Entre o ódio e o desejo

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Entre o Amor e a Fama | Temporada 2

Capítulo 1: O Reflexo da Perfeição
Nove anos se passaram, mas algumas coisas nunca mudam. Eu ainda sentia que precisava ser a armadura daquela família, mesmo que agora a "guerra" fosse contra os paparazzi e não contra o tio Carlos.
- Se pelo menos você batesse na porta antes de entrar no meu quarto, Ethan! Eu sou sua irmã mais velha! - gritei, sentindo o sangue subir ao rosto enquanto eu tentava finalizar o delineado impecável no espelho.
Ethan, com aquela petulância que só ele tinha, simplesmente ignorou o meu surto. Ele atravessou o quarto e se jogou na minha cama, bagunçando as colchas de seda que eu tinha acabado de esticar.
- Você quer dizer mais velha só por três meses? Poupe-me, Zenda - ele retrucou, soltando uma risada folgada.
Ele sabia exatamente como me tirar do sério. Éramos quase gêmeos, separados por apenas três meses de diferença e uma história complicada que o mundo amava fofocar, mas para mim, aqueles 90 dias me davam autoridade vitalícia sobre ele.
- Zendaya, rápido! Precisamos ir para a escola. Você precisa de uma hora só para arrumar esse cabelo? - ele perguntou, com aquela cara de tédio de quem não entende a pressão de ser uma Beltrán.
Eu me virei, segurando a escova de cabelo como se fosse uma arma.
- Você quer que aqueles fãs malucos tirem uma foto feia de mim? - disparei, olhando-o de cima a baixo. - Eu odeio aparecer feia nas revistas, Ethan. Diferente de você, que sai de casa parecendo que acabou de sobreviver a um furacão, eu tenho uma imagem a zelar.
Eu era Zendaya Beltrán. Filha do maior jogador de futebol da Europa e da modelo mais icônica da década. Nós tínhamos tudo: dinheiro, carros, casas luxuosas... mas não tínhamos o luxo de sermos "comuns". Para o mundo, éramos perfeitos. E a perfeição cansa.
- Vamos logo - ele revirou os olhos, levantando-se. - Papai já está reclamando da demora e a mamãe está no telefone com a agência. Se a gente chegar atrasado de novo, o segurança vai ter que furar o bloqueio dos fotógrafos na porta do colégio.
Dei um último toque no brilho labial. Eu estava pronta. Ou pelo menos, meu reflexo estava.
O Peso da Beleza
Antes de descer, olhei para um porta-retratos no corredor. Minha mãe, Dayene, era meu maior ícone. Enquanto as outras esposas de jogadores tentavam desesperadamente ser loiras e iguais, minha mãe brilhava com sua pele marrom e seus cabelos escuros. Ela parecia ter parado no tempo; nove anos depois, continuava implacável, com o corpo definido e uma disciplina que me inspirava e me assustava ao mesmo tempo. Ela sempre dizia que eu e Ethan éramos o suficiente, que nosso quarteto era sagrado. Ela não precisava de mais ninguém, e nós também não.
O Circo Escolar
A chegada à escola era, como sempre, um sufoco. Assim que o carro parou, o som dos cliques e os sussurros começaram.
Ethan saiu primeiro. Ele era a cópia fiel do nosso pai: loiro, com aqueles olhos verdes magnéticos que pareciam brilhar sob o sol. Eu vinha logo atrás, sentindo o contraste. Minha pele era mais escura que a dele, meus cachos eram volumosos e selvagens, uma herança perfeita da mistura de Dayene e Beltrán. As pessoas viviam dizendo que eu era bonita, e eu não era modesta: eu sabia que era verdade. Eu carregava o orgulho da minha mãe no rosto.
- Ai, Ethan! Você chegou! - Uma garota brotou do nada, correndo para abraçá-lo como se ele fosse um herói de guerra voltando para casa.
Eu revirei os olhos tão forte que quase doeu. O que elas viam nele? Para o mundo, ele era o "Príncipe Beltrán"; para mim, ele era apenas o meu irmão insuportável e fedido que não batia na porta do quarto.
- Oi, Zendaya! Como você está? - A voz doce de Ashley, minha melhor amiga, cortou meu transe de irritação.
- Bem, e você, Ashley? - respondi, tentando ajustar minha postura.
Com Ashley, eu podia baixar um pouco a guarda, mas nunca totalmente. Naquela escola, as paredes tinham ouvidos e os celulares tinham câmeras prontas para destruir a reputação de uma Beltrán ao primeiro deslize.
- Você viu? - Ashley se aproximou, sussurrando enquanto caminhávamos para a entrada principal. - Estão dizendo que tem um aluno novo vindo de Londres
Caminhamos pelo pátio do International College Spain. Estudar em Madrid trazia um ar de sofisticação, mas também de perigo; cada corredor exalava cheiro de dinheiro e sobrenomes que pesavam toneladas.
- Hummm, que bom... vamos ter mais colegas idiotas aqui - comentei, ajustando com desdém a alça da minha bolsa de grife. - Devem ser bem ricos para estudar em uma escola como a nossa, mas dinheiro não compra cérebro.
- Verdade - Ashley riu, apressando o passo. - Mas temos de ir para a aula, senão a diretora nos comerá vivas. Você sabe que ela não tem paciência para "atrasos de estrelas".
Ashley era a única que me conhecia de verdade. Filha de um dos colegas de time do meu pai no Real Madrid, ela cresceu nos mesmos camarotes e festas exclusivas que eu. Era a única que me aturava nos dias ruins, enquanto o resto da escola me olhava torto. Para os outros, eu era apenas a "Zendaya Beltrán: a mimada insuportável". Eles não faziam ideia de que minha arrogância era, na verdade, um escudo.
O Mistério na Sala de Aula
Entramos na sala segundos antes do sinal tocar. O burburinho estava mais alto que o normal. Sentei-me na minha mesa habitual, no fundo, onde eu podia observar tudo sem ser o centro das atenções - embora fosse impossível não ser.
- Eles chegaram - sussurrou Ashley, cutucando meu braço.
Olhei para a porta e vi a diretora entrar acompanhada de dois rostos novos: uma menina e um menino.
- Turma, estes são os vossos novos colegas: Mateo e Nayala.
Segundo meus cálculos, eram filhos de um dos empresários mais ricos do país. Estreitei os olhos. Nayala parecia... ok. Tinha um rosto doce e uma postura tranquila, mas definitivamente não era a minha vibe. Faltava nela aquela chama de quem nasceu sob os holofotes.
Já Mateo... Deus, ele era o tipo de problema que eu reconhecia de longe. Ele caminhou pela sala como se estivesse avaliando o preço de cada móvel - e de cada pessoa. Exalava uma arrogância que competia diretamente com a do meu pai, mas sem a classe dele. Ele se achava o dono do mundo.
- Olha só - sussurrou Ethan ao meu lado, a voz carregada de desdém. - Mais um que acha que o sobrenome é um título de rei.
O Primeiro Confronto
Na hora do intervalo, o pátio virou o palco principal. Mateo não perdeu tempo; foi direto para o centro, onde os atletas se reuniam.
- Então este é o famoso herdeiro Beltrán? - a voz de Mateo ecoou, interrompendo a conversa do Ethan. - Ouvi dizer que você é bom de bola, mas em Madrid o jogo agora é outro. O dinheiro do meu pai compra estádios inteiros, enquanto o seu ainda está chutando grama.
O pátio silenciou. Ethan travou o maxilar, a mesma expressão que o papai fazia antes de uma falta decisiva. Senti o sangue ferver. Ninguém falava assim com o meu irmão. Caminhei até eles, parando ao lado de Ethan com os braços cruzados e todo o desprezo que meus olhos cinzentos podiam projetar.
- Engraçado - eu disse, a voz calma e cortante. - O dinheiro do seu pai pode até comprar o estádio, mas o talento da minha família é a única razão pela qual as pessoas compram o ingresso. Você é o novato, Mateo. Aprenda o seu lugar antes que eu tenha que te ensinar onde ele fica.
Mateo deu um sorriso gélido.
- Zendaya, certo? A modelo prodígio. Você é ainda mais insuportável de perto do que nas revistas.
- E você é ainda mais irrelevante do que eu imaginei - rebati, sem piscar.
Nayala se aproximou, visivelmente desconfortável.
- Mateo, para com isso. Desculpe, Zendaya, ele é sempre assim...
Eu nem olhei para ela. Meu foco estava no garoto que achava que podia desafiar os Beltrán no nosso próprio território. A guerra estava declarada.
Chegamos em casa com o clima pesado. Em nossa família, os eixos eram bem definidos: Ethan era o porto seguro da minha mãe, e eu era a confidente do meu pai. Fui direto para o ginásio. O som rítmico da esteira e o cheiro de esforço eram o santuário dele. Meu pai estava longe de ser velho, muito longe; ele sempre dizia que só se aposentaria quando visse o Ethan assumir a nova camisa 7, e isso ainda levaria anos.
- Pai, eu posso entrar? - perguntei, batendo na porta.
- Claro, meu amor - disse ele, diminuindo o ritmo do treino e pegando uma toalha.
Eu amava conversar com ele. Sabia que a história dele com a minha mãe estava longe de ser um conto de fadas, e talvez por isso ele nos entendesse tão bem.
- O que aconteceu? - perguntou ele, aproximando-se e passando a mão carinhosamente no meu cabelo.
- Bem... sabe, pai... as pessoas dizem que eu sou mimada, insuportável. Elas simplesmente não gostam de mim - desabafei, e antes que eu percebesse, já estava soluçando.
- Oh, minha princesa, venha aqui. Não chore - ele disse, me puxando para um abraço apertado que cheirava a proteção.
- Eu só queria ser adorada por todos... - murmurei contra o peito dele. - As pessoas dizem que o Ethan é melhor que eu, só por ele ser filho de dois brancos e...
Antes que eu terminasse a frase, meu pai se afastou o suficiente para olhar nos meus olhos, com uma expressão séria que eu raramente via.
- Nunca mais diga isso, ouviu? Nunca mais. Você é linda. Você e o seu irmão são a minha prioridade absoluta. Você é filha do maior jogador do mundo, Zendaya. Muitas pessoas dariam tudo para estar no seu lugar. O papai não gosta de ver esses olhos verdes com lágrimas.
Ele limpou o rastro do choro no meu rosto com os polegares, sua voz agora mais suave, mas ainda firme.
- Está bem, pai - respondi, abraçando-o novamente, sentindo a força que ele me transmitia.
Eu me recompus. Ele tinha razão. Eu era Zendaya Beltrán. Eu era famosa, milionária e tinha o sangue de guerreiros correndo nas veias. Ninguém, nem o Mateo, nem os comentários maldosos da escola, poderia me derrubar.
Horas depois, o aroma do jantar invadiu a casa. Os funcionários haviam preparado um banquete, mas o destaque, como sempre, eram os bolos de chocolate. Eu nunca soube ao certo por que era tão viciada em chocolate, mas meu pai adorava contar que, durante a minha gravidez, minha mãe era uma verdadeira devoradora de cacau. Talvez eu já tivesse nascido com esse doce correndo nas veias.
Estávamos todos à mesa, um momento raro de paz entre os flashes da vida pública.
- Mãe, você pode me comprar as novas chuteiras que a Nike lançou agora? Elas são muito fixes - pediu Ethan, com aquele olhar que ele sabia que desarmava a nossa mãe.
- Claro, meu bem - respondeu ela, com um sorriso imediato.
Eu observei a cena, balançando a cabeça. Eu sabia que ela nunca negaria um pedido do Ethan. Ele era o "menino de ouro" dela, e ele sabia muito bem como usar esse poder.
- Obrigado, mãe! Você é a maior! - ele comemorou, já imaginando os gols que faria com o novo equipamento.
De repente, o clima mudou sutilmente. Minha mãe pousou o garfo na mesa e olhou para o meu pai, que retribuiu com um aceno encorajador.
- Bem... eu e o vosso pai temos uma surpresa para vocês - anunciou ela, com um brilho misterioso nos olhos.
Senti um frio na espinha. Surpresas na família Beltrán podiam significar desde uma viagem repentina para as Maldivas até uma mudança de país.
- Espero que não seja um bebê - murmurei em voz baixa, fazendo Ethan segurar o riso.
Eu amava minha família do jeito que ela era: quatro cantos de um quadrado perfeito. Um quinto elemento agora seria um caos que eu não estava pronta para administrar.
O silêncio que se seguiu à frase da minha mãe foi interrompido apenas pelo som do Ethan quase engasgando com o suco, enquanto soltava uma risada abafada pelo meu comentário sobre o bebê.
- Um bebê? Não, Zendaya. Nada de bebês por enquanto - disse meu pai, rindo e trocando um olhar cúmplice com a mamãe. - Nós decidimos que vocês já têm idade e responsabilidade suficientes para algo novo.
Minha mãe sorriu, pegando dois envelopes elegantes que estavam escondidos ao lado dela.
- Vocês terão um cartão de crédito limitado - anunciou ela, deslizando os envelopes pela mesa. - Para fazerem as vossas pequenas compras, sem precisarem pedir autorização para cada detalhe. Queremos que aprendam a gerir o que é vosso.
Meus olhos brilharam. Um cartão. Meu próprio cartão. No meu mundo, "limitado" era um conceito relativo, mas para mim, aquilo cheirava a liberdade. Era o fim de ter que explicar por que eu precisava daquela bolsa de edição limitada ou daquele gloss importado.
- Isso é sério? - Ethan pegou o envelope dele como se fosse um troféu, os olhos verdes faiscando. - Posso comprar as chuteiras agora mesmo?
- Sim, Ethan. Mas lembre-se do que eu disse: gerir - alertou meu pai, num tom mais sério. - Se o limite acabar antes do mês, não haverá extras. É o vosso primeiro passo como adultos.
Eu peguei o meu envelope, sentindo o peso do plástico rígido lá dentro. Olhei para o Ethan e depois para os meus pais.
- Pequenas compras, entendi - respondi com um sorriso convencido.
Por dentro, eu já estava planejando a minha próxima ida ao shopping com a Ashley. Se o Mateo achava que podia me intimidar na escola com o dinheiro do pai dele, ele não perdia por esperar. Agora, eu não era apenas a "filha do Beltrán" com uma mesada controlada. Eu tinha o meu próprio poder de fogo.
Mas, conhecendo o Ethan, eu sabia que aquele cartão ia ser motivo de briga em menos de uma semana. Ele provavelmente gastaria tudo em jogos ou em presentes para alguma daquelas garotas que ficavam babando por ele no pátio.
- Só não gaste tudo em chocolate, Zenda - provocou Ethan, guardando o cartão no bolso da calça.
- Cuida do seu limite que eu cuido do meu, "maninho" - rebati, mas no fundo, eu estava radiante.
Dez mil euros? - Ethan praticamente gritou, os olhos verdes quase saltando das órbitas ao ler o valor impresso no documento. - Por mês, para cada um? Mãe, você é um anjo!
Eu estava em choque, mas tentei manter a elegância, embora minha mente já estivesse navegando pelos catálogos da Vogue.
- Ethan, Zendaya, por favor... não percam a cabeça - minha mãe disse, a voz num tom baixo que era mil vezes mais intimidador do que um grito.
Ela nos olhou fixamente. Nós não tínhamos tanto medo do nosso pai; ele era o coração, o cara que nos abraçava e treinava conosco. Mas quando a Senhora Dayene falava, o ar parecia ficar mais pesado. Ela era como um dragão pronto para cuspir fogo ao menor sinal de desobediência. Ninguém - nem mesmo o grande Beltrán - ousava contrariar a palavra dela.
- Está bem, Senhora Dayene - respondemos em coro, instantaneamente comportados.
O jantar continuou, mas eu mal conseguia focar na comida. Minha cabeça era uma calculadora de alta velocidade. Eu já tinha tudo o que uma garota da minha idade poderia querer, mas no nosso mundo, o "tudo" de ontem já estava fora de moda hoje. Eu precisava de cada kit novo, de cada lançamento limitado que chegasse às lojas da Milla de Oro.
Se o Mateo achava que eu era "insuportável" antes, ele não perdia por esperar para ver a minha versão atualizada com dez mil euros de orçamento por mês. Eu ia pisar naquela escola parecendo que tinha acabado de sair de um editorial em Paris.
O convite chegou de forma nada discreta: um cartão preto fosco com letras douradas entregue por um motorista particular na porta do colégio. Mateo estava oferecendo uma festa de boas-vindas na cobertura de seu pai, o novo refúgio da elite de Madrid. Era óbvio que o objetivo principal era ostentar, e ele fez questão de que eu e o Ethan fôssemos os primeiros da lista.
- Ele só quer se exibir, Zenda - Ethan disse, jogando o convite sobre a mesa de jantar. - A gente nem devia ir.
- Pelo contrário, "maninho" - respondi, pegando o cartão e sentindo a textura do papel caro. - Se não formo s, ele vai achar que estamos intimidados. E uma Beltrán nunca recua. Além disso... eu tenho dez mil euros de limite para estrear e um look da Prada que precisa ser visto.
- Zendaya, você ouviu o que a mãe disse. Não podemos gastar com brincadeiras - Ethan disse, segurando meu braço com um olhar de aviso.
- Eu ouvi, Ethan. Eu não sou idiota - respondi, puxando meu braço suavemente, mas com convicção. - Gastar dez mil euros em uma bolsa é uma compra. Gastar para garantir que ninguém naquela festa se sinta superior a nós é um investimento em imagem.
A Transformação
Fui me arrumar com o rigor de quem vai para um desfile. Fiz uma maquiagem glow, nada carregada, apenas realçando meus traços e meus olhos verdes. Fui ao salão e alisei meu cabelo até ele brilhar como seda. Coloquei um vestido preto justo, elegante, e os sapatos brancos de lançamento que eu tanto amava.
Eu não parecia uma adolescente indo a uma festa; eu parecia uma herdeira pronta para assumir um trono.
Ao chegarmos, o motorista abriu a porta sob o clarão de fotógrafos à nossa espera. Ignorei os flashes e segui em frente. Quando pus os pés na festa, Mateo travou. Ele me olhou por dois segundos inteiros, sem conseguir desviar o olhar.
- Ora, ora... Ethan e Zendaya, não é? - perguntou ele, esticando a mão.
- Sim, Mateo - respondi, curta e grossa.
- Eu vos acompanho até a festa - interrompeu Nayala, tentando suavizar o clima.
O Jogo Perigoso
A festa estava radiante. Eu passava o tempo com Ashley enquanto Ethan circulava entre os amigos de Mateo. Mas o clima mudou quando Mateo reuniu todos no centro da cobertura.
- Se aproximem todos. Vamos jogar uns jogos mais... adultos - anunciou ele.
- Nem pensar. De jeito nenhum - cortei imediatamente.
- Oh, qual é, Zendaya? São apenas jogos, o que tem de mal? - Ethan tentou me convencer, já animado.
- Ethan, de jeito nenhum! - recusei, fuzilando-o com o olhar.
- Só hoje, Zenda. Vamos aproveitar a liberdade, por favor, maninha - ele pediu, segurando minha bochecha com aquele jeito que me vencia sempre.
- Está bem - aceitei. No fundo, era a chance de provar quem eu era sob pressão.
O jogo era Verdade ou Desafio. Ethan começou. Ele tirou um papel do balde: beber um copo de tequila. Fiquei chocada.
- Ethan, para!
- É só um copo - ele disse e virou o líquido de uma vez.
O jogo seguiu até chegar a minha vez. Tirei o papel e senti um frio na espinha.
- Hummm, um desafio. Que merda.
- O que diz o desafio, princesa? - Mateo perguntou com um sorriso cínico.
- Beber dois copos de whisky. Eu sou uma adolescente, eu não posso fazer isso.
- Você está com medo? - Mateo provocou, aproximando-se.
- Medo? Que medo? - rebati.
A raiva foi maior que a prudência. Peguei o primeiro copo de whisky e bebi. O segundo. O terceiro. O álcool subiu instantaneamente.
O Confronto no Escuro
Minutos depois, eu estava descontrolada, dançando sem rumo. Fui até a casa de banho para jogar água no rosto e tentar recuperar o juízo.
- Hey, tu aí... - me virei bruscamente.
Era Mateo. Ele estava encostado na porta, visivelmente alterado também. A máscara de arrogância dele tinha caído um pouco, substituída por algo mais turvo.
- Tu estás bonita - ele falou, rindo baixo e se aproximando de mim no espaço confinado.
- Tu também estás... - respondi, rindo sem motivo, sentindo que o mundo girava rápido demais.
O silêncio do banheiro era absoluto, quebrado apenas pela nossa respiração pesada. Mateo se aproximou tanto que eu podia sentir o calor da sua pele. O ódio que eu sentia por ele horas antes tinha se transformado em uma curiosidade perigosa, alimentada pelo whisky.
- Eu sabia que por trás dessa pose de herdeira tinha fogo, Zendaya - ele sussurrou, a centímetros dos meus lábios.
Eu não respondi. Apenas selei a distância. O beijo foi intenso, uma mistura de rivalidade e atração que nenhum de nós conseguia mais esconder. Mas, no meio do nevoeiro do álcool, ouvi um clique sutil vindo da porta entreaberta. Antes que eu pudesse reagir, Mateo se afastou com um sorriso vitorioso.
Eu não sabia ainda, mas minha vida de "princesa perfeita" tinha acabado ali.
Acordei com a cabeça latejando, mas o verdadeiro pesadelo não era a ressaca. O barulho de notificações no meu celular era incessante, um coro metálico que parecia zombar da minha dor de cabeça. Quando abri o primeiro site de fofocas, meu sangue gelou.
"A REALEZA CAIU? Zen

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