Capítulo 1

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16 de Março de 1827

O cemitério de St. George's, em Hanover Square, estava particularmente silencioso naquela manhã de primavera. Anthony Bridgerton gostava disso — do silêncio. Havia algo nas folhas dos plátanos balançando sem fazer barulho, nas lápides cobertas de musgo, nos pássaros que cantavam baixo, como se soubessem que aquele não era lugar para alarde.

Ele chegara antes do amanhecer. Não suportava mais encontrar outras pessoas no cemitério — viúvas de olhos inchados, mães chorando sobre túmulos de crianças, velhos que visitavam esposas mortas há décadas. Todos eles tinham um direito que Anthony sentia que lhe escapava: o direito de demonstrar. Eles podiam chorar em público, gemer, se dobrar ao meio de dor. Anthony não. Anthony era o Visconde Bridgerton. Anthony era o pilar da família. Anthony precisava manter a postura mesmo quando suas entranhas se torciam como cordas de navio em tempestade.

Por isso ele vinha antes do sol nascer. Por isso ele se ajoelhava na grama fria e molhada de orvalho antes que qualquer alma viva aparecesse para testemunhar sua fraqueza.

A lápide de granito preto reluzia sob a luz pálida da aurora. Kathani Bridgerton. 1797 — 1826. As letras gravadas em ouro pareciam flutuar na escuridão da pedra, como estrelas em um céu noturno sem lua. Anthony passou os dedos sobre elas — não uma, não duas, mas três vezes. Era um ritual que ele havia desenvolvido nos últimos meses, embora não soubesse explicar por quê. Talvez para sentir a aspereza do mármore, para confirmar que era real. Talvez para gravar aquelas datas em sua própria pele, para nunca esquecer o peso de cada número.

O ramo de lírios-do-vale que ele depositou diante da lápide tremia em suas mãos. As flores eram pequenas, brancas, delicadas — tão parecidas com as que Kate usava no cabelo no dia do casamento deles, há doze anos. Ela as colhera do jardim da casa de campo dela, em Somerset, na manhã da cerimônia. Anthony se lembrava de tê-la visto descer a escadaria da igreja com aquelas flores minúsculas presas aos cabelos negros como asas de borboleta pousadas na escuridão. Ele achara, na época, que nunca vira nada tão bonito.

Ele ainda achava.

"Sinto sua falta todos os dias", murmurou ele, a voz mais grave do que pretendia, quase um grunhido. As palavras saíam ásperas de sua garganta, como se tivessem areia misturada. "As crianças estão bem. Charlotte ainda não fala, mas... bem. Edmund tenta ser forte. Os gêmeos... bom, os gêmeos são os gêmeos."

Ele riu sozinho — um som curto, sem humor. Os gêmeos. Miles e Benjamin, suas pequenas forças da natureza, seus furacões de oito anos. Eles tinham o temperamento de Kate, a teimosia de Kate, o jeito de franzir a testa quando estavam concentrados que era tão igual ao dela que Anthony às vezes precisava sair da sala para não chorar.

Respirou fundo. O ar de março ainda tinha mordida de inverno, e suas articulações reclamavam da posição ajoelhada. Quarenta e dois anos. Ele não se sentia com quarenta e dois. Sentia-se com noventa, com cem, com a idade de um homem que já tinha visto tudo o que havia para ver e estava apenas esperando o fim.

"Hyacinth está de temporada... novamente", continuou ele, porque falar com Kate era a única coisa que o mantinha são. "Violet diz que ela já assustou três pretendentes. Um deles perguntou se ela sabia costurar, e ela respondeu que sabia costurar melhor do que ele sabia pensar. O rapaz ficou roxo. A mãe dele ficou mais roxa ainda."

Um sorriso amargo torceu seus lábios.

"Você teria adorado ver. Você e Hyacinth sempre tiveram essa coisa em comum — assustar homens ricos até que eles saíssem correndo pedindo pelas mães."

Sua voz falhou ligeiramente na última palavra.

Ele ficou em silêncio por um momento, os olhos fixos nas letras douradas. O vento soprava fraco, balançando as copas dos plátanos. Em algum lugar distante, um sino de igreja começou a soar as seis horas.

O dever do ViscondeWhere stories live. Discover now