A campainha tocou logo cedo. A funcionária da casa foi abrir a porta. A mãe de Milk foi atrás, dispensando a empregada do lar e abrindo ela mesma a maçaneta.
- Bom-dia, Love. Entre, entre...
Love a cumprimentou e entrou com passos firmes.
- Não se preocupe, já acionamos a Prefeitura e conseguimos sua licença do trabalho urbano por um ano. Acredito que seu trabalho com minha filha deve durar em torno disso.
- Como assim, conseguiram uma licença. Eu não dei entrada nisso. Preciso dos dois salários.
- Meu esposo conhece pessoas do Governo e já conseguiu sua liberação.Não se preocupe, seu salário será pago normalmente. Me acompanhe! Vou te levar até Milk. Creio que ela levantará daquela cadeira com sua ajuda. Estou confiante.
- Se ela quiser andar, terá que ser bem mais que isso, mas é um bom começo. Alguém acreditar é um bom passo para o início de nossa ambientação.
Em passadas firmes acompanhando a mãe de Milk, Love chegou a uma varanda nos fundos da residência. Havia uma ponte de madeira que ambas cruzaram até chegar numa pequena academia com paredes de vidro. Todo tipo de maquinário estava ali. Uma academia completa. A mãe de Milk abriu a porta e Love entrou sozinha.
Andou alguns passos até ser surpreendida pela voz de sua paciente.
- O que você acha que pode fazer sendo apenas uma estudante?
- O que você acha que pode fazer continuando nesta cadeira de rodas? Uma coisa é uma pessoa que nunca mais poderá andar e precisa fazer terapia ocupacional para reaprender a viver e ter o máximo de autonomia. Outra bem diferente, é alguém que pode andar de novo e fica se vitimizando, fazendo com que seus neurônios acreditem que o fim dela é sentada onde você está agora.
- Você não sabe o que eu passei.
- Você não sabe o quanto eu posso te ajudar.
- A última pessoa que vi com uma vassoura me colocou nesta cadeira.
- A última pessoa que vai lhe ver nessa cadeira será uma pessoa que usa uma vassoura para sobreviver. Você vai voltar a andar! Acredite!
- Você está muito otimista para uma...
- Uma agente urbana? Uma gari?
- Uma estudante.
- Se tivesse feito seu tratamento da forma correta e respeitado os profissionais que me antecederam, eu não precisaria estar aqui e você já estaria andando.
- Você é bem abusada.
- E você é muito preconceituosa para uma pessoa que chegou onde chegou graças a torcida de gente comum como eu.
(Silêncio)
- Ande, vamos aos trabalhos.
(Silêncio)
- Desculpe! É só forma de dizer. - Love disse se aproximando e empurrando a cadeira até um banco, onde se sentou e abriu a bolsa que trouxe. Puxou a cadeira de Milk para sua frente, o que causou um certo espanto e desconforto de Milk sem conseguir encará-la.
- Devo ficar olhando para você de frente. É isso? - Milk falou em deboche.
- Você deve! - Love respondeu seriamente, retirando pedaços de cabo de vassoura de sua bolsa.
- Isso é alguma brincadeira? - Milk diz empurrando a cadeira para trás.
- Não! Eu não brinco enquanto trabalho. - Love diz puxando a cadeira de rodas. - Segure! - Estendeu dois pedaços de cabo de vassoura cortados em 30 cm cada.
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Varrendo a Infelicidade - MilkLove
FanfictionMilk Vosbein é uma jogadora de basquete, que no auge de sua carreira sofreu um acidente. Love Patranitte é uma estudante de fisioterapia, que trabalha na limpeza urbana de Bangkok. As duas são obrigadas a conviver e desenvolvem um jogo, que poderá...
