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Para algumas garotas, ser vizinha do garoto que você gosta deve ser um sonho

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Para algumas garotas, ser vizinha do garoto que você gosta deve ser um sonho.
Para mim, é uma tortura diária. Principalmente quando esse garoto é Axel Miller.
Sou apaixonada por Axel desde os meus doze anos. Ou talvez desde antes, mas admitir isso em voz alta é humilhante demais. Aos dezessete, nada mudou. Ele continua ocupando espaço na minha cabeça como uma dor de cabeça que não passa.

Moramos lado a lado desde sempre. Nossas famílias são tão próximas que parece que fomos destinados a nos esbarrar todos os dias. Pena que ele não parece ter recebido o mesmo memorando.

Axel adora me tirar do sério. Juro que faz de propósito só para ver minha cara de irritada. É o que Zoe vive me dizendo.
Zoe é minha melhor amiga desde sempre. Praticamente uma irmã. Crescer juntas criou uma conexão que ninguém entende. O mais estranho é que ela é completamente diferente do irmão. Às vezes me recuso a acreditar que os dois dividem o mesmo DNA.

Nem sempre foi assim. Quando éramos crianças, Axel até era legal comigo. Foi ele quem me ensinou a amarrar os sapatos. Mas tudo mudou quando ele virou adolescente. Foi exatamente nessa época que eu caí de cabeça por ele. Porque, vamos ser sinceras: quem não se apaixonaria pelo irmão gato e três anos mais velho da melhor amiga? É praticamente impossível.

Axel é o tipo de garoto que aparece nos sonhos de qualquer adolescente: alto, bonito, inteligente e com um senso de humor que faz todo mundo rir.
Todo mundo, menos eu.

Eu estava no quarto, enfiada na leitura de mais um romance clichê, quando minha mãe apareceu na porta.

- Mia, tia Lily chamou a gente pra jantar lá.
Era rotina. Nossas famílias viviam entrando e saindo uma da casa da outra. Por isso eu tinha amizade com Zoe... e essa paixão ridícula pelo irmão dela.

Guardei o livro no criado-mudo e me levantei para me trocar. Escolhi uma blusa curta e soltinha, junto com minha saia jeans favorita - aquela que marca bem as coxas. Desci as escadas e encontrei minha mãe já me esperando na sala.

— Por que você se arrumou toda só pra ir na casa do lado? — minha mãe perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Mãe, eu nem me arrumei — respondi, já saindo pela porta antes que ela pudesse continuar o interrogatório.

O caminho durou menos de trinta segundos. Empurrei a porta da casa dos Miller sem bater, como sempre fiz a vida inteira. O cheiro de lasanha de tia Lily encheu meu nariz imediatamente e meu estômago roncou.

Zoe apareceu correndo da cozinha e me puxou pelo braço.

— Finalmente! Eu tava morrendo de tédio aqui. Vem me ajudar a arrumar a mesa.
Enquanto colocávamos os pratos e talheres, eu tentava não olhar para a sala, mas meus olhos traíam. Axel estava sentado à mesa grande, cercado de livros, apostilas e o notebook aberto. Fones de ouvido pendurados em apenas uma orelha. Ele fazia anotações rápidas, a testa franzida em concentração.

Aos vinte anos, Axel parecia ainda mais distante do menino com quem eu cresci. Mais alto, ombros mais largos, voz mais grossa. Ele mal saía de casa ultimamente. Passava os dias e as noites estudando para as provas de admissão de universidades no exterior. Canadá, Austrália, talvez até Europa. Ele quase não falava sobre isso com a gente, mas eu sabia que era importante. Importante o suficiente para ele mal olhar para o lado.

— Oi, Axel — cumprimentei baixinho quando passei perto da mesa.
Ele só fez um aceno leve com a cabeça, sem tirar os olhos da apostila. Nem uma palavra. Nem um “oi” de volta. Como sempre.
Senti aquela fisgada conhecida no peito. Ao mesmo tempo que doía, também era familiar. Eu já estava acostumada com o jeito dele de me ignorar. Ainda assim, não conseguia parar de reparar em cada detalhe: o jeito como ele mordia a ponta da caneta, a mecha de cabelo que caía na testa, os dedos longos virando as páginas.
Zoe cutucou minha cintura.

— Não liga pra ele. Tá insuportável esses dias. Só vive estudando. Acho que meu irmão virou um eremita.

— Tudo bem — murmurei, forçando um sorriso. — Eu nem ligo.

Mentira. Eu ligava. Ligava demais.
Sentamos à mesa pouco depois. Meu pai chegou logo em seguida, reclamando do trânsito como sempre, e o jantar começou animado. Tia Lily e minha mãe falavam sem parar sobre a nova vizinha da rua de cima. Meu pai e tio Roger discutiam futebol. Zoe contava animada sobre o último episódio da série que estávamos assistindo juntas.
Axel continuava quase em silêncio. Comia devagar, de vez em quando checando algo no celular ou anotando uma coisa rápida. Ele participava pouco da conversa, respondendo apenas quando alguém perguntava diretamente sobre os estudos.

— E aí, Axel, como estão as coisas? — perguntou meu pai.

— Ainda tenho duas provas importantes mês que vem — respondeu ele, voz baixa e séria. — Se eu for bem, consigo boa chance de bolsa no exterior.

Meu coração apertou um pouco com a palavra “exterior”. Claro que ele iria embora. Claro.

Em determinado momento, enquanto eu servia refrigerante no meu copo, senti. O olhar dele. Levantei os olhos e o peguei me encarando. Não foi rápido dessa vez. Foi um olhar demorado, quase como se ele tivesse reparado em algo diferente. Seus olhos desceram por um segundo pela minha blusa e voltaram para o meu rosto. Depois ele piscou e voltou a olhar para o prato.
Senti o rosto esquentar. Baixei a cabeça rapidamente, fingindo que estava muito interessada na lasanha.

Para de sonhar, Mia. Ele só olhou porque você tá na frente dele.
Depois do jantar, Zoe e eu fomos lavar a louça enquanto os mais velhos ficavam na sala conversando. Axel subiu para o quarto com os livros, como de costume. Mas, antes de desaparecer no corredor, ele parou na porta da cozinha por um segundo.
Olhou para mim.

— Boa noite — murmurou, quase relutante.
Fiquei parada com o prato na mão, surpresa. Zoe até parou de secar as mãos.

— Boa noite — respondi baixinho.
Ele subiu as escadas sem dizer mais nada.
Zoe virou para mim com os olhos brilhando.

— Ué… ele falou com você duas vezes hoje. Isso é recorde.

— Não é nada — falei, dando de ombros, mas meu coração estava disparado.
Mais tarde, quando voltei para casa, deitei na cama e fiquei olhando para o teto. A janela do meu quarto dava vista para a casa dele. A luz do quarto de Axel ainda estava acesa. Ele provavelmente continuava estudando.

Eu sabia que deveria tentar diminuir esse sentimento. Sabia que ele era três anos mais velho, que mal falava comigo, que em breve provavelmente iria embora para outro país. Mas como fazer isso quando cresci ao lado dele? Quando cada memória boa da minha infância tem o nome dele?
Axel Miller era irritante, distante e inalcançável.
E mesmo assim… eu continuava completamente apaixonada por ele.
Talvez até mais do que antes.

Escrevi esta história com o coração aberto, dando o meu melhor

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Escrevi esta história com o coração aberto, dando o meu melhor.
É um romance doce, lento e cheio de sentimentos que nasce da convivência de anos, daqueles amores que crescem quase sem que a gente perceba.
Espero que ela consiga entreter, aquecer o peito e acompanhar você nos dias em que mais precisar de uma escapada romântica.
Obrigada por ler. 🌸

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⏰ Last updated: May 17 ⏰

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