Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia

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Então, pra quem tá acompanhando esse perfil a uns dias tem percebido que eu não escrevia nada, e do nada comecei. Loquinha tem me inspirado umas ideias muito loucas e eu só gostaria de não deixar elas somente na minha cabeça. Essa ideia nasceu em um sonho na madrugada. Se vocês gostarem, curtirem a ideia, votem na enquete no final da leitura. Se possível, comentem. Uma ótima leitura a todos!


A noite caía devagar sobre o Rio de Janeiro, tingindo o céu com tons profundos de laranja e roxo, como se o próprio dia resistisse a ir embora. Na Lapa, o ritmo da cidade mudava - não diminuía, mas se transformava. As luzes começavam a acender, uma a uma, refletindo nos arcos como pequenos faróis que guiavam tanto os vivos quanto aquilo que caminhava entre eles sem ser visto.

Era ali, no coração desse movimento, o cafofo bar de Inês existia.

Para qualquer um que passasse pela rua, era só mais um bar: música baixa, mesas de madeira gastas pelo tempo, clientes rindo alto demais depois de algumas bebidas. Um lugar acolhedor, até. Familiar.

Mas nada ali era apenas o que parecia.

Atrás do balcão, Cidade Invisível ganhava vida de um jeito que poucos humanos poderiam sequer imaginar.

Inês estava parada, como sempre, no ponto exato onde conseguia ver tudo. Seu olhar percorria o ambiente com uma calma que não era comum - não era vigilância nervosa, mas algo mais antigo, mais instintivo. Havia séculos naquele olhar. Séculos de histórias, de perdas, de ciclos repetidos.

Ela apoiava uma mão no balcão, a outra segurando um pano que mal usava. Não precisava limpar nada. Aquilo era mais um gesto automático, quase um disfarce.

Porque Inês não era só a dona daquele bar.

Ela era mãe daquela família.

E, apesar de toda a sua natureza imprevisível, ali - naquele lugar - ela era o eixo.

O centro.

A casa.

Ao lado dela, Camila secava copos com movimentos lentos e suaves, como se estivesse sempre no ritmo de uma música que ninguém mais ouvia. Seus dedos deslizavam pelo vidro com delicadeza quase hipnótica, e de vez em quando ela levantava os olhos para observar os clientes.

Havia algo no olhar de Camila que fazia as pessoas se sentirem vistas... e, ao mesmo tempo, completamente expostas.

Ela sorria pouco.

Mas quando sorria, era como um reflexo na água - bonito, perigoso, impossível de esquecer.

- Você vai acabar quebrando esse copo se continuar assim - comentou Inês, sem olhar diretamente.

Camila arqueou uma sobrancelha, divertida.

- Eu nunca quebrei um copo.

- Ainda.

Inês soltou um suspiro leve, apoiando o peso do corpo no balcão enquanto observava o movimento do bar crescer aos poucos. O tilintar dos copos, as conversas cruzadas, a música baixa ao fundo - tudo parecia pedir por algo mais.

Ela virou o rosto na direção de Camila, dessa vez encarando de verdade.

- Já tá na hora... - disse, com um meio sorriso. - Vai lá pro palco.

Camila continuou secando o copo por mais alguns segundos, como se estivesse decidindo se obedecia ou não. Seus dedos pararam no vidro, e ela ergueu o olhar devagar.

- Você acha mesmo que eles precisam disso hoje?

Inês deu de ombros, mas havia certeza no gesto.

- Eles sempre precisam.

Sussuros Da Mata AntigaOnde histórias criam vida. Descubra agora