Despertar do Empíreo

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Pshhhhhh...

Tsssssss...

Ar vaza de frestas de uma recém porta aberta, ou melhor, cápsula. Uma luz avermelhada pisca no corredor gélido e frio. Da cápsula, um corpo, antes inerte, passa a lentamente despertar de algo que nunca viveu.

Thud!

O baque no chão metálica é alto, seco e dolorido.

As luzes, fracas para uma pessoa, pareciam como a iluminação de mil sóis sendo apresentados de frente. Os olhos ardiam, o corpo tremia pelo frio devido a nudez. Aquela coisa recém-nascida lentamente começava a abrir os olhos, contra o seu instinto de fechá-lo.

Enfim, adaptava-se à luminosidade. Olhava para os lados, tentando entender o que sequer era.

Tung... Tung...

No fim do corredor, um homem de cerca de 2 metros surgia. O homem era nitidamente albino devido seus traços de nenhuma melanina. Com cabelos amarelado como ouro, marcas avermelhadas no rosto, olhos vermelhos como rubi e chifres extensos.

— "Ei, ei, ei! Você acordou muito cedo!" — O branquelo alto se aproximaria do outro.

Como poderia se esperar, o menor ficaria apavorado pelo outro, tentando se afastar de todas as formas que lhe eram possíveis, e andar não era uma delas, sequer sabia como realizar o movimento.

— "AAAAAAHHHH-HAAARRGH!" — Berrava de desespero enquanto engatinhava para fugir.

— "Isso vai dar um trabalho danado..." — Contra a vontade do outro, o chifrudo pegava o menor pelas pernas mesmo, não ligando para a resistência dele.

E então: SPLASH!

O menor teria sido jogado em uma banheira, o primeiro banho daquele ser — que pela água ser quente, acabaria ficando mais quieto, afinal, estava quase congelando de frio.

— "Ha, sabia que daria certo. Eu me chamo Oryn." — O homem iria fazer um pequeno cafuné na cabeça do rapaz.

Então, com o menor mais calmo, Oryn terminaria o banho no outro.

"Estive pensando, seu nome será Leumas. Creio que combinará." — Oryn terminava o banho com um grande balde de água na cabeça do rapaz, que se assustaria, mas logo se sentiria mais calmo quando recebesse um breve cafuné. Pegava uma toalha e enxugava-o.

Leumas não entendia as palavras, mas o nome — Leumas — vibrou em seus ouvidos como uma frequência nova e correta. Ele observava Oryn com uma fixação quase predatória. Cada vez que o gigante albino piscava, Leumas tentava cronometrar suas próprias pálpebras para fazer o mesmo. Se Oryn franzia a testa, o rapaz forçava os músculos faciais ainda rígidos para criar o mesmo sulco na testa.

Era o seu primeiro ato de mímica: um espelho humano tentando refletir seu criador para garantir que não seria devolvido ao gelo.

Oryn levantava-se e traria uma blusa sua, que para Leumas, se tornaria uma espécie de vestido devido a baixa estatura do rapaz.

O cheiro doce e suave do banho ainda persistia no corpo do rapaz, seus cabelos passavam a ser secados por uma fonte de calor proveniente das mãos de Oryn, assustando-o inicialmente. Não entendia quem ele era, mas sentia conforto naquela calmaria, algo que se apagaria em um futuro não tão breve.

Por fim, uma risada genuína era despertada no mais novo.

Os dias seguintes foram uma sucessão de descobertas sensoriais. Oryn era seu mundo, sua única referência de "humano". Mas Leumas logo percebeu algo: ele não tinha dois metros de altura. Ele não tinha chifres. Ele não tinha a pele de neve. Ele era menor, mais fraco e estranhamente... comum.

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