EPÍLOGO.

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Eu tinha acabado de me mudar de país. Os Estados Unidos eram um lugar bonito, mas eu odiava o fato de estar longe dos meus amigos, de estar deixando o lugar onde cresci e vivi com a minha "família perfeita". Odiava estar deixando o lugar onde o corpo da minha mãe estava enterrado.

Meu pai não se importava com o que eu queria. Ele se mudou por causa do emprego estúpido dele, mesmo sem precisar, afinal, já era podre de rico.

Eu nunca liguei muito para o que acontecia à minha volta. Estava sempre perdida nos meus pensamentos obscuros e deprimentes. Não costumava ser assim, mas as coisas mudam. Depois que a minha mãe morreu, tudo mudou.

A única coisa que eu gostava de fazer era visitar a cova da minha mãe no cemitério onde o corpo dela descansava para sempre. Mas agora que eu tinha me mudado, não existia mais nada que me animasse.

Era legal passar horas atualizando ela sobre a minha vida chata. Mesmo sabendo que ela não ouvia nada e que o corpo dela estava podre embaixo da terra, eu tentava me enganar dizendo a mim mesma que ela ainda estava lá, torcendo por mim e ouvindo tudo.

Eu tinha vários amigos no Brasil. Amava a companhia deles, mas depois que minha mãe morreu eu entrei em depressão e me afastei de todo mundo. Era como se o mundo tivesse desligado e eu tivesse ficado presa dentro da minha própria mente.

Às vezes eu sentia saudade dos meus amigos. Eu até poderia ir atrás deles quando ainda estava lá. Eles disseram que sempre estariam de braços abertos para me receber de volta. Mas, sabe... eu não tinha vontade de fazer nada. Eu só existia no mundo.

Enfim, eu era só uma adolescente problemática, sem amor paterno e com uma mãe morta.

Meu pai fingia que se importava na frente das pessoas, mas todo mundo conseguia perceber como ele começou a me tratar com indiferença depois da morte da minha mãe. Era impossível não notar.

— CELINE, DESCE LOGO AQUI SE NÃO QUISER IR A PÉ! — meu pai gritou da porta de entrada da casa, me apressando para terminar de me arrumar. Mas eu não ligava. Ele não era louco de me deixar... ou era?

— JÁ VAI, RICHARD, CALMA AÍ!

Sim, eu chamava meu pai pelo nome, mas isso não importa.

Peguei alguns comprimidos aleatórios e os engoli com água. Não fazia a mínima ideia de há quantos dias aquele copo estava parado na escrivaninha do meu quarto.

Mal desci as escadas e já ouvi reclamações.

— CELINE, VOCÊ VAI ASSIM PRA ESCOLA?! TÁ IGUAL UM MOLEQUE! — ele praticamente berrou no meu ouvido.

— Richard, fala aí... tô uma delicinha, né não? As meninas vão pirar em mim.

Retruquei de forma sarcástica. Eu estava usando um moletom preto que batia na minha coxa e cobria completamente meus braços, uma calça cargo preta e larga, uma corrente prata grande no pescoço, cabelo finalizado e uma maquiagem básica.

— Eu preferia que você fosse uma puta ao invés de ser uma sapatona nojenta! Para de me dar decepção o tempo todo, Celine. — Ele suspirou. — Só entra nesse carro logo antes que eu me estresse mais com você.

Ele bufou de raiva enquanto eu entrava no carro. Depois que me sentei no banco da frente, ouvi ele bater com força na traseira do veículo.

Eu tinha pena daquele carro. Já perdi as contas de quantas vezes meu pai o destruiu em acessos de raiva e depois levou para consertar com a desculpa de que "bateu na cerca de casa".

Vocês devem estar pensando: "Nossa, como ela é mal-educada com o pai. Que falta de respeito."

Mas ele nunca me respeitou. Sempre me tratou como se eu fosse o motivo de toda a infelicidade da vida dele.

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⏰ Ultimo aggiornamento: Jun 21 ⏰

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