Satoru Gojo deveria ter matado Suguru Geto naquela ponte. Desceu de joelhos em vez disso.
Agora, entre quinze andares de escuridão e o amanhecer que o arranca de volta, ele aprendeu que amar um assassino é como beber veneno de taça de cristal - eleg...
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Satoru riu - aquele riso baixo, quase predatório - e acelerou o quadril num ritmo que despojava Suguru de qualquer coerência. Era bonito, era dolorido, era gostoso demais, e ele *sabia*. Tomado de uma satisfação quase cruel, Satoru agarrou a bunda de Suguru com raiva, os dedos cravando-se na carne morena numa força exagerada, possessiva, como se quisesse deixar marcas que durassem além daquela noite. Investiu uma vez, fundo, preenchendo o interior do ômega até a borda do insuportável, e Suguru gemeu - não um som qualquer, mas um gemido arrancado do fundo da garganta, puro deleite dilacerado por dor.
O apartamento estava mergulhado numa escuridão que só Tóquio sabia fazer - não a ausência de luz, mas sua substituição por outras coisas: o brilho distante de prédios que nunca dormiam, o neon que sangrava pelas frestas das cortinas num vermelho doente, o azul elétrico da lua através do vidro sujo de chuva. Era uma escuridão viva, pulsante, daquelas que não escondem - apenas disfarçam.
Satoru saiu de dentro dele com uma lentidão que parecia quase sadismo, como quem arranca uma faca quente para sentir a carne se fechar em volta do nada. Abaixou as pernas de Suguru, que caíram pesadas sobre o couro gasto do sofá, deixando marcas de suor que brilharam brevemente - pequenos espelhos de luz - antes de escurecerem para sempre. O ômega estava desfeito: cabelos negros espalhados como tinta derramada sobre tecido velho, pele bronzeada ofuscada pelo rubor que subia do peito ao pescoço em ondas, olhos roxos - aquele roxo quase impossível, de ametista sob luz de velas, de uva madura ao sol - semicerrados, ainda tentando recolher o fôlego que Satoru lhe roubara, pedaço por pedaço, gole por gole.
E então Satoru começou a beijar o corpo dele.
Não era carinho. Era possessão traduzida em pequenas violências. Mordidas que deixavam crescentes de dentes na pele morena, chupões que floresciam como flores escuras no colo, no abdômen, na curva interna da coxa - cada um um mapa, uma declaração, um *eu estive aqui* escrito em carne viva. Beijinhos quentes, quase reverentes, que contrastavam com a brutalidade do resto, como se ele tentasse, através da boca, devolver algo que havia tirado com o corpo. Como se a ternura pudesse compensar a voracidade.
"Satoru..."
A voz de Suguru saiu quebrada, um murmúrio arrastado pelo sofá, pelo quarto, pela noite inteira. Ele estava deitado, exposto, o peito subindo e descendo numa cadência ainda descompassada, tentando recuperar o ar que o alfa lhe devorara. Satoru ergueu a cabeça. Seus olhos - aqueles azuis de gélido, de céu congelado, de albinismo que o tornava etéreo até nos momentos mais terrenos - encontraram os roxos de Suguru. Por um instante, houve apenas isso: o olhar. O reconhecimento mútuo de dois homens que sabiam exatamente onde estavam e para onde aquilo os levaria. Para o abismo. Juntos.
Sem cerimônia, Satoru se jogou sobre o corpo cansado do ômega.
O impacto foi suficiente para expulsar o ar restante dos pulmões de Suguru, mas ele não protestou. Apenas sentiu - o peso, o calor, a pele pálida e quente de Satoru contra a sua, os cabelos brancos caindo como uma cortina ao redor de seus rostos, isolando-os do mundo. O alfa enterrou o rosto no pescoço de Suguru, inalando profundamente. O cheiro dele. Sempre o cheiro dele - incenso queimado, algo amargo como folhas de chá verde deixadas de molho por dias, e por baixo de tudo, o ômega: doce e terroso, como raízes expostas pela chuva, como terra fértil depois de uma tempestade.