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Capitulo 1: Uma estrela.

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POV SN

Quando olhei o relógio no visor do carro  e vi que já eram quase duas da manhã decidi que iria para casa. Eu estava a quinze minutos de casa, já mentalmente dentro do meu pijama, já pensando no chá que ia fazer antes de dormir, quando a notificação apareceu. Era uma corrida com um valor no dobro do normal, pensei que talvez valesse a pena.

Eu amo carros, e isso é meio culpa do meu pai, que com treze anos me ensinou não só a dirigir como também deixava eu andar por toda a fazenda com o carro dele. Minha mãe ficava maluca, brigava com ele, e ele sempre justificava com "Querida, a menina dirige bem!". As vezes sinto saudade de dirigir na fazenda sem compromisso algum.

Quando me mudei para Londres anos depois, uma das primeiras metas que estabeleci foi comprar o carro dos meus sonhos. Trabalhei por meses, economizei tudo o que pude e, quando finalmente consegui, achei que fosse chorar de felicidade. Meu Audi RS6 preto era provavelmente a compra mais irresponsável que eu já tinha feito na vida. E também a melhor.

Até hoje as pessoas reagem de forma engraçada quando me veem saindo dele. Principalmente homens. Não sei exatamente o que esperam encontrar ao olhar para aquele carro, mas certamente não é uma mulher de vinte e poucos anos.

Semana passada, por exemplo, parei para abastecer e um senhor ficou me observando durante quase um minuto inteiro. Quando finalmente saí do carro, ele olhou ao redor como se estivesse procurando alguém.

Eu: Está procurando alguma coisa?
Ele: Seu marido.
Demorei alguns segundos para entender.
Eu: Meu quê?
Ele: Achei que esse carro fosse dele.
Eu: Não sou casada.
Ele: Ah.
Ele parecia genuinamente confuso.
Ele: Então o carro é seu?
Eu: Sim.
Ele: Seu mesmo?
Eu: Não. Roubei ontem à noite.

O pobre homem quase teve um infarto antes de perceber que eu estava brincando. Situações assim aconteciam o tempo todo. E, honestamente, eu adorava.

🚘

O endereço era na frente de um pub no centro, um daqueles pubs antigos que ficam abertos até tarde e cheiram a cerveja e decisões ruins tomadas em grupo. Já conhecia o tipo. Já tinha buscado passageiro na frente de vários exatamente iguais. Estacionei e esperei.

Ele apareceu uns dois minutos depois saindo pela porta como quem está tentando muito parecer sóbrio e não está conseguindo. Boné abaixado. Óculos escuros, óculos escuros, de madrugada, na chuva, como se isso fosse uma escolha razoável. Jaqueta jeans.

Andou até o carro, abriu a porta de trás e praticamente se jogou no banco como se as pernas tivessem decidido que já tinham trabalhado o suficiente por hoje.

Olhei pelo retrovisor. Ele estava recostado no banco, cabeça levemente tombada, respiração já ficando pesada.

Eu: Boa noite.
eu disse, esperando a confirmação de nome que o aplicativo pede.
Eu: O nome é...?

Nada. Fechei os olhos por dois segundos. Abri. Olhei o valor da corrida de novo. Tá bom. Coloquei o carro em movimento.

🚘

Quarenta minutos. Ele dormiu quarenta minutos inteiros sem fazer um único barulho além de respirar. Foi, na verdade, uma das corridas mais tranquilas da minha semana.

Chuva batendo no vidro, música baixa no rádio, cidade passando lá fora. Eu quase estava de bom humor quando o GPS anunciou que tínhamos chegado ao destino.

Estacionei e olhei pela janela.Um terreno completamente vazio. Grade de metal enferrujada, uma placa de obra que claramente não via uma obra desde dois mil e alguma coisa, grama crescida invadindo a calçada. Nem uma luz acesa. Nem uma construção. Nada.

CINCO ESTRELAS | TOM HOLLAND La tua prossima ossessione. Scoprilo ora