Prólogo

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E como esperado, o interclasses desse ano estava lotado

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E como esperado, o interclasses desse ano estava lotado.

Todo ano a UFISP organizava e sediava os jogos de esportes interclasses, o que incluíam várias faculdades federais e internacionais.
Eram três dias de festas, jogos e musica.

Gabriela ainda estava tentando se acostumar com São Paulo. Havia se mudado poucos meses antes para concluir a faculdade, deixando para trás a cidade onde cresceu, os amigos e a rotina que conhecia tão bem. A mudança tinha sido mais difícil do que imaginava. Tudo parecia maior, mais rápido e mais barulhento do que estava acostumada.

Foi nesse período que conheceu Larissa. As duas acabaram dividindo um apartamento próximo ao campus depois de serem apresentadas por uma colega em comum. Apesar das personalidades diferentes, logo se tornaram amigas. Ela era extrovertida e bem popular, conhecia praticamente todo mundo na faculdade e estava sempre tentando convencer Gabriela a participar da vida universitária.

Por isso, naquela tarde, quando Gabriela se viu no ginásio da faculdade assistindo aos Jogos Interclasses, entendeu que vivia em um mundo completamente diferente.

Gabriela não entendia muito bem como a competição funcionava, sabia apenas que era um dos eventos mais importantes do semestre, reunindo equipes de diferentes cursos em diversas modalidades esportivas e atraindo estudantes de todos os cantos do campus. Quando entrou no ginásio e encontrou as arquibancadas lotadas, tomadas por gritos, bandeiras e torcidas organizadas, sua primeira reação foi procurar a saída mais próxima.

— Eu sabia que você ia reclamar — disse Larissa, puxando-a pelo braço. — Tenta dar uma chance

— Eu não estou reclamando. Só não sei se gosto desse tipo de coisa.

— Eu sei Gab, mas não da pra você fazer uma faculdade e não aproveitar ela 100%

— Justo, estou analisando possibilidades.

Larissa riu.

Gabriela ainda estava tentando se acostumar com São Paulo. Fazia apenas alguns meses que havia deixado sua cidade natal para cursar Direito, e tudo parecia grande demais: os prédios, as salas, a quantidade de pessoas.

Até mesmo a faculdade parecia uma pequena cidade.

Enquanto os estudantes gritavam e agitavam bandeiras, Gabriela se acomodou no último degrau da arquibancada.

— Me explica uma coisa — disse ela. — Por que todo mundo está tão animado?

— Porque é a final.

— Final de quê?

— Esgrima.

— Isso existe fora das Olimpíadas?

Larissa soltou uma gargalhada, antes que pudesse responder, o ginásio explodiu em aplausos.

Do outro lado da pista, dois atletas retiravam as máscaras.

Um deles ergueu a espada para o alto.

A torcida foi à loucura.

— E lá está ele — disse Larissa. — Exibido

— Quem?

— Marcelo. — Gabriela desviou o olhar por um instante. Às vezes, tinha a sensação de estar sempre um passo atrás de todo mundo. Enquanto os outros pareciam conhecer os atletas, os jogos e todas aquelas tradições universitárias, ela mal entendia o que estava acontecendo ao seu redor. Sabia que ainda estava se adaptando à nova cidade e à faculdade, mas, naquele momento, sentiu-se deslocada por perceber o quanto desconhecia daquele universo que, teoricamente, já fazia parte da sua vida, estava tão distante de ser conhecido.

A cerimônia de premiação terminou pouco depois.

As equipes vencedoras tiravam fotos, os estudantes invadiam a quadra e os organizadores já começavam a desmontar parte da estrutura do evento.

— Larissa! — uma voz chamou do outro lado da arquibancada.

As duas se viraram e viram um rapaz se aproximando apressado, usando a camiseta da atlética da faculdade.

— Pedro? 

— Vocês vão na festa, né?

— Que festa? — perguntou Gabriela imediatamente.

Pedro não desviou o olhar de Larissa.

— A festa da vitória. A atlética organizou tudo. Vai ser lá perto do centro esportivo.

— Eu acabei de descobrir que existe uma festa — respondeu Gabriela.

Gabriela percebeu que estava falando completamente sozinha

Larissa sorriu.

— Nós vamos, óbvio.

— Ótimo. Começa daqui a pouco. Não inventem desculpas e aparece por lá.

Pedro se despediu com um aceno e voltou correndo para encontrar os amigos.

Gabriela cruzou os braços.

— Eu sinto que minha opinião não foi considerada aqui

— Porque não foi — respondeu Larissa. — Anda logo. Você precisa conhecer gente além de mim.

Entre nós, as estrelasHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora