Mizi despertou sobressaltada. Ao percorrer os olhos pelo ambiente desconhecido, o estranhamento a atingiu em cheio: aquele não era seu quarto. Ao abaixar o olhar, o choque foi físico. Estava nua, e sua pele carregava as marcas vividas de uma noite intensa, desenhadas em manchas e rumores por todo o corpo.
Ao seu lado, uma mulher de cabelos pretos e curtos dormia profundamente de costas para ela. A pele alva da desconhecida também exibia o rastro de unhas e o caldo da noite anterior.
Em silêncio, a jovem de cabelos rosados levantou-se com movimentos calculados, tremendo quebrar o silêncio pesado do quarto. Vestiu-se apressadamente, sentindo o peso do arrependimento ou da confusão, sem olhar para trás, resgatou sua bolsa e atravessou a porta, deixando apenas o eco da sua partida.
Sua, que parecia mergulhada no sono, despertou- se com o estalo seco da fechadura. Olhou em volta, as pupilas tateando o vazio do quarto onde Mizi deveria estar.
-Rosinha...-murmurou para o nada, a voz ainda rouca de sono.
Com esforço, a mulher de cabelos pretos sentou-se na cama. A cabeça latejava, reflexo do excesso de álcool da noite passada que nublava suas lembranças. Precisando de clareza, arrastou-se até o banheiro. Deixou que a água da banheira apagasse o calor da pele e despertasse seu sentidos; afinal,o mundo lá fora não havia parado, e ela ainda tinha aula daquela manhã.
Após o banho, ela deixou que a toalha absorvesse a umidade da pele antes de retornar ao quarto. Vestiu-se com movimentos automáticos, mas, ao consultar o relógio, o sobressalto: ainda faltavam duas horas para o despertador tocar. Estava adiantada para a rotina da faculdade.
Deixou o apartamento — um daqueles alojamentos estudantis práticos, cedidos pela própria instituição — e ganhou a rua. Enquanto caminhava pela curta distância que a separava do campus, o silêncio da manhã parecia ecoar a pergunta que martelava em sua mente, ainda nublada pelo sono: com quem, afinal, ela havia compartilhado a noite anterior?
Pov:Mizi
O ar gelado da manhã atingiu seu rosto como um choque, mas não foi o suficiente para aplacar a pulsação insistente em suas têmporas. Mizi abandonou aquele quarto desconhecido quase em um transe, fugindo do rastro de uma noite da qual as lembranças eram apenas fragmentos turvos e flashes de música alta. O excesso de álcool do dia anterior ainda cobrava seu preço, manifestando-se em uma área persistente e passos apressados.
Ao alcançar o refúgio de seu próprio prédio, suas mãos — levemente trêmulas — reviraram a bolsa em busca das chaves. O metal frio finalmente encontrou seus dedos. Ao girar a maçaneta e entrar, o aroma familiar de café recém-passado a recebeu, mas a paz do ambiente foi interrompida pelo olhar vigilante de Hyuna.
Sua melhor amiga estava instalada no sofá, a caneca suspensa a meio caminho da boca. O silêncio no apartamento pesou. Hyuna a observou de cima a baixo, os olhos arregalados revelando uma mistura de alívio e choque por Mizi não ter retornado ao dormitório compartilhado na noite anterior.
— Meninas do céu, Mizi! — exclamou Hyuna, a voz carregada de uma preocupação genuína. — Onde você se meteu?
— Meu Deus, Hyuna! Que susto! — A voz de sua amiga surgiu das sombras do sofá, carregada de um cansaço que beirava a irritação. — O que você está fazendo acordada a essa hora? Ou melhor... de onde você está vindo?
Mizi desviou o olhar, sentindo o peso da culpa misturado ao perfume alheio que ainda impregnava suas roupas.
— Eu... eu estava com uma amiga — murmurou, a voz falhando no final da frase.
— Uma "amiga"? — Um riso irônico cortou o ar. A outra se levantou, cruzando os braços enquanto a encarava com olhos pesados. — Sei bem que tipo de "amiga", sua sapatona. Eu fiquei morrendo de preocupação, achando que algo tinha acontecido!
— Desculpa, ok? — mizi rebateu, o tom subindo uma oitava, na defensiva. — Mas você não tem moral para me dar sermão. Você fez exatamente a mesma coisa com o seu namorado semana passada.
O ar entre as duas pareceu esticar, denso e elétrico.
— E com quem foi? — a pergunta veio baixa, quase um sussurro perigoso.
Mizi levou a mão à têmpora, tentando organizar as memórias fragmentadas pela névoa do álcool.
— Eu não sei... — admitiu, o cansaço finalmente vencendo a adrenalina. — Eu bebi demais naquela festa e tudo o que me resta são vultos.
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Nossa hora fora do relógio
FanfictionMizi e uma garota que está na faculdade de moda,e tenta fugir de uma mãe abusiva, enquanto sua está na faculdade de medicina mas já trabalha e ganha bem,e sua família apoia ela ser lésbica, então o que será que essa história vai trazer?
