A cadeira da escola nunca pareceu tão desconfortável quanto naquela manhã de terça-feira. O barulho do giz batendo no quadro era o fundo musical para o meu tédio absoluto, mas o verdadeiro problema estava sentado na carteira ao lado Matheus Ferreira.
Eu sentia o olhar dele queimando o lado do meu rosto. Matheus tinha esse hábito irritante de me observar até que eu perdesse a paciência. E, como ele bem sabia, minha paciência para as palhaçadas dele era do tamanho de um grão de areia.
- Perdeu alguma coisa aqui, Ferreira? - sussurrei, sem desviar os olhos do caderno, sentindo minhas bochechas esquentarem.
- Só admirando a vista, Davi. Você fica uma gracinha quando tenta fingir que está prestando atenção na aula de Sociologia - a voz dele veio baixa, carregada daquele sarcasmo característico que me dava vontade de socá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo.
Virei o rosto devagar, encontrando o sorriso de canto que ele sempre usava. Matheus era o tipo de cara que exalava uma confiança irritante. Ele se inclinou um pouco mais para perto, o cheiro do perfume dele invadindo meu espaço pessoal.
- Vai se ferrar - retruquei, estreitando os olhos. - Estuda um pouco, quem sabe assim você para de depender das minhas anotações.
- Ah, mas eu gosto da sua letra. E gosto mais ainda de ver você todo irritadinho tentando me explicar a matéria depois - ele piscou para mim, uma expressão safada cruzando o rosto. - Fica tão fofo quando franze a testa.
Senti um frio na barriga que me recusava a admitir. Eu era mestre em esconder minha carência sob camadas de deboche, então apenas revirei os olhos e voltei a escrever.
- Pena que a recíproca não é verdadeira. Sua cara de pau me dá sono.
O Jogo de Provocação
O sinal para o intervalo finalmente tocou. Antes que eu pudesse me levantar, senti uma mão pesada e quente pousar no meu ombro. Matheus me puxou levemente para trás, me impedindo de sair da fileira.
- Onde pensa que vai com tanta pressa? - ele perguntou, o tom agora um pouco mais sério, mas ainda brincando.
- Comer, Matheus. Coisa que pessoas normais fazem - tentei me soltar, mas ele apertou o aperto de forma possessiva.
Seu olhar mudou. Ele percebeu o grupo de garotos do terceiro ano passando e rindo perto da nossa mesa. O lado ciumento dele, que ele jurava que não tinha, apareceu em um segundo. Matheus se colocou entre mim e o corredor, bloqueando a visão de qualquer um que pudesse olhar demais.
- Você está muito apressado hoje. Algum plano que eu não saiba? - ele semicerrou os olhos, a mandíbula levemente tensa.
- Talvez eu tenha marcado de encontrar alguém interessante no pátio - provoquei, dando um sorriso cínico. - Alguém que não me chame de "gracinha" a cada cinco minutos.
O sarcasmo dele sumiu por um instante, substituído por um brilho desafiador. Ele deu um passo à frente, me prensando levemente contra a mesa atrás de mim. O ambiente da sala estava esvaziando, mas meu coração parecia querer pular para fora.
- Engraçado - ele murmurou, a voz agora rouca, perto do meu ouvido. - Porque eu não lembro de ter dado permissão para você achar mais ninguém interessante.
- E desde quando eu preciso da sua permissão? - desafiei, embora minhas mãos estivessem começando a tremer.
Matheus soltou uma risadinha baixa, voltando ao seu modo brincalhão, mas sem recuar do meu espaço. Ele levou a mão ao meu cabelo, bagunçando os fios com um carinho que desarmou todas as minhas defesas.
- Você é um pé no saco, sabia?
- E você é um idiota - respondi de imediato.
- Um idiota que vai te pagar um lanche agora, porque eu sei que você está morrendo de fome e vai ficar mais insuportável ainda se não comer.
Ele passou o braço pelo meu pescoço, me puxando para perto de um jeito que parecia "apenas amigos", mas o modo como ele me apertava contra o corpo dele dizia o contrário. Eu queria reclamar, queria dizer que sabia andar sozinho, mas a verdade é que aquele contato era tudo o que eu precisava.
Engoli o orgulho, deixei que ele me guiasse pelo corredor e apenas torci para que ele não percebesse o quanto eu adorava quando ele agia como se eu fosse dele.
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De amigos para amantes [BL🍂]
Roman d'amourMatheus Ferreira sabe exatamente como tirar Davi do sério. Seja com um comentário safado ou com aquele ciúme que ele jura que não tem. Davi, por outro lado, se protege com patadas e ironia, jurando que não se abala pelo jeito do melhor amigo. O prob...
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