capítulo 1

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O inverno parecia mais severo naquele ano sobre o reino da França.

Os longos corredores do palácio de Luís VII da França permaneciam mergulhados num silêncio quase solene naquela manhã, aquecidos apenas pela luz vacilante das tochas presas às paredes de pedra e pelo movimento apressado dos servos que cruzavam os salões com a cabeça baixa. Lá fora, os ventos frios percorriam os pátios do castelo como se anunciassem tempos difíceis.

Ainda assim, a França permanecia forte.

Temida por seus inimigos. Respeitada pelos reinos cristãos. Rica em poder, homens e fé.

Mas nem mesmo um reino poderoso vivia apenas de espadas.

Reinos sobreviviam de alianças.

De juramentos.

De casamentos.

E a princesa Marguerite sabia disso desde menina.

Aos dezessete anos, já não era mais a criança escondida atrás dos vestidos da mãe ou entretida entre bordados e livros de orações. Havia meses percebia os olhares demorados das damas da corte. As conversas interrompidas quando atravessava os corredores. Conselheiros deixando aposentos depressa demais ao vê-la aproximar-se.

Sua mãe observava-a em silêncio.

Seu pai passara a chamá-la cada vez menos de criança.

E, naquele dia, Marguerite compreendeu que o momento enfim chegara.

Caminhava pelos corredores em direção aos aposentos da rainha com as mãos frias escondidas sob as mangas pesadas do vestido de inverno. Mantinha a postura ereta, o queixo elevado, os passos controlados como convinha a uma princesa da França.

Mas seu coração batia depressa.

Rápido demais.

Quem seria?

Um príncipe da Inglaterra? Um duque germânico? Talvez algum jovem rei desejoso de unir-se ao sangue francês.

Desde menina ouvira histórias sobre homens dignos de admiração. Cavaleiros valentes que marchavam sob o estandarte da cruz. Reis fortes que lideravam exércitos e protegiam seus domínios com espada em punho.

Era assim que imaginava o próprio futuro.

Não por ilusões de amor — Marguerite não era tola a esse ponto. Princesas não pertenciam a si mesmas.

Mas desejava grandeza.

Desejava poder olhar para o homem ao seu lado e sentir orgulho ao carregar seu nome.

Quando entrou nos aposentos da rainha, encontrou apenas o silêncio.

O aroma suave de ervas queimadas pairava no ar. O fogo ardia baixo na lareira enquanto ela permanecia imóvel no centro do aposento, as mãos unidas diante do corpo numa tentativa inútil de esconder o nervosismo.

Não precisou esperar muito.

As portas tornaram a abrir-se.

O rei entrou primeiro.

Mesmo já distante da juventude, Luís VII da França ainda carregava a presença firme de um homem acostumado a ser obedecido sem contestação. Seus passos eram lentos, seguros, e o peso da autoridade parecia acompanhá-lo como uma sombra.

A rainha veio logo atrás, serena como sempre.

Marguerite imediatamente abaixou a cabeça.

— Meu senhor pai. Minha senhora mãe.

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