Outubro de 2008

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Prólogo - Dante

A aula de Ciências parecia que nunca ia acabar. Eu estava sentado na minha carteira, olhando para o quadro, sem entender nada do que a professora falava. Faltava pouco para o sinal tocar. E eu já estava quase dormindo de tão devagar a hora passava.

Foi quando eu vi um movimento lá na porta, e era ela!

Passando pela porta, andando bem ligeiro, parecia atrasada para alguma coisa. Ela segurava os livros bem apertados no peito e o cabelo dela ficava balançando conforme ela andava. Meu coração começou a bater bem forte, igual quando eu ganho uma fase difícil no vídeo game, mas bem mais rápido.

Fiquei ali, parado, olhando, sem mexer nem um dedo, até que ela sumiu no fim do corredor. Naquele momento, tudo o que tinha dentro da sala pareceu sumiu: a voz da professora, o barulho dos meninos, o giz... tudo. Parecia que só existia ela passando ali, bem pertinho.

Senti meu rosto ficando quente, igual sempre acontece quando eu vejo ela. Fiquei olhando para o lugar onde ela tinha passado, pensando: "ah, quem será que ela estava indo ver?

Virei de novo para o quadro, mas agora com um sorrisinho escondido, bem pequeno, esperando o sinal tocar, correr para o pátio e quem sabe, ver ela de novo passando por lá.

Passaram-se só mais uns minutos. Eu nem prestava mais atenção na aula não, só ficava olhando para o relógio na parede, esperando o ponteiro andar de pressa. Foi quando sinal tocou.

Todo mundo se levantou de uma vez, gritando, empurrando as cadeiras, pegando as mochilas correndo. Quando eu saí da sala, o corredor estava cheio de gente, todos indo em direção ao pátio.

Fui andando devagar, com as mãos agarradas nas alças da mochila, olhando pra todo lado, tentando ver se achava ela. E não é que eu vi? Lá estava ela, bem pertinho de uma cerejeira que tinha ali. Ela estava rodeada das amigas, todas rindo muito, conversando alto, parecendo que o mundo todinho era divertido só para elas.

Com os cabelos soltos, balançando quando ela virava a cabeça para falar com uma menina do lado. Dava para ver o sorriso dela de longe, brilhando muito. Eu fui andando bem devagar, parei num cantinho que tinha um banco vazio, bem longe de todo mundo, e me sentei ali.

Fiquei só observando ela de longe. Eu queria muito chegar perto, queria falar alguma coisa, perguntar qualquer coisa, só para ve-la olhar para mim. Mas aí eu pensava: "e se eu falar besteira? E se ela não quiser falar comigo? E se as amigas dela rirem de mim?". Eu ficava com vergonha, as pernas até ficavam mole, e eu continuava parado lá, quietinho, olhando-a de longe mesmo.

Mesmo sem chegar perto, já era bom demais. Só de ver ela lá, rindo, já fazia o meu dia ficar bem mais legal.

Ficamos ali, no pátio, aproveitando o recreio por mais uns trinta minutos. Eu continuei sentado no meu cantinho, só olhando ela de longe, vendo-a brincar e rir com as amigas. O tempo passou voando.

Logo tocou o sinal novamente! Aquele barulho alto que todo mundo odiava, que significa que a diversão acabou e teríamos que voltar correndo para as salas de aula. Todo mundo começou a se empurrar, pegando as mochilas, gritando um com o outro para não ficar para trás.

Me levantei devagar, passei a mão na calça, retirando a poeira, e fui andando junto com a multidão. Olhei mais uma vez para ela, antes de entrar no corredor.

Fui em direção a minha sala, e ela foi para o lado da dela, bem distante da minha. Entrei na sala, sentei no meu lugar, e fiquei pensando: "que pena que acabou tão rápido... mas tudo bem, amanhã tem recreio de novo, e eu vou poder ver ela outra vez". Fiquei sorrindo sozinho, esperando a aula começar, só pensando na hora que ia dar de ver ela passar de novo pelos corredores.

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