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Vergonha

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Eimi e Hugo tinham uma mania que logo se tornou um segredo, não por vergonha, nem por medo e sim por ser algo que não tinha necessidade de ser compartilhado com mais ninguém. Idá não se envergonhava de pensar que talvez as outras pessoas saibam, muito menos os pixeis, no entanto pensava no que Dandara fosse achar.

O que ela ia achar de saber que seu filho beijava às escondidas o seu colega de quarto?

Não conseguiu evitar, eimi muito menos.

Talvez fosse para tentar se redimir de como tratou o mineiro no início, tirar a culpa da consciência e quem sabe ter o tão sonhado perdão de eimi? Não que ele saiba da onde vem essa culpa toda.

- Adendo? Alô, terra para adendo. - se perdeu em devaneios durante uma conversa com viny e índio. O loiro se divertia de ver o mais novo assim, já Virgílio nem tanto, como se Idá incomodasse ele até em seus sonhos.

Suspirou irritado. - Vou indo nessa, tenho um compromisso. - Não era bem mentira, era 18:30, eimi já teria terminado seus deveres e como era sexta-feira muito provavelmente também cumpriu com a sua parte do acordo de manter o quarto arrumado.

- Com quem? A gente conhece? - Viny agora estava interessantíssimo nesse tal compromisso. O que o mais novo dos pixeis teria para fazer além de andar com eles e arrumar problemas?

- Não interessa, 'tô atrasado. - Se virou rumo às escadarias sem responder mais nada, fingia não ouvir, realmente só tinha um ouvido bom de qualquer forma.

Sua cabeça pensava em muitas coisas, tarefas, novos feitiços e quando ficou tão ansioso para voltar aos dormitório e finalmente saciar sua vontade de beijar o amigo até ficar sem ar. Tudo isso pode ter sido causado pela forma como eimi lhe olhava? Tinha quase certeza que só se sentia assim com as garotas, mas com ele não conseguia segurar. Quando se dava conta já estava por cima ou baixo sendo beijado ou beijando que nem um morto de fome.

Suspirou febril com às lembranças de quando se beijaram pela primeira vez.

Estava puto de ódio! Muito ódio de gueco e aquele irmão mimadinho dele. E daí que bateu em Abelardo? Entendia completamente que tinha humilhado um aluno da alta sociedade e filho da conselheira, só que isso era um problema dele e de Abelardo. " Qual o problema dele?! Imbecil". Andava pelas escadas como se seus pés pudessem atravessar os degraus, como se estivesse queimando por dentro. Tão cego e surdo que nem ouviu e muito menos viu eimi vindo em sua direção, segurou-o pelos braços e isso piorou tudo, Idá era o que? Um animal selvagem?! Caramba, por que tratavam ele assim?

" me solta, Eimi." Falou calmo até demais, se sentiu como se houvesse desbloqueado um novo comportamento.

" Sei que ocê tá com raiva, eu sei." Ele falou com aquele sotaque mineiro que deixava qualquer um que nem manteiga derretida. Mas idá? Hoje não. "Mas pensa com calma, já bateu nele, vai fazer o que agora? Se bater?"

Estava com a resposta na ponta da língua, iria ser cruel e malvado com Eimi e o menino sabia disso, mas olhou seriamente naqueles olhos azuis chorosos, ele chorou? Por causa dele? Meu deus, Idá estava se sentindo o centro do mundo para pensar nessa hipótese. Fechou os olhos com tamanha força que até achou que fossem não voltar inteiros. Seu corpo antes tenso agora estava mais relaxado, eimi não tinha culpa de nada. Ele não merecia isso, Idá era um monstro.

Um monstro horrível por machucar alguém como aquele garoto doce.

"Olha, vou tomar um banho e vou deitar, sem tocar nesse assunto. Tudo bem?" Falou manso e jeitoso com eimi. Sabia como ele era um menino sensível.

"Se ocê quiser.... Tô aqui, tá bom." Ele falou sem jeito e com o rosto corado, agora segurava os pulso de Idá, afrouxou o aperto em volta e olhou relutante para o chão. Se afastou e sinalizou para que continuassem a andar.

O que ela vai dizer?Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora