CAPÍTULO UM

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Entre infinitos universos e possibilidades...

Numa calorosa noite no reino de Histeria, o castelo da Agência se encontrava lotado por convidados, todos vestidos em trajes luxuosos, iluminados pelo brilho dourado das lanternas que enfeitavam o jardim e as varandas. A música ecoava pelos corredores de pedra, misturando-se ao burburinho de vozes, gargalhadas e taças de cristal que tilintavam em brindes nobres. Era a noite de comemoração ao décimo ano desde que a Primeira Linha havia sido renunciada - uma data que, mesmo um peso histórico, foi transformada em festa pelo desejo do rei de mostrar força, tradição e continuidade.

A Primeira Linha, afinal, não era um nome que se esquecia facilmente. Um grupo de cinco pessoas escolhidas a dedo, treinadas à exaustão e moldadas para uma única função: proteger o reino e sustentar o reinado de Histeria. Nenhum deles estava ali por acaso. O sangue que corria em suas veias ardia com poder, um dom desenvolvido que lhes permitia dominar os elementos da energia, da terra, do ar ou do fogo. Talvez os quatro para os mais espertos.

- ...e então a minha irmã se intrometeu e não deixou que chegassem perto de mim! - o príncipe Aaron, um dos agentes da Primeira Linha e filho do rei Richard Bergmann, gargalhava desengonçadamente enquanto cambaleava pelo jardim. A cada passo, o rubor em suas bochechas denunciava a quantidade de álcool ingerida. - "Ain, mas por que você aposta se sabe que perde?", poxa, isso me ofendeu.

O príncipe estava desarrumado: a camisa branca meio aberta, parte do abdômen exposto ao toque morno da brisa noturna; o tecido manchado de vinho denunciando que alguém já havia perdido a conta das taças... Seus cabelos loiros caíam até a altura do nariz, bagunçados sobre o rosto iluminado pelas lanternas. Talvez houvesse vinho respingado em suas calças também, mas não era visível por ser do mesmo tom do tecido.

- Que pena que não rasparam o seu cabelo - murmurou August, outro membro da Primeira Linha, com o olhar preguiçoso e a voz arrastada, como se não tivesse nenhum interesse em prolongar aquela conversa. Os olhos escuros, porém, se demoraram na nuca do príncipe. - Acho que você ficaria gostoso.

Aaron ergueu as sobrancelhas, surpreso apenas por um segundo, antes de sorrir como quem recebia um elogio óbvio.

- Eu também acho - balbuciou, encostando-se na parede de pedra do castelo, o copo frouxamente preso entre os dedos. Seus olhos vagueavam pela multidão de dançarinos e convidados como quem buscava distrações mais interessantes do que o próprio copo de vinho.

No centro da festa, as músicas aceleradas ditavam o ritmo das danças. As saias rodadas subiam em ondas coloridas a cada giro, pulseiras de prata tilintavam nos pulsos, e o som de pandeiros e tambores misturava-se às vozes animadas da multidão. Uma jovem de longos cabelos carmim, brilhantes à luz das tochas como fogo, destacava-se entre o grupo de amigas. Ela dançava a dança do ventre com movimentos fluidos, os quadris acompanhando a batida como se fosse natural respirar naquele compasso. O brilho de suas joias refletia nas pupilas de quem a observava, arrancando olhares admirados.

Aaron cutucou o ombro de August, um sorriso malicioso se formando em seus lábios ainda úmidos pelo álcool.

- Ei... qual delas você acha que Lilith me arranja?

- Nenhuma - August não levantou a cabeça de imediato. De sob a aba escura do boné, seus olhos percorreram as figuras que dançavam, mas sem se prender de fato a nenhuma delas. - Lilith vai te enfeitiçar pela noite inteira só por pedir que ela arranje uma amiga.

O príncipe fez um biquinho teatral.

- Que amargurada - resmungou, ajeitando-se contra a parede antes de se lançar, mais confiante, de volta para a área mais movimentada do salão.

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