CAPÍTULO I

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EP. 1 — O Começo do Impossível

A chuva fina caía sobre os vidros enormes da mansão. Dentro da casa, tudo parecia perfeito demais.

Jade desceu as escadas lentamente, ouvindo a voz rígida do pai ecoar pela sala.

— Você vai ao jantar amanhã. Sem desculpas.

Ela apenas concordou com a cabeça.

Naquela casa, responder demais nunca terminava bem.

Sua mãe ajeitou o colar em seu pescoço e sorriu de forma fria.

— Você precisa aprender a se comportar como alguém da nossa família.

Jade odiava ouvir aquilo.

Ela tinha roupas caras, quarto enorme, viagens, tudo o que muita gente sonhava… mas sentia que vivia presa.

Mais tarde, já no quarto, o celular vibrou.

Bruna: “Hoje vai ter baile. Bora?”

Jade ficou olhando a mensagem.

Ela nunca tinha ido.

Nunca tinha saído escondida.

Nunca tinha feito algo só porque queria.

Por alguns segundos, pensou em ignorar.

Mas algo dentro dela estava cansado de obedecer.

Ela respondeu:

“Eu vou.”

---

Enquanto isso, do outro lado da cidade, o som alto já dominava a favela.

Luzes coloridas, motos, risadas, fumaça no ar.

Rafael — conhecido como Cobra — estava sentado no muro de sempre, olhando o movimento.

Lucas se aproximou.

— Tu vai ficar aí parado?

Cobra tragou lentamente o cigarro antes de responder.

— Tô pensando.

— Pensando dá ruim pra tu.

Douglas riu.

Cobra apenas levantou, ajeitando a corrente no pescoço.

Seu olhar carregava algo pesado.

Como se estivesse cansado mesmo sendo jovem.

Ele conhecia aquele lugar melhor do que qualquer um.

Ali era casa.

Ali era guerra.

Ali era sobrevivência.

---

Mais tarde, Jade chegou.

O coração disparado.

O carro de aplicativo foi embora rápido.

Ela ficou parada por alguns segundos.

Tudo parecia diferente.

A música vibrava no peito.

As pessoas dançavam sem se importar com nada.

Ela nunca tinha visto tanta liberdade.

Bruna puxou sua mão.

— Relaxa. Só aproveita.

Jade respirou fundo.

Tentou sorrir.

Até que sentiu.

Aquela sensação estranha.

Como se alguém estivesse olhando.

Ela virou devagar.

No meio da multidão.

Entre luzes, fumaça e música alta…

Ele estava ali.

Parado.

Observando.

Rafael.

O Cobra.

Os olhos dos dois se encontraram.

E, por um segundo, parecia que o baile inteiro desapareceu.

Nem ela sabia por que não conseguia desviar.

Nem ele entendia por que continuava olhando.

Mas algo tinha começado.

Algo perigoso.

Algo impossível.

A DAMA E O VAGABUNDOMga kuwentong kahuhumalingan mo. Tumuklas ngayon