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Minho estava deitado confortavelmente em sua cama; travesseiros macios abrigando sua cabeça e lençóis grossos e quentinhos moldando seu corpo. Apenas sua mão direita estava para fora, segurando seu celular, descontraído. Sua galeria estava aberta, enquanto seu polegar deslizava pela tela passando diversas fotos de seus gatinhos - Soonie, Doongie e Dori.
Havia conseguido ir para casa no fim de semana, e aproveitou para matar a saudade. E óbvio, registrou todos os movimentos que conseguiu. Dori deitado em seu colo, Soonie com o focinho enfiado na câmera e Doongie recebendo beijinhos.
E não para por aí.
Era madrugada, pouco mais de uma da manhã. A chuva caía forte lá fora, batendo contra a janela e causando um som gostoso de se ouvir. As trovoadas e os trovões rolavam soltos, vez ou outra iluminando todo o cômodo.
A porta do Lee rangeu levemente ao que foi aberta de repente, uma voz grave e baixa chamando sua atenção.
— Lino-hyung, posso passar a noite aqui? — O Seo abraçava um travesseiro contra o peito, os olhos brilhando mesmo na penumbra.
— Oi, neném. — Minho bloqueou a tela, deixando o celular de canto na mesinha ao lado, e sentou-se no colchão. — Pode, vem cá.
Changbin encostou a porta, dando uma corridinha até chegar na cama.
Lee Know chegou para o lado, dando espaço para que o menor se juntasse a ele, abrindo em seguida a coberta em um convite silencioso.
O mais novo morria de medo de dias como esse, embora seja um adulto de vinte e seis anos. Então, sempre que chovia como se o mundo fosse acabar, Changbin corria para o quarto do seu hyung, buscando conforto e segurança em seus braços.
Era sempre Minho, somente Minho.
— Eu juro que tentei ficar quietinho e pegar no sono, mas não consegui. — O dongsaeng murmurou, choroso. — Nem o Gyu consegue me acalmar igual você.
Gyu era o Munchlax de pelúcia que o homem de fios roxos presenteou o menor em um passeio no parque.
O Seo era tão manhosinho e frágil quando estava em sua presença, Lee Know não achava nada além de gracioso.
— Tá tudo bem, Binnie. — O maior puxa o outro para mais perto, cobrindo-o melhor.
Os olhinhos grandes do dongsaeng observavam o maior, junto de uma expressão vulnerável. Seu corpo forte relaxando contra o do outro, como acontecia todas as vezes anteriores.
— O que você tava fazendo? — Bin perguntou ao lembrar que seu hyung estava mexendo no celular antes de ele chegar.
— Vendo fotos dos meus filhotes. — Os lábios de Minho se curvaram em um sorriso, somente por estar falando dos seus maiores amores. — Quer ver?
— Quero! — O Seo respondeu, animado.
Lee tateou a cômoda até encontrar o celular, desbloqueando o aparelho que já abriu direto na galeria.
A foto de Doongie surgiu na tela, e Changbin deixou escapar um som baixo e adoravelmente suave do fundo da garganta.
Ele era completamente encantado por aquelas bolinhas de pelo, mesmo conhecendo-as apenas por fotos, vídeos ou videochamada.
A maioria das fotos eram engraçadas, arrancando risadas de ambos, que tentavam ao máximo se controlar para não atrapalhar o sono dos outros membros, mas falhavam miseravelmente.
Vídeos onde Minho alimentava-os, ou onde Dori subia no rosto do dono enquanto ele estava dormindo e a mão com veias saltadas do Lee acariciando os pelos laranjas.
— Eles estão tão levados. — Minho comentou, sem desfazer o sorriso boboca dos lábios. — Soonie grunhiu pra mim. Acho que ele está na fase rebelde.
— E de quem ele é filho mesmo? — Changbin comprimiu os lábios, segurando a risada.
— Ei! — Lee Know murmurou, com o semblante indignado. — Me respeita, moleque.
— Desculpa, hyung. — O Seo sorriu pequeno, mas divertido. — É só que vocês dois são iguaiszinhos.
— Tá bom, tá bom... — O mais velho revirou os olhos, deixando novamente o celular de lado. — Agora me conta como foi o seu fim de semana.
O dongsaeng contou sobre o tempo que passou com a família — os passeios, conversas e diversas brincadeiras. Choramingando em seguida que durou muito pouco e que já estava sentindo saudades do seus pais e irmã mais velha.
As palavras morreram aos poucos, embaladas pelo som quase hipnótico da chuva batendo no telhado.
Mas não durou muito, visto que o silêncio confortável é interrompido por um raio especialmente forte. O menor se encolhe novamente, instintivamente buscando mais proteção, escondendo o rosto no pescoço de Minho.
— Você tá quentinho. — Bin segredou, fechando os olhos e apertando o corpo do seu hyung.
— Hm. — Minho disse suavemente, passando os dedos pelos cabelos do mais novo em um carinho automático. — Estou, é, neném?
— Uhum. — O mais novo manhou, esfregando o nariz na pele do maior, causando-o cócegas.
Lee acariciou os fios esverdeados do menor, sentindo a maciez contra seus dígitos e escutando-o emitir murmúrios de satisfação.
Minho adorava momentos como esse, que aconteceram mais vezes do que ele poderia contar. E é tão reconfortante saber que dos sete membros, Changbin confia nele em situações como essa.
— Lino-hyung... — Seo chamou, encarando o mais velho. A respiração dele calma, sincronizando com a sua. — Obrigado por cuidar de mim.
Minho se aproximou, fazendo com que as pontinhas de seus narizes se tocassem suavemente. Por um instante, Changbin pensou que o outro fosse beija-lo, mas tudo o que Lee Know fez foi esfregar seu nariz contra o dele, em um beijo esquimó.
— Obrigado por me deixar fazer isso. — O maior agradece genuinamente.
— Eu te amo, hyung. — O dongsaeng segredou, fechando os olhos.
— Eu te amo, neném. — O Lee sorri pequeno antes de deixar as pálpebras caírem.
Mesmo que a chuva forte e os trovões altos permanecem lá fora, Changbin dormiu feito um anjo ao lado de Minho.