O céu de Aethra jamais permanecia escuro por completo. Mesmo durante a noite, as torres douradas do império refletiam o fogo eterno aceso nos templos solares, transformando a capital em um oceano de luz queimando sob as estrelas. Para os Solaris, aquilo era símbolo de poder eterno. Para Aurelia Aethra, naquela noite, parecia apenas uma jaula dourada.
Ela permanecia imóvel diante da enorme janela do quarto real, observando as ruas lá embaixo enquanto criadas ajustavam as últimas peças de sua roupa cerimonial. O tecido dourado pesado, bordado com fios de ouro puro e símbolos solares, que apertavam suas costelas.
- Mais apertado - ordenou uma das criadas.
Aurelia não reclamou. Uma princesa de Aethra não poderia demonstrar desconforto. Nem medo ou dúvida, muito menos fraqueza.
- O Eclipse começará antes da meia-noite, Alteza - disse outra criada, abaixando a cabeça. - A Imperatriz deseja sua presença no Salão Solar.
Aurelia fechou os olhos por um breve instante.
O Festival do Eclipse da Coroa acontecia apenas uma vez a cada vinte e cinco anos. Um evento sagrado, político e religioso. E, segundo as antigas profecias, poderia ser potencialmente mortal.
Os dois reinos se encontrariam novamente após décadas de tensão silenciosa.
Nymeris pisaria em Aethra.
E pela primeira vez, Aurelia participaria como herdeira oficial do trono.
Passos leves soaram atrás dela.
- Ainda dá tempo de fugir pela janela.
A voz divertida de Lyra Voss arrancou um pequeno suspiro de Aurelia. A amiga atravessou o quarto como se o lugar lhe pertencesse, cabelos dourados presos em uma trança longa, e a expressão irreverente de sempre.
Após dispensar as criadas, Lyra aproximou-se.
- Está pior do que imaginei.
- Estou perfeitamente bem - respondeu Aurelia, desviando o olhar.
- É exatamente isso que alguém à beira de um colapso diria.
Lyra sorriu de leve. Era uma das poucas pessoas que via além da máscara impecável da princesa.
Conversaram brevemente sobre Theron Valkaire, o prometido perfeito, forte, devoto, e completamente incapaz de despertar qualquer faísca verdadeira em Aurelia, ele era o tipo de cara que qualquer garota morreria de amores, mas Aurélia não sentia absolutamente...nada. Elas riram do quanto seria engraçado ver Tharon surtando ao ver os lunares ali, tão de perto.
Do lado de fora, os sinos do templo começaram a tocar.
O Eclipse se aproximava.
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Muito distante das muralhas douradas de Aethra, o silêncio dominava Nymeris. A lua refletia sobre os canais escuros, transformando a cidade em prata reluzente.
Selene Noctis caminhava pelos corredores do palácio lunar enquanto servas prendiam joias delicadas em seus cabelos prateados. O tecido roxo profundo de sua veste cerimonial brilhava discretamente, bordado com símbolos ancestrais da Lua.
- Você pretende continuar andando como alguém indo para uma execução? - perguntou Cassian Vale, encostado na entrada.
Selene ergueu os olhos. A presença dele sempre a acalmava, ele era seu guarda pessoal, e muito mais que isso, quase um irmão mais velho.
Eles trocaram palavras leves, mas o peso do momento era inescapável. Nyssara Noctis estava especialmente inquieta nos últimos dias.
- Tenho a sensação de que algo vai mudar - murmurou Selene, olhando pela janela arqueada enquanto a lua começava a ser coberta pela sombra. - Minha mãe está estranha há dias, estou realmente com medo do que possa acontecer, ou se isso nos levará a guerra novamente.
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Eclipse das Herdeiras
FantasyA cada vinte e cinco anos, o Eclipse da Coroa une o Sol e a Lua no céu de Elarion, e reacende antigas feridas entre os reinos rivais de Aethra e Nymeris. Aurelia Aethra, princesa herdeira do império solar, foi criada para ser perfeita: impecável, im...
