O silêncio da minha biblioteca sempre foi meu refúgio, mas hoje ele me sufoca. Olho para a folha em branco na mesa de mogno e sinto minhas mãos tremerem.
Eu, Miranda Priestly, tremendo. Que patético.
Como eu deixei isso acontecer? Como eu me apaixonei por ela?
Não há lógica. No começo, Andrea era só uma garota desajeitada com aquele moletom azul horroroso. Uma decepção previsível. Mas aí ela mudou o jogo. Ela começou a prever meus passos, a entender meus silêncios, a me olhar nos olhos quando todos os outros abaixavam a cabeça. Sem que eu percebesse, a presença dela virou o ar que eu respiro. O toque dela ao pegar meu casaco, o som dos passos dela na antessala... tudo virou uma necessidade doentia.
E agora eu sinto esse amor violento aqui dentro, me rasgando por inteira. E junto com ele, vem a humilhação da realidade.
Ela tem idade para ser minha filha. O que eu estou pensando? Ela nunca se apaixonaria por mim. Nunca.
Para a Andrea, eu sou o monstro que ela precisa tolerar. Uma chefe tirânica, fria e egoísta. Ela é jovem, cheia de vida, com um futuro limpo pela frente. Por que ela iria querer uma mulher marcada pelo tempo e pelo cinismo como eu? Só de imaginar confessar isso a ela e ver choque ou pena naqueles grandes olhos castanhos, meu estômago revira de puro pavor. Não posso me expor assim. Meu orgulho não suportaria.
A única forma de sobreviver a esse sentimento é arrancando a causa.
Eu preciso demiti-la.
Dói só de pensar, mas é uma medida de sobrevivência. Vou virar gelo para ela ir embora.
Mas meu coração, mesmo esmagado, exige uma última testemunha. Se vou empurrá-la para longe, se vou me condenar à solidão, preciso deixar registrado que, pelo menos uma vez, eu amei alguém.
Pego a caneta tinteiro. Meus olhos ardem, mas não deixo nenhuma lágrima cair.Mas mesmo assim elas insistem em rolar de mesmo olhos até meu pescoço. Escrevo o que nunca terei coragem de dizer em voz alta.
Dobro o papel. Coloco no envelope e selo com cera quente.
Amanhã mesmo entrego isso ao meu advogado. A ordem para ele será clara e irrevogável: Só entregue a Andrea Sachs se eu estiver no meu leito de morte.
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Na manhã seguinte o escritório estava impregnado com o cheiro do perfume de Miranda e o ar condicionado gelado. Andy estava parada diante da mesa, com a postura impecável, segurando um tablet. Ela sentia a atmosfera pesada, uma eletricidade estática que sempre a alertava para uma tempestade.
Miranda não olhou para ela. Estava ocupada, rabiscando notas em um layout da capa de setembro.
- Andrea - a voz de Miranda cortou o silêncio, sem entonação, sem calor. - Você não irá para Paris.
Andy sentiu o mundo parar. O ar pareceu sumir da sala. Ela piscou, tentando processar a frase, enquanto seu coração dava um salto doloroso no peito.
- Perdão? - a voz de Andy saiu num fio, quase inaudível.
Miranda finalmente levantou o rosto. Seus olhos eram dois pedaços de gelo azul, desprovidos de qualquer brilho. Ela parecia estar olhando através de Andy, como se a garota fosse apenas uma mobília descartável.
- Não há necessidade de você lá. Emily já conhece o roteiro, os contatos e a dinâmica. A sua presença seria apenas um ruído desnecessário.
- Miranda, eu... eu me preparei tanto - Andy deu um passo à frente, a voz falhando. O desespero estava ali, oculto atrás de um profissionalismo que ela tentava manter a todo custo. - Eu posso ser útil, eu posso...
- Você é exaustiva, Andrea. - Miranda se recostou na cadeira, cruzando os dedos sobre a mesa com uma lentidão calculada. - O seu entusiasmo é cansativo. A sua tentativa de se encaixar é... patética. Eu cheguei à conclusão de que não preciso mais de alguém que precise de tanta explicação para entender o óbvio.
Aquilo foi um golpe físico. Andy sentiu como se tivesse levado um tapa no rosto. A indiferença cruel no rosto de Miranda era como uma lâmina.
- Isso é sobre o trabalho, ou é sobre algo que eu fiz? - a voz de Andy tremeu, mas ela manteve a cabeça erguida, com um brilho de desafio nos olhos que, por um segundo, fez Miranda desviar o olhar.
- É sobre o que você nunca será - Miranda respondeu, fria. - Demitida, Andrea. A partir de hoje. Suas coisas serão enviadas para sua casa. Não quero que você volte amanhã. Não quero que você me procure.
Andy ficou paralisada por alguns segundos. Ela viu Miranda voltar a olhar para o layout, como se ela já tivesse deixado de existir. A dor no peito de Andy era quase insuportável, mas o que ela sentia ali não era apenas tristeza; era uma fúria silenciosa e uma determinação obscura.
Ela olhou para Miranda uma última vez. A vontade de gritar, de perguntar por que, de dizer que ela sabia de tudo, queimava na ponta da língua. Mas ela engoliu tudo.
- Como desejar, Miranda - disse Andy, com uma calma que assustou a si mesma.
Ela se virou e caminhou em direção à porta. Cada passo parecia uma contagem regressiva. Do outro lado da porta, Emily olhava curiosa, mas Andy não viu ninguém. Quando a porta de vidro se fechou atrás dela, Miranda finalmente permitiu que seus ombros caíssem milímetros.
Ela fechou os olhos. O coração batia descompassado, uma batida errática que ela não conseguia controlar.
Eu fiz isso. Está feito. Ela vai embora e eu finalmente vou ter paz.
Mas o vazio que ela sentia no peito era muito maior do que qualquer paz que ela pudesse encontrar. O silêncio da sala, agora sem a presença de Andy, era a coisa mais ensurdecedora que ela já tinha ouvido em toda a sua vida.
Olá,olá.
Essa é a minha primeira fic amorzinho,então me diga oq está achando nos comentários!!!
Beijinhos de luzz✨✨
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Amor Verdadeiro!? (Concluída)
FanfictionPara o mundo, elas viviam em extremos opostos: uma mentora implacável que governava através do medo e a assistente que parecia apenas tentar sobreviver ao seu gênio difícil. Mas as aparências na superfície escondiam uma dinâmica muito mais perigosa...
