O interior tinha um cheiro diferente depois da chuva.
Eu tinha esquecido disso.
Na verdade, tinha me esquecido de tudo que envolvia aquele lugar - o que era estranho, porque, cinco anos atrás, eu conhecia cada grão de areia daquela região.
As estradas estavam calmas, e o barulho das buzinas dos carros era substituído pelo canto dos pássaros.
Cheguei.
Cheguei à casa dos meus avós, os que sempre estiveram comigo.
Também tinha me esquecido do quão aconchegante era a casinha onde eu brincava e vivia alguns dos momentos mais felizes da minha vida.
Eu realmente tinha me esquecido de tudo.
Até dele.
O que foi um erro.
Porque, assim que cheguei, meus avós perguntaram:
- E o Gustavo? Ele não pôde vir hoje?
Senti uma pontada no coração.
Eu não tinha me esquecido dele. Apenas fingia que tinha.
Aquela ainda era uma ferida que não havia cicatrizado.
Meus avós ainda não sabiam do término. Eles quase não usavam tecnologia e, muito provavelmente, ninguém tinha contado nada. Apesar de todos naquela cidade serem extremamente intrometidos, tiveram bom senso e deixaram que eu mesma contasse.
- Sentem-se aqui, por favor.
Pedi aos meus avós.
- O que foi, minha neta? Você parece nervosa.
- Não, não estou nervosa, não... apenas quero tirar algumas dúvidas.
Sim, eu estava nervosa. E não, eu não queria falar sobre aquilo, mas sentia que devia esclarecer tudo.
- Eu e o Gustavo não estamos mais juntos.
Seco e direto.
Meus avós ficaram com uma expressão assustada.
- Ah, que pena, minha netinha... Mas você está bem com isso? Com certeza não foram poucos os boatos que surgiram.
- Sim, vó. Estou bem. E sim, surgiram muitos boatos, mas até diminuí meu tempo de tela para não ver todo mundo falando sobre mim.
- Ana Flávia, você chegou! Vem me ajudar na lida!
O grito do meu velhinho chegou até meus ouvidos e, por um momento, senti uma alegria imensa.
Corri para ajudar meu avô.
- Já já eu volto, vovó!
- Vai com Deus, minha filha! - ela respondeu com entusiasmo.
Depois de ajudar meu avô na lida, fui para casa e tomei um banho. Estava bem cansada, mas era um cansaço bom.
Enquanto tomava banho e trocava de roupa para o jantar, algumas memórias dos momentos vividos ali vieram à tona.
Me deparei com a lembrança da última vez em que estive ali... com Gustavo.
A gente se divertiu muito. Mais do que eu já tinha me divertido com qualquer outra pessoa. Ele me entendia, sempre sabia quando eu estava mal. Na época do relacionamento, nós dois ainda éramos meio imaturos.
Me peguei pensando se, hoje, daria certo.
Será que ele ainda pensava na gente?
- Ana Flávia, vem jantar! A comida vai esfriar! - minha vó gritou, fazendo meus pensamentos desaparecerem.
Corri para a cozinha e senti um cheiro perfeito. Cheiro de comida de vó.
Do lado de fora, alguém buzinou.
- Deixa que eu atendo! - falei.
Eu não estava nem um pouco afim de levantar da cadeira, mas meus avós estavam ocupados arrumando a mesa, então era minha obrigação.
Fui correndo até a porteira e meu olhar se cruzou com o de um homem alto, bonito... muito bonito.
Olhei direito.
Era Gustavo Pieroni Mioto.
O que ele estava fazendo ali?
O que ele queria?
Nós dois ficamos paralisados, encarando um ao outro.
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miotela
FanfictionGustavo Mioto e Ana Castela acabam se reencontrando nas férias e invés das férias ajudá-los a esquecer tudo e seguir em frente elas ajudam eles relembrarem tudo outra vez. •Sem conteúdo explícito !
