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Após a morte do pai, Gizelly Bicalho assume o controle de 40% de um império empresarial que sempre fez parte de sua vida. Os outros 40% pertence à família de Rafaella Fernandes, herdeira do sócio que construiu a empresa ao lado do pai de Gizelly...
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Entrei em meu escritório suspirando cansada, indo direto para minha mesa, depositando minha bolsa ali. Logo me sentei e suspirei fundo, enquanto descansava minha costa no encosto.
Ao levantar minha cabeça e deitar no apoio, fitando o teto, Marcela entrou com uma pasta preta nas mãos, sem sequer me dar a chance de fechar os olhos e relaxar por alguns minutos.
- Deixe eu advinhar...- Ela chamou minha atenção. - Passou o final de semana todo trabalhando ao invés de descansar, e agora está com dor de cabeça.-
- Bingo!-
Ela soltou uma risada nasal e puxou a cadeira de frente para minha mesa. Enquanto ela se sentava, soltei outro suspiro longo e endireitei minha postura.
- Trouxe os números da contabilidade deste mês.- Ela estendeu a pasta para mim. Logo busquei por meu óculos de leitura em minha bolsa. - Natalie já trouxe o café?-
- Acabei de chegar, ela deve está fazendo. E você poderia esperar um pouco mais pra trazer o relatório.- Falei enquanto folheava a pasta.
- Hoje tenho bastante coisa pra fazer e ainda vou calcular os prejuízos da sua conta bancária.- A encarei por um instante e ela me olhava com um sorriso sacana. - O que é? Ninguém mandou casar com uma mulher que nasceu e vive no luxo.-
Fechei a pasta respirando fundo.
- Maldita hora que eu disse à ela pra parar de desfilar.-
Minha contadora riu com meu lamento.
- Sustente as suas gracinhas.- Com isso, ela se ergueu da cadeira. - Vou pra minha sala, sua secretária demorou demais com esse café.- Levantei uma de minhas sobrancelhas e ela riu novamente. - Mais tarde eu venho buscar seu autógrafo em alguns documentos e trago o resultado dos cálculos.-
Assenti em resposta e ela se foi. Abri finalmente o notebook para começar mais um dia de trabalho.
A verdade é que desde quando Sebastião Fernandes partiu dessa para melhor, venho me sentindo sobrecarregada demais. Há dois anos atrás meu pai também nos deixou e eu assumi o cargo de CEO junto com Tião, seu sócio. Havia mais dois sócios minoritários, estrangeiros, a qual um tem cinco porcento das ações e o outro quinze. Eu, porém, herdei quarenta porcento desse império; uma vez que eu atuava apenas como Diretora de Operações.
Nossa empresa é uma Construtora Civil, chamada: Rede Construir, e metade dela é da minha família. A outra metade, da família do nosso sócio. Todavia, há alguns anos, meu pai e Sebastião abriram capital e venderam vinte porcento. Infelizmente faz vinte dias que o mesmo se foi e eu precisei assumir a presidência dos dois lado. Pelo menos até Rafaella, sua única filha, desembarcar definitivamente no Brasil e assumir sua parte.
No fatídico dia em que sepultamos o saudoso Tião, minha mais nova parceira de negócios veio de Londres para o Brasil somente para o velório. Nos conhecemos pessoalmente no dia seguinte a qual ela veio na empresa para a Assembleia e no fim da reunião, ficou acordado dela assumir sua cadeira ao lado da minha na presidência, assim que resolvesse tudo na Inglaterra. Rafaella só nos pediu um mês para se desfazer de sua vida fora do país e voltar para tomar o que lhe é de direito.