SN costumava dizer que o vôlei salvou a vida dela antes mesmo da música.
E talvez fosse verdade.
Porque muito antes do mundo conhecer SN — a cantora com Grammys, turnês mundiais e milhões de fãs — existia apenas uma menina correndo descalça pela quadra de um ginásio em Curitiba enquanto o pai gritava da arquibancada como se ela estivesse numa final olímpica.
— BLOQUEIA, FILHA! PELO AMOR DE DEUS, LEVANTA ESSA MÃO!
SN tinha oito anos quando ouviu a primeira bronca sobre tempo de bloqueio.
E, honestamente?
Nem sabia o que era tempo de bloqueio.
Só ria.
Sempre ria.
O pai dela, Marcelo, era assim.
Intenso.
Barulhento.
Apaixonado por esporte.
A mãe, Helena, dizia que SN puxou os dois:
a dramaticidade do pai e a sensibilidade dela.
Nenhum dos dois era famoso.
Marcelo era fisioterapeuta esportivo.
Helena professora.
Mas o vôlei sempre esteve dentro daquela família como se fosse tradição.
Foi justamente por causa do trabalho do pai que Zé Roberto apareceu pela primeira vez na vida deles.
SN tinha onze anos.
Marcelo havia sido chamado temporariamente pra auxiliar na recuperação física de algumas atletas durante um período de treinos antes de uma competição importante da seleção.
SN lembrava até hoje da sensação de entrar naquele ginásio enorme segurando a mão do pai enquanto olhava tudo maravilhada.
Foi ali que ela viu Zé Roberto pela primeira vez.
E foi ali também que o técnico percebeu a menina baixinha carregando uma bola de vôlei maior que ela.
— E você joga? — ele perguntou divertido.
SN ergueu o queixo imediatamente.
— Jogo melhor que muita gente.
Marcelo quase morreu de vergonha.
Zé Roberto riu por tanto tempo naquele dia que acabou criando intimidade com a família inteira sem perceber.
Depois disso veio:
* churrasco na casa deles;
* jogos assistidos juntos;
* aniversários;
* visitas;
* treinos.
Zé virou presença constante.
E conforme SN crescia, ele percebeu rápido o talento absurdo dela dentro da quadra.
Principalmente como central.
Ela tinha leitura rápida.
Impulsão boa.
Instinto.
— Essa menina nasceu pra jogar — Zé dizia pro pai dela.
E Marcelo sorria como se tivesse ganhado o mundo.
Mas a música apareceu.
E apareceu forte.
SN começou postando vídeos cantando na internet aos quatorze anos.
Aos dezesseis já tinha contrato.
Aos dezoito tinha o mundo inteiro olhando pra ela.
SN nasceu ali.
O nome.
A fama.
As luzes.
E então o vôlei ficou pra trás.
Ou pelo menos era isso que ela dizia pra si mesma.
Porque mesmo no auge da carreira...
ela sempre voltava pra quadra.
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Entre bloqueios e canções.
FanfictionSN aprendeu da pior forma que o amor pode destruir alguém. Aline Segato aprendeu cedo demais que talento nem sempre é suficiente. Quando seus caminhos se cruzam dentro da Seleção Brasileira Feminina, nenhuma das duas imagina que, entre bloqueios, mú...
