A brisa do Atlântico sul soprava fresca naquela noite de verão em Mar del Plata. As luzes do bar na beira da praia piscavam fracas, misturando-se ao som distante das ondas e à música de um quarteto que tocava tangos modernos no canto do salão aberto.
Rodrigo Garro estava sentado no balcão de madeira desgastada, girando um copo de whisky com gelo entre os dedos. Fazia pouco mais de um mês que o término com Ángel tinha virado sua vida do avesso - brigas feias, acusações, portas batidas e o silêncio que veio depois, mais pesado que tudo. Ele tentava seguir em frente. Sorria para os amigos, cumpria sua rotina de trabalho, postava fotos normais nas redes. Mas à noite a depressão rondava como uma sombra que ele empurrava com unhas e dentes.
Não queria se entregar. Não de novo.
Foi então que aconteceu o esbarrão.
Um moreno alto, pele bronzeada de quem passou o dia inteiro na praia, esbarrou de leve em seu ombro ao pedir uma cerveja. O copo de Rodrigo balançou, um pouco de whisky caiu na madeira.
- Merda, desculpa! - disse o cara em português, com sotaque carregado, já pegando um guardanapo. - Não vi você aí.
Rodrigo levantou o olhar e encontrou um par de olhos castanhos quentes, sorriso fácil e um rosto que parecia ter saído de um verão eterno. O desconhecido vestia uma camisa branca aberta no peito, corrente fina de ouro brilhando contra a pele.
- Tranquilo - respondeu Rodrigo, limpando o balcão com o guardanapo. - Acontece.
Em vez de se afastar, o brasileiro se apoiou no balcão ao lado dele.
- Sou o Yuri. Yuri Alberto. Cheguei há três dias de São Paulo. Primeira vez na Argentina.
- Rodrigo. Bem-vindo.
A conversa começou simples. Viagens, praias, a diferença entre o português e o espanhol, música. Rodrigo riu de verdade pela primeira vez em semanas quando Yuri imitou, mal, o sotaque portenho. Havia algo leve nele. Sem peso. Sem expectativas. E, pela primeira vez em muito tempo, Rodrigo se sentiu... visto. Não como o cara que estava desmoronando por dentro, mas como alguém com quem valia a pena conversar até o bar fechar.
Naquela mesma noite, saíram para caminhar na areia. Yuri tirou uma foto dos dois com o mar escuro ao fundo - "pra registrar o primeiro argentino simpático que conheci" - e Rodrigo aceitou posar, mesmo que o sorriso ainda parecesse um pouco forçado.
Os dias seguintes foram um turbilhão doce.
Yuri queria conhecer tudo. Rodrigo, que conhecia Mar del Plata como a palma da mão, virou guia particular. Levaram-no para bailes tradicionais, onde dançaram coladinhos ao som de milongas e depois reggaeton em casas noturnas mais agitadas. Yuri ria alto quando errava os passos, Rodrigo segurava sua cintura com firmeza, guiando-o. Os olhares que trocavam duravam segundos a mais do que deveriam. Quando as luzes coloridas batiam no rosto de Yuri, Rodrigo sentia o peito apertar de um jeito que não sentia há muito tempo.
Eles tiravam fotos bonitas em todos os lugares: no alto do farol ao pôr do sol, na frente de murais coloridos, com sorvetes na mão, suados depois de dançar. Em cada imagem, pareciam um casal de verdade. Rodrigo guardava todas no celular, olhando às escondidas quando Yuri não via.
As noites eram intensas. Toques que começavam leves nas ruas viravam carícias urgentes nos quartos de hotel ou no apartamento de Rodrigo. O sexo era quente, apaixonado, quase desesperado da parte de Rodrigo - como se ele quisesse gravar cada gemido, cada toque, cada respiração de Yuri na pele. Depois, ficavam deitados, corpos entrelaçados, conversando baixo até o sol nascer. Para Rodrigo, aquelas horas pareciam infinitas. Para Yuri, pareciam férias perfeitas.
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Turista (Garro x Yuri)
FanfictionApós um esbarrão acidental num bar á beira-mar, os dois se envolveram e engataram num romance intenso, porém curto, afinal Yuri Alberto tinha sido apenas um turista na vida de Rodrigo Garro. Inspirada na música "Turista" do Bad Bunny.
