Shane Hollander (ômega) sempre foi fora da curva. Um prodígio que pulou séries na infância e terminou as graduações muito antes do previsto, tudo com o objetivo de se tornar um cirurgião ortopédico. Com apenas 24 anos, ele já está no último ano da s...
Não consigo ficar sem pensar e fanficar nesses dois. Essa história tem uma pegada diferente, espero que gostem.
Boa leitura.
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❤️
A madeira escura do balcão do Le Souterrain estava gelada contra os nós dos dedos de Shane Hollander. Do lado de fora, a neve de dezembro engolia as calçadas de Vieux-Montréal, mas ali dentro, o ar era pesado, com cheiro de uísque barato e o calor abafado das conversas baixas. Shane girou o copo curto, observando o gelo derreter no líquido âmbar. Ele tinha vinte e quatro anos, os ombros tensos sob o suéter cinza e uma exaustão que parecia fixada diretamente em seus ossos após catorze horas de plantão no pronto-socorro do hospital da McGill.
- Mais um? - o barman perguntou, indicando o copo quase vazio com o queixo.
- Não, obrigado. Só estou terminando este - Shane respondeu. Sua voz saiu no tom clínico e polido que ele vinha treinando há anos. O tom de quem não se deixa abalar.
Foi nesse momento que a porta pesada de madeira nos fundos do bar se abriu, e a pressão do ar no ambiente pareceu mudar.
Shane não precisou olhar para saber o que havia entrado. O bloqueador de odor em sua nuca estava perfeitamente colado, mas seu próprio nariz captou a onda imediata: cacau e café torrado, numa intensidade que até o fez encolher os ombros.
Um alfa.
E não um alfa qualquer. Um daqueles dominantes que parecem carregar o próprio clima de uma sala nas costas.
O homem avançou até o balcão, sentando-se a três banquetas de distância de Shane. Ele era imenso. Mesmo sob o casaco preto pesado, a largura dos ombros e a postura marrenta entregavam o físico de um atleta de elite. O maxilar era quadrado, coberto por uma barba por fazer, e os olhos eram de um azul gélido, quase predatório.
- Vodka - o homem disse ao barman. O sotaque era profundo, arrastado, as consoantes batendo com força russa contra o teto da boca. - Uma dose dupla por favor, de preferência Russa.
O barman hesitou por um segundo, intimidado pelo tamanho do homem, antes de se apressar para pegar o pedido. Shane continuou observando o desconhecido de soslaio, o perfil duro do homem sendo iluminado pela luz amarelada do bar.
O Boston Bruins estava na cidade para o jogo de três dias depois contra o Montreal Canadiens. A cidade inteira só falava nesse jogo, mas Shane nem tinha tempo para acompanhar hóquei, ele sabia que sua mãe torcia para Montrea, então ele torcia também. E era por isso que a cidade estava cheia. Um cara daqueles com certeza não era canadense.
Shane não sabia quem era o cara. Só sabia que ele ocupava espaço demais.
Ilya Rozanov virou o primeiro copo de vodka pura sem piscar. Quando pousou o vidro no balcão, seus olhos azuis giraram lentamente até travarem em Shane.