Enid Sinclair/
/ Vera cruz
Nada parecia mais tranquilo do que um fim de tarde em Vera Cruz.
O céu era pintado por tons dourados e avermelhados, e o vento carregava o cheiro de terra seca misturado ao de ferro e sangue. Eu estava sentada no alto da arena real, observando o mesmo lugar onde meu pai ordenava a decapitação de todos aqueles que ousavam desafiar suas leis.
Às vezes me perguntava por que ainda assistia àquele espetáculo macabro.
Talvez fosse hábito.
Talvez fosse medo.
Ou talvez fosse apenas porque fui criada para acreditar que aquilo fazia parte da vida de uma princesa.
Quando eu tinha apenas cinco anos, meu pai me trazia para a arena e me colocava ao seu lado para assistir homens perderem a cabeça diante de todo o reino. Enquanto outras crianças aprendiam música, bordado ou poesia, eu aprendia como o poder era mantido: com sangue, silêncio e obediência.
Meu nome é Enid.
Sou filha única do rei Pablo e da rainha Lavínia, os soberanos de Vera Cruz, o maior e mais temido reino de todas as terras do sul. E, acima de tudo, sou a única herdeira da coroa.
Desde pequena ouvi que precisava ser forte, impecável e obediente. Uma futura rainha não podia demonstrar hesitação.
Meu pai era considerado um homem bom por aqueles que o veneravam. Diziam que era justo, firme e incorruptível. Nunca levantava a voz sem motivo, nunca punia sem antes ouvir, nunca executava alguém sem provas. Para muitos, ele era um exemplo de rei.
Para mim, era um homem que carregava o peso do medo.
Ele jamais admitiria isso, mas eu conhecia o suficiente para enxergar em seus olhos aquilo que os outros confundiam com autoridade absoluta.
Desde que me entendo por gente, ele repetia sempre a mesma frase:
- Quando você se mostra inferior ao seu povo, jamais será respeitada de verdade.
Na infância eu apenas assentia.
Na adolescência, passei a odiar aquelas palavras.
Agora, aos dezesseis anos, finalmente compreendia o que ele realmente queria dizer.
Ele não estava me ensinando a governar.
Estava me ensinando a sobreviver.
Meu pai tinha medo de perder o controle. Medo de que o reino escapasse de suas mãos. Medo de que, quando eu assumisse o trono, fosse fraca demais para mantê-lo.
No fundo, ele não se importava com ouro, terras ou guerras.
Ele só se importava comigo e com minha mãe.
O resto do mundo era apenas uma ameaça constante.
Ele permanecia sentado ao lado da rainha Lavínia em seu enorme trono de madeira escura, adornado por entalhes dourados e símbolos antigos da família real. Minha mãe, elegante como sempre, mantinha um sorriso discreto enquanto conversava com ele sobre assuntos banais, como a colheita de trigo e a chegada de mercadores do norte.
Eu ocupava uma cadeira menor, posicionada logo ao lado do trono da rainha.
À nossa frente, um homem ajoelhado chorava desesperadamente.
Suas mãos estavam amarradas.
Seu rosto estava coberto de poeira.
E seus olhos, vermelhos de tanto implorar, fixavam-se no meu pai como se ainda houvesse esperança.
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Tenebrarum Libido [Wenclair/G¡p]
FanfictionCom 16 anos, Enid recebeu a coroa de um reino mergulhado em uma maldição. A responsabilidade é pesada, a solidão é maior. Ela aprendeu que amar é fraqueza. Até Wendnesday cruzar o caminho dela. caos em forma de princesa. Tudo que Enid foi ensinada a...
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