O Mundo sem a Prometida.

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O céu de Hesed jamais voltara a ser o mesmo desde a partida da Prometida.
Das muralhas douradas da cidade de Arken até os templos submersos do sul, um silêncio diferente pairava sobre o reino. Não era tristeza. Tampouco medo.
Era expectativa.
Como se o próprio mundo estivesse respirando antes de um grande acontecimento.
Nas semanas seguintes à partida de Laura Rosa através dos Portões Primordiais, as cidades de Hesed passaram a erguer bandeiras brancas e douradas em suas torres de plasma. Cantos antigos voltaram a ser entoados nas praças, e os sacerdotes abriram novamente os salões de leitura do Livro das Eras - algo que não acontecia havia gerações.
A Prometida havia surgido.
E isso mudava tudo.
No alto do Palácio Solar, diante das águas cristalinas que cortavam o deserto eterno de Hesed, Arken permanecia imóvel observando o horizonte.
O vento quente agitava lentamente sua capa branca.
A coroa ainda parecia pesada sobre sua cabeça.
Regente.
Ele nunca desejou o trono.
Nem a guerra.
Nem o peso da profecia.
Tudo o que desejava era ela.
Laura.
Mas agora ela havia partido.
E pela primeira vez desde sua infância, Arken sentia medo.
Não por si.
Mas pelo que existia além dos portões.
Atrás dele, passos firmes ecoaram pelo terraço.
Ardan.
O novo General da Guarda Real.
Gigantesco como uma fortaleza viva, o príncipe do oeste agora vestia armadura negra ornamentada com inscrições douradas. A cicatriz atravessando seu rosto lhe dava um aspecto brutal, mas seus olhos estavam diferentes desde o duelo contra Laura.
Mais silenciosos.
Mais conscientes.
Mais perigosos.
- Ainda observando o vazio? - perguntou Ardan.
Arken não desviou o olhar.
- Você a teria seguido se eu permitisse.
Ardan sorriu discretamente.
- Sim.
- E mesmo assim ficou.
- Porque ela mandou.
O vento aumentou.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Até que Arken finalmente perguntou:
- Você acredita mesmo que ela conseguirá unir os seis reinos?
Ardan demorou para responder.
- Não.
Arken virou o rosto lentamente.
Ardan então completou:
- Eu acredito que ela fará algo maior.
As palavras pairaram pesadas entre eles.
Porque no íntimo de todos em Hesed... existia uma verdade impossível de ignorar:
Laura não parecia apenas cumprir uma profecia.
Ela parecia despertar algo adormecido dentro dos próprios reinos.
Algo antigo.
Muito mais antigo que os homens.
Muito mais antigo que as coroas.
Muito mais antigo que Hesed.
Enquanto isso...
Muito longe dali...
No Reino de Yesod.
A Terra.
O mundo começava lentamente a adoecer.
As grandes cidades da F.E.R.U.T ainda brilhavam em esplendor tecnológico. Os sistemas de transporte molecular continuavam funcionando perfeitamente. A fome permanecia erradicada. As guerras ainda estavam oficialmente encerradas.
Mas algo havia mudado.
E as pessoas sentiam.
Mesmo sem compreender.
As notícias passaram a carregar um tom estranho.
Mais agressivo.
Mais dividido.
Mais paranoico.
Ataques cibernéticos aumentavam diariamente.
Crises diplomáticas surgiam do nada.
Informações vazavam.
Escândalos políticos explodiam em sequência.
Nações inteiras começavam a exigir maior controle da Federação.
Mais vigilância.
Mais segurança.
Mais autoridade.
E acima de todos...
ele observava.
O Primeiro-Ministro.
Sentado sozinho na gigantesca sala escura do Conselho Central da F.E.R.U.T, o homem assistia em silêncio aos hologramas suspensos diante de si.
Imagens de Laura.
Imagens de N.
Imagens da Grande Pirâmide da Antártida.
Imagens dos portais.
Imagens impossíveis.
Ao seu lado, um dos conselheiros perguntou em voz baixa:
- O senhor acredita mesmo que ela seja a Descendente?
O Primeiro-Ministro sorriu.
Mas não havia humanidade naquele sorriso.
- Não importa no que eu acredito.
Ele então ergueu os olhos lentamente.
- Importa no que o povo acreditará quando ela retornar.
A sala silenciou.
Então ele continuou:
- O Messias sempre foi o maior perigo para qualquer império.
Com um simples gesto de mão, dezenas de telas mudaram simultaneamente.
Agora mostravam: protestos, rebeliões, fake news, grupos extremistas, conflitos religiosos, manifestações violentas.
O caos começava a florescer.
Exatamente como planejado.
- Preparem a Fase Dois.
- Senhor... e quanto aos discípulos de N?
O Primeiro-Ministro apoiou lentamente os dedos sobre a mesa.
- Deixem-nos vivos.
- Mas por quê?
Os olhos do velho líder então brilharam na escuridão.
- Porque toda esperança precisa existir...
...antes de ser destruída.
Naquela mesma noite...
Nos subterrâneos esquecidos do antigo bunker da resistência...
JM despertou assustado.
Respiração pesada.
Suor frio.
O coração acelerado.
Mais uma vez o mesmo sonho.
Areia.
Sangue.
Fogo.
E Laura chorando diante de um céu em colapso.
Ele se levantou imediatamente.
As luzes do bunker piscavam de forma irregular.
O sistema principal estava falhando outra vez.
Miguel surgia correndo pelos corredores enquanto ajustava um painel holográfico.
- Temos problema.
- Que tipo de problema?
Miguel engoliu seco.
- A Federação acabou de aprovar o Decreto de Segurança Global.
JM congelou.
Não.
Cedro jamais permitiria aquilo.
A constituição da F.E.R.U.T proibia medidas autoritárias centralizadas.
Miguel então abriu os hologramas diante dele.
E a expressão de JM mudou completamente.
O Conselho Mundial havia transferido poderes emergenciais absolutos ao Primeiro-Ministro.
Monitoramento total.
Controle de comunicação.
Rastreamento populacional.
Intervenção militar autorizada.
Prisão preventiva por ameaça ideológica.
Silêncio absoluto tomou o bunker.
Até que JM finalmente murmurou:
- Começou...
Ao longe, acima deles...
as sirenes da Federação ecoavam pela primeira vez nas ruas da Terra.

A Verdade por trás da realidade.Cerita yang bikin terobses. Temukan sekarang