Capítulo 2 - O Contrato

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Encostar nas mãos de Milk fez Love ficar muito nervosa e ela acabou apertando mais que o normal as mãos da jogadora. Afinal, era a famosa atleta de basquetebol nacional bem ali à sua frente.

Já era difícil conviver com View, mas esta era amiga de infância. View era a esperança do país que parou suas atividades, após um acidente. Sabia da situação de Milk que foi bem pior, mas jamais imaginou conhecê-la pessoalmente.

Milk continuava numa cadeira de rodas. Isso era bem impactante de ver.

No entanto, devido a vida difícil de seu trabalho nas ruas, Love nunca teve tempo para interagir com View com frequência, depois que ela se tornou atleta. Coisa difícil era View ter um tempo para se encontrarem. O convite veio, Love quase não aceitou e, agora, estava ali com a ídola do país, Milk Vosbein.

Milk, desconfortável, puxou a mão com rispidez.

- Desculpe! - Love falou cumprimentando.

- Você demorou por quê? Perdeu o relógio que lhe dei por acaso? - View disse a abraçando. - Essa é Milk, minha parceira de jogos. Milk, esta é Love, minha amiga de infância.

Os cumprimentos foram pelo olhar, já que pela mão não funcionaram.

- Sente, Love.

- Pensei que seria só nós duas. - Milk disse irritada.

- Creio que devo dizer o mesmo. - Love rebateu percebendo a indiferença.

- Calma. Calma vocês duas! - View disse apaziguando o ambiente. - Eu as convidei porque ambas precisam uma da outra.

As duas ficaram olhando para View.

- Meninas! Prestem atenção. - Acenou para o garçom e pediu sucos. - Milk precisa de uma fisioterapeuta e você precisa realizar seu estágio. Acredito que vocês duas vão se ajudar trabalhando juntas. Eu confio em você Love e Milk confia em mim. Então, é a dupla perfeita!

- VOCÊ ENLOUQUECEU? - Ambas falaram juntas. - NEM PENSAR!

- Vamos lá, meninas. Parem de orgulho. Milk, você dispensou mais de 30 fisioterapeutas e foi desligada da Liga de Basquete por conta disso. Fora, que você pode sair dessa cadeira e precisa do profissional. O problema é que nenhum profissional respeitado quer trabalhar com você.

Virou para Love.

- E você, minha amiga. Você pode ganhar muito mais do que ganha varrendo ruas, apenas ajudando Milk a voltar a andar, completando suas horas de estágio.

- Varrendo ruas? - Milk perguntou.

- Love é uma agente de limpeza. - Explicou View.

- UMA O QUÊ? - Milk esbravejou. - VOCÊ SÓ PODE ESTAR LOUCA! NUNCA, É NUNCA QUE EU VOU TRABALHAR COM ALGUÉM QUE SEGURA UMA VASSOURA.

- EI! - Love gritou. - MAIS RESPEITO!

- View! Eu quero ir para casa. - Milk disse sem olhar para Love.

Love se levantou.

- Não precisa! Eu estou de saída.

- Ei, ei, ei, vocês duas. Acalmem os ânimos! Love, por favor, sente. Por favor!

Emburrada, Love sentou sem olhar para Milk, que fazia o mesmo olhando para a porta de saída.

- View, é melhor eu ir embora. Não vou aceitar ser humilhada por quem deveria honrar os cidadãos do próprio país.

- Nunca honrarei alguém que usa uma vassoura e não sabe guardar no lugar correto. - Milk rebateu com expressão de raiva.

- MILK! Nem todo mundo que usa uma vassoura é a irresponsável que nos causou tudo que passamos.

- Que você passou! Eu ainda passo. Olhe para mim! OLHE ONDE ESTOU SENTADA!

- Você não foi a única a perder a carreira, sabia? - View disse bebendo o suco.

Love observou a conversa e entendeu que Milk tinha um trauma profundo e que a pessoa que largou a vassoura no lugar errado lhe causou tudo que passava.

- Eu aceito! - Love disse se levantando. - Quando eu começo?

- Eu não aceito você. - Milk disse se ajeitando na cadeira.

- Amanhã, às 8 horas. Te mando o endereço por mensagem. - View respondeu. - Obrigada, Love! Eu sabia que aceitaria.

- VIEW! - Milk esbravejou.

Love levantou e cumprimentou as duas saindo em seguida.

- Como você pode fazer isso comigo, View? - Milk fala irritada.

- Escute aqui. Já chega! - View disse jogando os cabelos para trás.

Milk tentou empurrar a cadeira para sair.

View colocou as pernas na frente da cadeira de rodas.

- JÁ CHEGA! - Falou chorando. - DROGA, MILK! Você é minha melhor amiga! Sua família é como se fosse a minha. Sua mãe é como uma mãe para mim. Não é só você quem está sofrendo. Todos nós estamos! Não é permanente a sua estadia na cadeira de rodas. Você sabe disso! Há chances!

View levantou da cadeira e empurrou a cadeira de rodas de Milk até a sacada.

- Olhe! Olhe bem para esta vista. Está vendo as luzes nos apartamentos. Essas pessoas sentem sua falta. Imagine nós que convivemos com você. Você só precisa fazer o tratamento. Se não quer um famoso, alguém que tire fotos e poste na Internet, a Love, a Love é sua melhor escolha.

- Ela é uma agente de limpeza.

- E estudante de Fisioterapia. - View respondeu profundamente. - Love detesta holofotes, apesar de viver uma vida simples, sustenta a mãe varrendo as ruas de nossa cidade e estuda. O que é fantástico!

Voltou com Milk para à mesa.

- Não sei se aguento mais tratamentos, View. - Milk disse desanimada.

- Milk! Ela precisa do estágio e que melhor estágio do que conseguir fazer MILK VOSBEIN andar de novo. Dê essa chance a ela! Dê essa chance a você e a todos nós. Por favor!

A mãe de Milk se aproximou.

- Mãe! - Milk se assustou.

- Por favor, filha. Já chega de brigar ou de chorar o tempo todo com algo que é possível mudar. Aceite o tratamento!

As três se emocionaram. Milk aceitou. View a abraçou e a mãe de Milk sorria.

O garçom se aproximou trazendo uma carta.

- Desculpem, mas uma cliente, ao pagar a conta, deixou uma carta para senhorita Vosbein.

Milk estendeu as mãos para receber. Abriu ali mesmo!

["Sou sua fã desde o início, acreditei no seu potencial desde o início. Eu acredito que você pode andar de novo. Serei a primeira a acreditar nisso desde o início"]

Aquela cartinha deixou Milk ainda mais confusa sobre tudo, mas de uma coisa tinha certeza. Seria um desafio gigante!

Era necessário acreditar e se mover para levantar e andar o mais rápido possível. Milk, pensativa, dobrava a carta novamente.

- Só tenho uma exigência. - Falou com uma voz impostada!

- Qual? - Disse a mãe.

- Não sairei de casa. Será tudo na nossa casa.

View olhou para a Mãe de Milk e concordaram. Estava ali um contrato firmado de resiliência e atitude, mostrando que mesmo em meio a dor, é possível superar situações inesperadas e encontros não programados.

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Enquanto isso, Love entrava em casa e olhava diretamente para o espelho segurando o uniforme de trabalho.

- Você entende que preciso fechar esse ciclo, não é. Então, me ajude a cumprir meu propósito. Não deixe que aquela riquinha fique sentada tempo demais. Me ajude a irritá-la taaaaaaanto que ela só vai pensar em se levantar daquela cadeira de rodas e sair de perto de mim.

Um sorriso matreiro e perspicaz tomou todo seu rosto. Se olhava no espelho e olhava ao redor do quarto.

Varrendo a Infelicidade - MilkLoveHistórias para pegar e não largar. Descubra agora