O início do padeiro

39 3 2
                                        

Em um vilarejo remoto em algum lugar do continente de Drawynst.

— Vovó, eu queria saber como você controla tão bem a sua magia...

Yuri estava deitado em sua cama, ouvindo as histórias da avó, até que resolveu interrompê-la.

— Pequeno Yu, você só precisa aceitar que é assim. Não tenha medo nem vergonha, mas lembre-se de esconder o que sabe. O Rei possui olhos em todos os cantos; eu consegui me esconder das garras dele, e você precisará fazer o mesmo. Pessoas como nós são tratadas como armas pela família real.

Edith sempre ensinou ao neto como a magia funcionava e como dominá-la. Ela desejava que ele vivesse uma vida tranquila, longe de se tornar um instrumento de guerra.

— Eu vou esconder. As pessoas do vilarejo são boazinhas por não contarem para ninguém sobre nós.
Ele sorriu para a avó, que o retribuiu com um olhar carinhoso.

— Sim. Graças à nossa família, o vilarejo conseguiu se manter firme, mesmo sendo um lugar remoto e abandonado pelo reino.
Ela se levantou, deu um beijo na testa do neto e assoprou a vela que iluminava a mesinha de cabeceira.

— Boa noite, pequeno Yu. Que você consiga realizar os seus maiores sonhos.

— Boa noite, vovó.

Yuri aprendeu a controlar seus dons e seguiu a vida como um rapaz comum. Às vezes, usava a magia para pequenas travessuras ou para ajudar em tarefas simples no vilarejo. Ao atingir a maioridade, agora com 25 anos, tornou-se um padeiro talentoso e decidiu iniciar o seu próprio negócio na capital.

— Meu Yuri, espero que tudo dê certo para você. A mamãe sempre estará aqui caso precise voltar.
Gisely, a mãe de Yuri, tinha cabelos castanhos e baixa estatura, mas fora a maior guerreira do vilarejo, liderando caçadas para garantir o sustento de todos.

— Filhão, espero que tenha muito sucesso. Seus pães são os melhores que já comemos, vou sentir falta deles!
Marciel, o pai, tinha cabelos acinzentados e era mais alto que o filho. Também fora um guerreiro, embora passasse mais tempo cuidando dos afazeres domésticos.

— Esperava que o senhor fosse sentir saudades de mim, e não apenas dos pães!
Yuri riu, dando um soco leve no braço do pai. Pietra, sua irmã de 10 anos, possuía os cabelos castanhos da mãe e sempre admirou o irmão, jurando que um dia o superaria na arte de assar pães.

— Irmão, quando você voltar, eu serei a melhor padeira deste continente! Você vai ver!
Disse em tom confiante; nada abalava Pietra, nem mesmo as derrotas nas competições de panificação contra o irmão.

— Eu não vou pegar leve com você, Pietra! — disse ele, abraçando-a com força, enquanto lutava contra as lágrimas. — Preciso ir agora, gente. Vou sentir saudades, mas mandarei cartas e virei visitar sempre que puder. Eu amo vocês!
Ele se despediu rapidamente, antes que a emoção o fizesse desistir, e subiu na carroça.

— Senhor, pode ir. Estou pronto.

— Cê que manda, sô!

A carroça começou a se mover. Pela parte de trás, Yuri observou seus pais e a irmã acenarem até que suas figuras se tornassem pequenos pontos no horizonte.

— Farei o meu melhor!

Mãos QuebradasStories to obsess over. Discover now