Treat You Better - Shawn Mendes

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Arthur Senna. Esse é o meu nome. Sei exatamente o que você pensou ao lê-lo. "Nossa, parece muito com o Ayrton Senna". Pois é. Ele é o meu pai. O homem que o planeta inteiro consagrou como o maior piloto da história do automobilismo é a pessoa que me ensinou a andar. Obviamente, ele é o meu maior ídolo, mas não por um mero laço de sangue. Eu o admiro pelo seu impacto histórico, pela genialidade indomável nas pistas e por aquela determinação quase mística que contagiava a todos. O mundo reverenciava o rei de Mônaco - que, para mim, continua sendo o circuito mais implacável e desafiador do mundo. O que ele conquistou nas pistas está cravado na eternidade; são marcas que duvido que qualquer outro piloto um dia consiga alcançar. Meu pai é uma lenda viva.

Mas, longe dos holofotes e do ronco dos motores, ele era apenas o meu pai, o homem que moldou cada um dos meus valores. He tinha uma obsessão quase sagrada pela minha educação. O trato era claro e inegociável: uma única nota vermelha e eu seria sumariamente proibido de correr. Levei essa regra a sério a vida toda, mas houve uma única vez em que vacilei. Foi em Física. Naquela época, a matéria nem era tão complexa, mas cometi um deslize bobo por pura distração. Bati na trave por centésimos. Tirei um 6,5. Para qualquer outro pai, seria uma nota aceitável, mas o meu não tolerava absolutamente nada abaixo de 7,0. A iminência de ficar fora do cockpit quase me enlouqueceu.

- Arthur, vamos! Não quero me atrasar! - a voz ecoou, interrompendo meus pensamentos.

Era a Bárbara. Fomos criados juntos; nossos pais eram confidentes e amigos de longa data, o que acabou nos tornando carne e unha. Hoje, ela cursa Medicina Veterinária. O amor dela por qualquer criatura viva é genuíno e comovente - exceto, é claro, quando se trata de insetos, com um pavor especial e quase cômico da temida barata. Eu sempre admirei a confiança que ela exala, aquela postura firme que parece iluminar o ambiente.

O problema era o momento atual da vida dela. Bárbara estava namorando um sujeito do Direito. Eu não conseguia engolir aquele cara. Ele exalava uma mesquinhez insuportável, um sujeito pão-duro emocional e financeiramente que, para piorar, tinha a audácia de não assumir o namoro publicamente para ninguém. Um covarde. Cansei de alertá-la, de tentar abrir seus olhos para o óbvio, mas a paixão a deixava cega; ela simplesmente ignorava meus avisos. No fundo do meu peito, eu torcia desesperadamente pelo fim daquela farsa. Alguém incapaz de demonstrar afeto e carinho público, que esconde quem está ao seu lado, nunca vai saber o que é amar de verdade.

Enquanto eu amargava a minha solidão, as palavras do meu pai ecoavam na minha mente: "Se você deseja algo, Arthur, faça de tudo para conseguir. Não importa o que perca ou ganhe no caminho, jogue-se por inteiro". E Bárbara era tudo o que eu queria. Ela era uma mulher maravilhosa. Se fosse minha namorada, eu gritaria para o mundo inteiro ouvir, sem hesitar por um segundo. Linda, inteligente, autêntica, uma amiga impecável... tudo nela pareceu um convite irrecusável para eu me apaixonar.

- Você não vai se atrasar, Babi. A faculdade é logo ali, na verdade - respondi, tentando disfarçar o turbilhão interno. - Você vai ter tempo de sobra para falar com o seu namoradinho.

- Você não entende, Arthur - ela retrucou, com os olhos brilhando daquela ingenuidade que me machucava. - Quando você se apaixonar de verdade, vai ver. Não existe nada nem ninguém no mundo capaz de impedir esse sentimento.

- Mas no seu caso, ele mesmo é o próprio impedimento, Babi. Ele é o motivo perfeito para um término! Nunca vi alguém tão sem noção na minha vida.

- Arthur, por favor, eu não estou a fim de discutir com você hoje - ela suspirou, visivelmente cansada da minha insistência. - Um dia você vai entender. Agora vamos. Quero te apresentar a minha faculdade e, depois, você me leva para a pista, ok?

- Tá bem - resmunguei, cruzando os braços. - Mas já vou avisando: eu não vou dar um pio com aquele projeto de mauricinho.

- Tanto faz - ela deu de ombros, embora um sorriso ansioso começasse a brotar em seus lábios. - Ele me disse que queria conversar seriamente sobre o nosso relacionamento hoje. Ai, Arthur... acho que ele vai me pedir oficialmente em namoro! Será que vai ter anel? Tomara que seja dourado. Prata simplesmente não valoriza meu tom de pele.

O legado Histórias para pegar e não largar. Descubra agora