Pensei em escrever enquanto assistia Shameless, então, meio que já se sabe o que esperar: energia caótica, baixaria em todos os sentidos da palavra e cretinice. A descrição de muitas famílias disfuncionais e pouco convencional (convenhamos, à realidade) enfim, avisado, aproveite.
Ah, e +16.
Odiava às sextas-feiras.
Era a única coisa que Jungwon pensava enquanto recolhia as coisas deixadas no corredor pelo homem que morava, às vezes, naquela casa. Odiava mais seu pai do que àquele final de semana. Ele conseguiu sentir o mau cheiro da meia mesmo após todo aquele tempo sendo ignorada no canto do quarto, antes de solta-la no cesto de roupas sujas. Estava surpreso por ainda achar aquele par intacto.
Sabia que poderia ter dormido bem melhor naquela madrugada se o telefone não tivesse tocado uma vez e continuado por horas até finalmente atender. Era tudo culpa do vizinho admirável, cidadão respeitável e homem honrado que era seu pai. Uma imagem tão bem construída que Taeho havia conquistado no bairro — que não passava de uma grande piada. Jungwon poderia gastar horas recitando todas as qualidades deste, mas teria desgosto por saber que era tudo mentira.
Aos poucos, os domingos deixaram de ser direcionados aos laços familiares e se tornaram puro álcool e xingamentos. Assim como as últimas sexta-feiras dos meses, que eram tomadas por visitas através do vidro.
Havia acordado com a notícia de uma possível liberação por bom comportamento em poucas semanas, que consequentemente se tornaria um retorno para casa.
Não queria vê-lo nas primeiras setenta e oito horas até que cometesse outro delito estúpido por dirigir alcoolizado ou arrumasse uma simples briga por uma vaga no estacionamento do mercado do outro lado da cidade.
Jungwon estava farto de encarar a carranca intimidadora com quem cresceu, torcia para que ele arrumasse uma confusão na cela para ficar mais um bom tempo longe de casa, e consequentemente deles também. Se houvesse uma forma de manter seu pai bem longe da casa deles ele teria feito, mas infelizmente eles ainda não tinham dinheiro o suficiente para pagar a dívida gigantesca do imóvel.
Ao conseguir fechar o armário do corredor, o moreno soltou o cesto para terminar de recolher as roupas depois. Não ousaria olhar como provavelmente estava o quarto de Sunghoon. Ele havia se apossado da cama de casal no antigo quarto dos pais.
Jungwon desceu para a cozinha onde encontrou um cheiro forte de café recém feito e pães fatiados no armário. Ele vai até a chaleira que usavam para fazer café e serve uma boa quantidade na caneca grande que ganhou de brinde em um sorteio. Era uma caneca grande o suficiente para encher sua mão, com um desenho enorme de Os Incríveis.
— Cadê a torradeira?
Ele encarava a parte vazia da bancada ao lado da pia onde antes existia uma torradeira prata, abaixa os braços, respira fundo e gira o calcanhar na direção da mesa, onde Sunghoon colocava a xícara de café de volta no pires com as sobrancelhas erguidas. Estava quente. Este solta um pigarro antes de responder.
— O Heeseung passou aqui agora pouco para pegar a nossa emprestada.
Jungwon franze o cenho diante a resposta, já desistindo de comer torrada ele põe os pães sobre a bancada.
— Eles não tem uma?
— Sim, tinham — Sunghoon responde, dando uma pausa para levar a panqueca até a boca. — mas o Ni-ki acabou transformando ela em um robô atirador de pão para a feira de ciências.
Jungwon assente e leva as mãos até o rosto, então passa elas nas laterais e as pousa nos ombos antes de soltar o ar completamente esgotado. Sunghoon nota seu descontentamento ao saber que o mesmo havia emprestado, outra vez, a amada torradeira de seu irmão, mas sabia que a reação não era apenas pelo objeto.
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Such a bad Idea
FanfictionExistia uma sensação esquisita que preenchia o estômago, ele rezava para que fossem as panquecas mal feitas que comeu no café. Elas eram vendidas na lanchonete no fim do quarteirão, não eram boas, mas era o único lugar que ele poderia comer panqueca...
