Eu me chamo Emily, tenho 16 anos e estou no segundo ano do ensino médio. Moro na cidade de Cafarnaum, Bahia, junto com meu pai.
Sabe, em todos os anos em que morei aqui, nenhum deles foi mais intenso do que 2026 foi para mim.
Era quarta-feira, e as aulas tinham acabado de começar. Eu estava passando pelo pátio quando acabei esbarrando nele. Rapidamente, sem olhar para ele, pedi desculpas e, quando eu estava prestes a sair, ele disse:
— Sem problema.
"Senhor amado, mas que voz é essa?!"
Foi quando eu me virei e olhei para ele pela primeira vez. E, óbvio, a primeira coisa que reparei foram seus olhos azuis, tão profundos como o mar. Era lindo, alto, tinha o cabelo ondulado e parecia forte. Eu estava tendo a melhor visão do mundo, até a minha amiga Helena me chamar para ir para a sala.
Pô, Helena, me deixava vagar mais um pouquinho com a visão do paraíso.
Eu só desejava uma coisa todos os dias depois daquele: cai na minha sala... cai na minha sala... cai na minha sala!
Mas ele só voltou para a escola na segunda-feira. E adivinha só? Ele caiu na minha sala!
A hora em que eu o vi entrando na sala, eu estava quase pulando de alegria, mas apenas reagi com um sorriso. Então o professor o apresentou para nós. Seu nome era Jhonny e ele era de Recife, Pernambuco.
Depois, o professor disse para ele escolher um lugar e, por alguma obra do destino, ele se sentou ao meu lado. Sim, do meu lado!
Depois o professor continuou a aula, só que tinha um porém: desde que ele se sentou ao meu lado, ele não parava de me olhar. Meu Deus, já estava chato aquilo.
Então, quando a aula acabou, eu não me contive e disse:
— Ei, tu perdeu alguma coisa na minha cara?
— Não. — Ele riu. — Qual o seu nome? — perguntou com um sorriso no rosto.
— Emily.
— Que nome bonito. — disse, sorrindo.
— Obrigada... Jhonny, certo?
— Sim.
Aquela foi a primeira vez que conversamos, mesmo que só por um curto período de tempo.
Depois daquele dia, ele ficou quieto. Não falava comigo nem com mais ninguém, até um dia em que Charlotte foi até ele. Como ele se sentava ao meu lado, acabei ouvindo a conversa.
— Ei, Jhonny! Você... namora? — perguntou ela, apoiando as mãos na mesa dele.
— Não. — disse ele, num tom meio seco. — Por que a pergunta?
— Sabe... eu te acho bem bonitinho e acho que gosto de você...
Pude sentir um incômodo discreto, um aperto no peito, enquanto ouvia a conversa. Tentei desviar o olhar, mas, quando percebi e olhei para eles, Jhonny estava me encarando.
Então ele se levantou, veio até mim, segurou minha mão e saímos andando até os fundos da escola.
— Ei, Jhonny! Para! Me solta! — Mesmo eu dizendo isso, ele continuou me puxando até chegarmos atrás da escola.
Então ele me soltou e pediu desculpas. Eu disse que, se fosse só aquilo, já estava indo embora. Mas, antes, perguntei o motivo das desculpas.
Então ele disse que era por ter me tirado da sala sem dizer nada e que nem ele sabia por que tinha feito aquilo.
— O quê?! Eu não acredito nisso, sério! Por sua causa, a Charlotte não vai me deixar em paz!
— Como assim?
— Você não sabe de nada. Mas, se quer saber, deixa quieto... Eu dou um jeito... sempre dou...
Então fui embora, deixando ele lá sozinho. Voltei para a sala, sentei na cadeira e depois apoiei a cabeça na mesa.
Mais tarde, depois das aulas, voltei para casa. Ao chegar, fui tomar um banho e depois comer alguma coisa. Acho que era um salgadinho de cebola.
Olhando através da janela do meu quarto, vi a lua. Era uma lua de sangue, um evento raro que acontecia de anos em anos.
Fui até o meu pai e perguntei se eu poderia ir até a vereda para ver melhor a lua, só que ele disse que não, porque já estava tarde.
Então voltei para o meu quarto. Eu queria ver a lua, mas, se o meu pai não deixasse, eu tinha uma alternativa: sair escondida, na calada da noite.
Então foi isso que fiz. Esperei o momento certo, saí silenciosamente pela janela do quarto e depois a fechei.
Partiu vereda!
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As Garras De Uma Paixão
RomanceEmily nunca imaginou que a chegada de um novo aluno mudaria completamente sua vida. Entre olhares, segredos e acontecimentos inexplicáveis, ela descobrirá que algumas histórias de amor nascem envoltas em mistérios que desafiam o impossível.
