhar intenso, faminto, daqueles que fazem a gente se sentir desejada sem que uma única palavra precise ser dita.
E, secretamente, eu adoro isso.
Adoro me sentir vista dessa forma. Como se, por alguns instantes, eu fosse a única pessoa no mundo capaz de prender toda a atenção dela.
Ela me degustava com os olhos.
Sem pressa. Como quem aprecia um vinho raro, descobrindo novos sabores a cada instante. Era um olhar que eu só tinha visto antes em quem me amou de verdade.
Entre um gole de vinho e outro, nossas mãos voltavam a se procurar quase sem perceber.
Eu queria muito mais.
Percebia, pelo jeito como ela me tocava, que havia uma mulher deliciosa escondida atrás daquela calma aparente. Mas era o nosso primeiro encontro.
Então sorri, respirei fundo e fiz o possível para me manter comportada... mesmo sabendo que cada minuto ao lado dela tornava essa missão um pouco mais difícil.
Depois do encontro, conversamos durante uma semana inteira.
Entre uma mensagem e outra, fiz questão de provocá-la um pouco. O suficiente para deixá-la desconcertada no trabalho.
Ela entrou na brincadeira.
Com um sorriso malicioso, disse que eu teria que me desculpar.
Sorri de volta. Sustentei seu olhar por alguns segundos, deixando que o silêncio dissesse o que eu ainda não tinha coragem de colocar em palavras.
Pedi desculpas com uma voz quase inocente.
Daquelas que escondem exatamente o contrário do que demonstram.
Foi nesse instante que vi sua segurança vacilar.
Havia desejo em seus olhos. Um desejo que ela tentava controlar, mas que escapava nos pequenos detalhes: na respiração, no sorriso contido, na forma como me observava.
Sempre gostei de mulheres confiantes. Existe algo irresistível em quem parece querer conduzir a situação. E, para minha própria surpresa, descobri que gostava da ideia de ceder esse controle a alguém que me olhasse com tanta intensidade.
Mesmo sendo nosso primeiro encontro, a química entre nós era impossível de ignorar.
Ficamos no restaurante até quase a última mesa ir embora. Ela caminhava ao meu lado como se já conhecesse meu ritmo, como se me acompanhasse havia muito mais tempo do que apenas uma noite.
Na rua, entre o movimento das pessoas e as luzes da cidade, ela diminuiu ainda mais a distância entre nós.
Havia ousadia em seus gestos, mas também um cuidado que me desarmava. Cada toque parecia uma pergunta silenciosa, e meu corpo respondia antes mesmo que eu encontrasse as palavras.
Eu queria prolongar aquela noite.
Encostei a cabeça perto da dela e, quase num sussurro, pedi apenas uma coisa:
- Promete que a gente se vê de novo?
Ela respondeu sem hesitar, como se aquela promessa já tivesse sido feita desde o primeiro beijo.
Quando me deixou em casa, ainda insistiu em prolongar a despedida.
Mas eu sorri.
Algumas noites merecem terminar cedo justamente para que a expectativa sobreviva até o próximo encontro.
Naquela noite, fui dormir levando comigo a lembrança do vinho, dos beijos e, principalmente, da forma como ela me degustava com os olhos.
Foi ali que entendi: às vezes, ser desejada começa muito antes do primeiro toque.
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Degustada pelo olhar Dela
RomanceNo Dia dos Namorados, um convite ousado muda o rumo de duas mulheres que ainda eram completas desconhecidas. O primeiro beijo desperta uma conexão intensa, feita de olhares demorados, provocações e um desejo que cresce a cada encontro. Entre taças d...
