Salvador,1930
Salvador, a cidade maravilha dentre o mar e os contrastes sociais quehavia alí. Alguns viviam de dinheiro, outros viviam de pobreza extrema, mas alguns tinham seus privilégios a serem recatados.
Existe outra realidade que assola salvador, as crianças que não são mais crianças ou os adolescentes que roubam, como os respeitosos os chamam.
Essa realidade deveria ser banalizada,se algum adolescente fosse credibilizado por um adulto a essa altura do campeonato. Claro,eles se divertem roubando,bebendo, fumando,mas alguns precisam do dinheiro para sobreviver,como os capitães de areia.
Uma pequena gangue só de meninos que cometem furtos por toda salvador,mas que são tão espertos que comandam salvador como uma caravela as margens do rio nigro.
Eram antigos, diziam que passavam de geração por geração e nunca foram pegos. Os mais velhos,Pedro bala e professor, eram os que ajudavam a gangue a seguir no eixo, mesmo sendo muito meninos ainda.
Por outro lado, não era apenas os capitães que existiam.
As muçuranas eram uma gangue de mulheres que utilizavam a sedução para o seu ganho diário e que carregavam o nome da cobra 'muçurana' porque ambas haviam a mesma forma de atacar,pela cabeça.
Não eram antigas como os capitães de areia, mas já tinham alguns anos de experiência que equivaliam da mesma forma que os capitães. O pilar dessa gangue eram duas garotas, Felicia e Yara. Ambas eram uma dupla tão forte que comandavam com vigor a gangue de garotas delas, e eram uma ameaça visível para os capitães de areia.
Felicia,a mais velha, era guia de todas as outras e era o puro significado do que era ser hipnotizante. A mesma era branca como leite,andava com vestes e maquiagens vermelhas, com um cigarro inapagavel nas mãos e com o olhar de quem já soube, sabe e saberá de tudo na vida.
Felicia andava com as garotas apesar de não ser o tipo de garota rica e educadinha que todas eram naquela época, ela não se importava de andar em uma carranca fechada e sempre utilizando a forma informal de dizer as coisas.
Yara já era a 'mãe' de todas as meninas. Ela quem ensinou a todas o que fazer quando seu período menstrual acontecer, o que fazer quando seus corpos começarem a aparecer, como se vestir e escolher roupas para se sentirem bem, Yara era a luz em meio aquela escuridão.
Em termos de convivência , Yara era uma menina delicada com as suas,mas com o resto,yara era uma completa desbocada, que não tinha medo de brigar por sua forma de viver. Em termos de aparência, yara era uma menina preta, seus cabelos cacheados cobriam suas costas e adornavam sua cintura como um todo, a suas vestes sempre eram amarela ou brancas, e não se via ela sem sua deliciosa cerveja.
As duas eram uma dupla tão inseparável como o grupo de muçuranas era por si só, mas havia outro grupo inseparável que mexia com elas constantemente. Os infames,e malditos,capitães de areia.
Felicia odiava eles,ela não gostava de não ter o que roubar porque o grupo de meninos que a atormenta já passou por ali e pior não é o líder, é o fiel escudeiro. Felicia tem tanto ódio do professor que já chegou a quebrar uma garrafa para ameaçar ele, por suas gracinhas idiotas para cima dela.
Yara não tinha nada contra os dois e já saiu com o líder Pedro Bala por alguns meses, mas ela sentia que não podia confiar nunca em nenhum dos garotos,até o bala.
Tão próximos e diferentes ao mesmo tempo.
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Felicia estende a mão até o cinzeiro a sua frente, ligeiramente emburrada com o dia de roubo horrendo que a mesma teve.
Primeiro, aquele maldito do professor teve a audácia de passar a frente dela com uma clara expressão de satisfação ao fazer isso. Aquele mínimo de ódio que havia dentro dela se energizou suficiente para seu fósforo se acender.
O ambiente do barco das muçuranas era tranquilo, era um barco perto da costa de salvador que continham 50 ou mais meninas resgatadas pelas irmãs de coração, Felicia e Yara. As duas tinham aqueles apelidos porque carregavam essa herança de meninas que salvavam outras meninas, mesmo sendo menores de 18 anos.
- o que que houve lá na catedral,véi? Tu sumiu do nada - yara entra na embarcação com sua saia batendo no chão, com sacolas de comida.
- aquele desgraceiro do amigo de bala, faltei dar um cacete nele. - Felicia acende seu cigarro e dá um longo trago, revirando seus olhos em desgosto - passou em minha frente pra roubar a galega gringa, faltou me derrubar junto esse maldito
- sei bem, as mariquinhas tavam enrolando o Querido De Deus pra poder roubar mais na região.... vi bem como aquele galego do bala tava olhando em volta, salivando pra roubar. - yara abre sua lata de cerveja e Felicia se senta na mesa junto com a mesma.
- bala não é galego de nada não - Felicia retira um pouco das cinzas de seu cigarro em seu cinzeiro - pra ser galego tem que ser rico e talvez um pouco menos vagabundo, aí sim ele ia ser galego.
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Pedro Bala e professor estavam roubando diante da grande central de salvador, eles eram bons com as coisas que não eram deles e incríveis em roubar essas coisas.
Professor estava nas escadarias da catedral, desenhando uma moça que ele havia topado enquanto roubava uma gringa.
Ele sabia exatamente que aquela moça branca de vermelho que ele encontrou era Felicia, uma das muçuranas mais perigosas de salvador, mas pra ele, ela era apenas uma menina que precisava sobreviver e só encontrou essa forma de se alimentar, de ter uma vida.
- tá querendo ser picado é, professor? - bala estava atras de professor, enquanto o mesmo desenhava - essa daí não vai lhe dar chance não, ela é uma cobrá das mais perigosas
- se essa picada vier com aquilo tudo, quero levar mais de uma. - professor responde com um grande sorriso, enquanto sombreava o desenho - e tu não acredita não que eu amanço cobra?
- essa daí? Tá danado - bala ri - essa daí deve te enrolar o pescoço antes de te matar.
- pois é essa mesmo que eu quero conhecer - professor termina o desenho.
DU LIEST GERADE
BOÊMIA;capitães de areia
Fan-Fiction"- e professor,por onde anda? - pergunta baiana,um dos maiores dons de salvador. - professor? Professor tá se engraçando com uma galega aí. - boa vida responde,se escorando ao lado da baiana - uma galega como nunca vi outras, professor se deu bem."...
