O relógio da parede da redação marcava 6h45 da manhã, mas para Enid Sinclair, o dia já estava na metade.
Se Nova York tinha a moda, a seção de casos criminais daquele distrito tinha o caos - e Enid era a editora-chefe invisível daquela sinfonia de desastres. Ela cruzou as portas de vidro duplo segurando um copo térmico de café duplo com uma mão, enquanto a outra digitava furiosamente no celular. Seu terno escuro estava impecável, o corte moderno contrastando com o ambiente cinzento e bagunçado do jornal.
- Três minutos atrasada, Sinclair - resmungou o chefe de redação ao passar por ela, sem tirar os olhos de uma pilha de papéis.
- O trânsito na Fifth Avenue estava parado por causa de uma perseguição, e eu consegui fotos exclusivas do suspeito algemado antes de a polícia isolar a área. De nada pelo furo da edição das oito - Enid respondeu, sem sequer diminuir o passo. Ela jogou a bolsa na mesa e girou a cadeira. - Cadê os relatórios do plantão da noite?
Imediatamente, três estagiários pareceram brotar do chão, cercando sua mesa com o mesmo pavor que os assistentes que conhecessem sua fama teriam.
- Aqui estão os boletins de ocorrência do caso do centro, Enid - disse o primeiro, entregando uma pasta com as mãos levemente trêmulas.
- Isso é lixo. O delegado mentiu sobre o horário do crime para encobrir a incompetência da patrulha. Refaça a cronologia - Enid disparou, devolvendo a pasta sem olhar na cara dele. - Próximo.
- A entrevista com o advogado de defesa foi cancelada... - começou a segunda estagiária.
- Então ligue para o promotor. Se ele não atender, ameace publicar a história com a versão da acusação. Ele vai te ligar de volta em cinco minutos. Próximo.
- Café, sem açúcar, como você gosta - o terceiro apenas deixou o copo na mesa e deu um passo para trás.
- Você é o meu favorito hoje. Podem ir.
Os três se dispersaram como se tivessem acabado de sobreviver a um interrogatório. Enid suspirou, dando um gole longo no café e finalmente encarando as três telas de computador à sua frente. Uma exibia o layout da primeira página do jornal, outra o feed de notícias em tempo real e a terceira, um mapa da cidade com os incidentes da última hora.
Ela era reconhecida pelo trabalho excepcional e sério. Cada linha que publicava era checada três vezes; ela não vendia boatos, vendia fatos que colocavam criminosos atrás das grades e faziam os poderosos tremerem. Sua vida profissional era um relógio suíço de alta precisão.
Já a sua vida pessoal... bom, essa era melhor deixar em off.
Seu celular vibrou em cima da mesa. O nome Pugsley brilhou na tela.
- Diga que você tem um corpo ou um jantar terrível para me contar - Enid atendeu, prendendo o celular entre o ombro e a orelha enquanto começava a redigir a manchete do dia.
- Ual!! Parece que alguém teve um péssimo encontro na noite passada, Sinclair. E, milagrosamente, não fui eu - Pugsley brincou do outro lado da linha, rindo da própria piada.
Enid soltou uma risada alta, parando os dedos sobre o teclado por um segundo e revirando os olhos com carinho.
- Olha só quem fala. Você é um galinha de primeira, Addams! Sorte a sua que eu sou sua amiga e sei exatamente como te defender nas minhas colunas se um dia alguma daquelas suas saídas casuais resolver te processar.
- Ei! Eu sou um detetive de respeito, limpo e descompromissado, você sabe disso. O amor dá muito trabalho, prefiro os homicídios - ele rebateu, divertido. - Mas falando sério agora... o encontro dessa vítima foi realmente o último. Temos um homicídio bizarro no setor norte. O tipo de crime que vai fazer seu jornal vender até esgotar. E tem um bônus.
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Tinta & Sangue.
FanfictionEnid Sinclair domina as páginas policiais da cidade. Reconhecida por seu jornalismo impecável, obstinado e sério, ela sabe exatamente como transformar uma cena de crime em uma manchete de sucesso. Fora da redação, sua vida é guiada pelo desapego: en...
