"The rest is still unwritten
Live your life with arms wide open" - Natasha Bedingfield, Unwritten
Eu nunca gostei de despedidas.
Elas sempre parecem maiores do que deveriam ser.
Como se cada abraço tivesse peso... como se cada "boa sorte" carregasse um "e se tudo der errado?".
- Você tem certeza disso, Bella?
Minha mãe perguntou de novo, parada na porta do meu quarto, enquanto eu tentava fechar a mala pela terceira vez.
Eu sentei em cima dela pra conseguir fechar o zíper.
- Tenho.
Mas minha voz saiu mais baixa do que eu queria.
E naquele momento...
eu estava indo embora do Brasil.
Intercâmbio.
Londres.
Eu sempre sonhei com isso. Não por causa de filme, nem por foto bonita.
Mas porque... parecia o tipo de lugar onde tudo podia começar de novo.
Principalmente por que eu precisava sair daquela cidade, eu sabia que eu tinha muito mais que só aquilo que aquela cidade podia me dar, eu tava ansiosa para poder viver minha própria vida, com medo? Sim... Muito, mas a vontade de realmente seguir meu próprio propósito, criar a minha vida, o meu mundo... Era muito maior.
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O aeroporto era frio.
Não só de temperatura.
Frio de sentimento mesmo.
Gente chorando. Gente correndo. Gente se despedindo rápido demais.
Eu segurava meu passaporte com força, como se ele pudesse escapar.
- Me manda mensagem quando chegar.
- Eu vou.
- Come direito.
- Mãe...
Ela me abraçou forte.
Forte demais.
E foi aí que eu senti.
O medo.
Não de ir.
Mas de... não ser a mesma quando voltasse.
O avião foi silencioso pra mim.
Não porque não tinha barulho.
Mas porque minha cabeça tava cheia demais.
Eu coloquei fone, tentei ouvir música... mas nem prestei atenção.
Só fiquei olhando pela janela.
Pensando.
Na vida que eu tava deixando.
E na que eu nem sabia se ia conseguir viver.
Quando eu pisei em Londres...
Tudo parecia diferente.
O ar.
O cheiro.
O jeito das pessoas.
Era como se eu tivesse entrado em outro filme.
E eu... claramente não era a protagonista ainda.
Eu puxei minha mala, tentando não parecer perdida.
Falhando.
Muito.
- Beleza... calma, Bella... você só precisa achar a saída.
Eu falei baixo pra mim mesma.
Só que...
Foi exatamente quando eu virei o corredor errado...
Que eu esbarrei em alguém.
Forte.
Minha bolsa quase caiu.
- Desculpa- eu falei rápido, sem nem olhar direito.
- Não, foi mal, eu que tava distraído-
A voz.
Eu congelei.
Eu sabia de quem era essa voz...
Não sei explicar.
Mas tinha alguma coisa naquela voz.
Eu levantei o olhar devagar.
E vi.
Um garoto.
Cabelo meio bagunçado, como se ele tivesse passado a mão várias vezes.
Moletom simples.
Cara de cansado... mas com um olhar calmo.
Normal.
Ele parecia... normal.
Mas não era... Era o Josh Olliver...
- Tá tudo bem? - ele perguntou.
Eu demorei um segundo pra responder.
- Tá... sim.
Silêncio.
Um daqueles silencinhos rápidos... mas estranhos.
Eu não sabia se deveria falar algo como, ' ei! Sou sua fã e tenho um crush por você desde dos meus 13 anos, e juro que vamos nos casar!'
Ou se só finjo naturalidade
- Você não é daqui, né? - ele disse.
- Não... Brasil.
- Ah... faz sentido.
Eu franzi a testa.
- Por quê?
Ele deu um meio sorriso.
- Você parece... meio perdida.
- Eu tô perdida.
Ele riu.
Baixinho.
E por algum motivo...
Aquilo me deixou nervosa.
- Quer ajuda? - ele perguntou.
Eu hesitei por um tempo
- Eu só preciso achar a saída - falei.
- Eu também tô indo pra lá - ele respondeu - posso te mostrar.
Eu concordei com a cabeça.
E a gente começou a andar.
Lado a lado.
Sem falar nada por alguns segundos.
Só o som das malas arrastando no chão.
Até que-
- Qual seu nome?
Eu respirei fundo.
- Bella.
Ele repetiu, como se estivesse testando.
- Bella.
E então ele estendeu a mão.
- Josh.
...
Josh.
Meu coração falhou.
Literalmente.
Porque agora...
Era tão real, eu tava do lado do menino que ocupa metade da parede do meu quarto com um poster enorme desde dos meus 13 anos, e agora estou falando com ele, como se fosse o moço do caixa das vendinhas do interior da minha cidade...
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Embarcando No Amor
FanficBella Versatti tem 16 anos, mas desde que se entende por gente sempre sonhou com uma coisa, intercâmbio. Ela sempre morou no interior de São Paulo, mas sempre soube que por mais que aquela fosse sua casa, tinha muito mais esperando por ela... Depois...
