📑 CAPÍTULO 1 - BOATOS E VERDADES OCULTAS

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Dentro dos muros daquela instituição tradicional, onde a classe, a genética e as características naturais definiam completamente o seu valor, o seu respeito e o seu lugar no mundo, existiam verdades que todos sabiam e aceitavam como leis naturais, marcadas principalmente pela cor dos olhos — sinal visível e impossível de disfarçar do que cada um era.

Todo Alfa nascia com íris avermelhada: variava entre vermelho escuro, cor de vinho ou rubi fechado, era um tom bonito, mas igual para praticamente todos, uma marca registrada da sua categoria. Os Ômegas, por sua vez, tinham sempre tons de azul nos olhos — desde azul céu bem clarinho até azul marinho profundo — cor calma, delicada e característica. Mas para os que pertenciam às linhagens antigas, os raros e poderosos chamados de Lúpus, as regras eram outras: cores diferentes, únicas, que brilhavam como pedras preciosas e denunciavam que ali havia algo divino, real, muito acima do normal.

Kim Taehyung carregava consigo essa marca da realeza. Ele era Ômega Lúpus, a raridade máxima, o auge da perfeição, considerado um tesouro vivo, uma joia que todos sonhavam em possuir. Seus olhos eram de uma cor deslumbrante: dourado puro, brilhante, amarelo-ouro vivo que reluzia sob qualquer luz — cor que ninguém mais possuía, algo exclusivo da sua linhagem. Tinha uma beleza que chegava a causar dor só de olhar: traços perfeitos, pele macia como pétala, cabelos sedosos bem cuidados, corpo desenhado com curvas suaves e tentadoras... e o seu perfume. Ah, o seu perfume! Era lendário, conhecido em todo lugar: aroma doce, forte, quente, feito de flores raras, mel e especiarias nobres, capaz de desestabilizar qualquer Alfa em segundos, deixando-os perdidos, dominados pelo instinto, dispostos a fazer qualquer coisa só para chegar perto, tocar ou reivindicar para si mesmos.

Era, sem sombra de dúvida, a pessoa mais famosa, mais cobiçada, mais comentada e desejada de todo o ambiente. Para todos os outros, ele parecia ter tudo: beleza, poder, status, riqueza, atenção, o mundo inteiro aos seus pés. Mas junto com toda essa fama, vinha também uma história, uma fofoca maldosa que corria de boca em boca, repetida como se fosse verdade absoluta, algo que manchava o seu nome e a sua imagem, embora ninguém nunca tivesse prova nem motivo real para dizer tal coisa:
"Ele é bonito, é raro, é especial... mas não vale nada, não presta para nada que seja sério. É leviano, gosta de atenção a qualquer custo, se entrega a qualquer um que pedir ou sorrir de volta. Dizem que já dormiu com praticamente todos os Alfas daqui, que não se respeita, que é fácil, que não guarda nada para ninguém, que é só aparência bonita e nada de conteúdo ou coração."
Essa história estava espalhada por todos os cantos: salas, corredores, pátios, refeitórios... todos comentavam, muitos acreditavam, olhavam para ele com desejo, mas também com certo desprezo ou pena, pensando baixo: "quem pega não preza, e ele mesmo se dá a todo mundo mesmo, não merece respeito nem dedicação".

E era exatamente essa história, essas palavras ouvidas repetidas vezes há anos, que faziam com que a única pessoa que Taehyung realmente queria, amava e desejava mais do que tudo na vida, o tratasse com total indiferença, frieza e distância.

Jeon Jungkook.

Ele estava sempre lá, sentado na última carteira, encostado na parede perto da janela, quase sempre sozinho, sempre com a cabeça baixa sobre livros grossos e antigos, óculos de armação escura cobrindo parcialmente os seus olhos, roupas sempre um pouco grandes, simples, sem cor, sem brilho, sem marca alguma, cabelo preto bagunçado que caía sobre a testa escondendo ainda mais o seu rosto. Para todo mundo, ele não passava de um aluno muito inteligente, estudioso, calado, estranho, considerado um Alfa de categoria baixa ou quase um Beta, pois ninguém jamais sentiu qualquer cheiro vindo dele, nenhuma presença forte, nenhum sinal de poder, nenhuma autoridade ou força que se esperava de um Alfa de verdade. Era praticamente invisível, ninguém ligava, ninguém dava valor, ninguém imaginava...

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