Maomao
7 anos atrás
Outubro de 2017
Pequim, China.
O sol ainda ardia no céu, pálido, impiedoso e se esticando sombras que pareciam dedos famintos sobre o asfalto. Mas aquela luz não tocava Maomao. Não a alcançava mais. Havia um frio que começava nos ossos e subia, lento, mineral, e nem a brisa quente da tarde conseguia disfarçar o suor que escorria em fios finos por suas costas.
Ela sabia.
Não era paranoia. Não era impressão tola. Era a certeza absoluta, vísceral, de que algo a observava. E seguia. Passo a passo. Respiração a respiração.
O som atrás dela era seco, insistente, meticuloso. Um ritmo de passos que não desviava, não hesitava, não perdoava. O coração de Maomao bateu uma vez, forte demais, como um punho fechado contra o ossos, e então disparou, animal encurralado tentando romper as costelas. Suas mãos tremeram. Ela acelerou.
Entrou na rua lateral como quem entra em uma armadilha, mas a esperança era mais frágil que vidro. O silêncio que veio depois foi quase pior: uma pausa fingida, a respiração do mundo prendendo-se antes do golpe.
Então ouviu.
O ronco baixo de um motor. Aproximando-se. Constante. Certeiro.
O carro preto parou ao lado dela com a precisão de uma guilhotina. Maomao sentiu o estômago se revirar, um nó quente e ácido, antes mesmo de o vidro começar a deslizar.
Lá dentro, ele esperava.
O pai de Jinshi. O homem sem nome verdadeiro, a não ser o que ele mesmo escolhera: Velho Imperador. Título que vestia como uma segunda pele, que alimentava sua presença, que justificava o medo que se espalhava diante dele como uma doença.
Ele sorriu.
Aquele sorriso ensaiado, predatório, que não prometia nada além de controle, e a certeza de que a dor viria depois, administrada em doses calculadas. Maomao sentiu o sangue esfriar, virar gelo nas veias.
— Entre.
A voz dele era grave. Cortante. Sem margem. Sem réplica.
O mundo ao redor as pessoas, os carros, a tarde que se arrastava como um animal ferido, tudo se dissolveu como tinta na chuva. Ela paralisou. Mas dentro dela, algo gritava com uma violência surda:
Corre.
Os músculos de Maomao se tensaram. Prontos. Quase. Mas os pés não se moveram. Pesados como chumbo, pregados no chão por aquele sorriso.
— Não me faça repetir, Maomao.
A voz dele cortou o ar abafado como uma lâmina que já conhecia o caminho da carne.
Ela olhou em volta. Desesperada. Em busca de um rosto, de uma mão, de qualquer coisa. Mas as pessoas passavam apressadas, olhos fixos em telas e compromissos, alheias ao horror que se desenrolava a dois metros delas. Ninguém via. Ninguém queria ver. Ou talvez, e isso era pior, o mundo inteiro fosse cúmplice.
— Fugir só vai piorar as coisas. — Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos nela com uma calma que doía. — Seja esperta. Como sempre foi.
Maomao engoliu em seco. A saliva desceu amarga, grossa. Pensamentos giravam, frenéticos, inúteis. Se entrasse, não sairia fácil. Se corresse... ele a encontraria. Ele sempre encontrava.
Sempre.
Ela respirou fundo. As mãos apertaram a alça da bolsa com força suficiente para deixar marcas na palma.
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I Hate It Here
FanfictionMaomao, uma jovem estudante de medicina com um passado marcado por segredos e lutas pela sobrevivência, se vê encurralada ao descobrir uma gravidez inesperada com o herdeiro de um poderoso político. Assombrada por ameaças veladas, chantagem familiar...
