Nunca Houvesse o Início

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A hora da estrela

nunca chegou.

O brilho nos olhos

jaz em silêncio.


Com clarins rachados

forjaram-se os dias:

apenas pedras na calçada,

nenhuma flor na estrada.


Entre versos e poesias

nasce algo

o que pode ser?

Já não sei o que sinto por você.


Encanto, talvez... talvez...

escondeu-se no beco, gritei!

Mas no silêncio não ouço

os meus gritos.


Queria até dizer

que chegou ao fim

Mas não sei como

Talvez nunca houvesse o início.


Seu rosto nítido

ficou tão abstrato.

Corri, guardei-o numa caixinha,

antes que a lembrança te negasse.


Pra não esquecer

Fui até aonde

minhas pernas alcançavam

E fiquei preso, do lado de fora.


Cícero José Graça

Juiz de Fora, 19 de abril de 2026

Oficina literária — Editora UFJF


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