Prefácio
Estamos escrevendo esta história juntos — marido e mulher. Vivemos na Ucrânia.
E é importante dizer isso com honestidade: esta não é apenas uma novela de ficção escrita para entretenimento. É uma obra de ficção, sim, mas no seu centro existem buscas reais para nós, questões reais e um tipo de dinâmica de relacionamento que é, de fato, muito próxima daquilo que procuramos.
Acreditamos que existe, em algum lugar, uma mulher para quem a submissão não é um jogo, nem um capricho, nem uma experiência passageira, mas uma necessidade interior profunda. Alguém que se identifica com estrutura, limites, responsabilidade, entrega voluntária e a sensação de pertencer. Não é possível explicar isso em um simples anúncio, por isso escolhemos outro caminho: mostrar tudo através de uma história, dos pensamentos, das dúvidas, do medo, do desejo e das pequenas reações da protagonista.
Para a maioria dos leitores, esta será simplesmente uma novela. E tudo bem. Ela pode ser lida como uma história — pela trama, pela atmosfera, pela psicologia e pela dinâmica entre os personagens.
Mas, para alguém, talvez não seja apenas um texto. Talvez alguém se reconheça aqui — não de forma literal, nem em cada cena, mas nos sentimentos, nesse tremor interno, na necessidade de ser guiada, de pertencer, de viver dentro de certos limites e, ao mesmo tempo, sentir-se valorizada e protegida.
Não estamos procurando muitas. Estamos procurando uma. E, para nós, o principal não é o país nem a distância, mas o verdadeiro reconhecimento e uma conexão real.
Se, em algum momento, você quiser entender mais sobre nós e sobre o que existe por trás desta história, há um link para o nosso canal no Telegram no perfil. No momento, ele está em ucraniano. Também vamos deixar nossos contatos separadamente no capítulo final, quando a novela estiver totalmente publicada.
Capítulo 1
As manhãs de Sofia transcorriam no silêncio de uma solidão organizada. Em seu pequeno apartamento, tudo estava em perfeita ordem: os livros alinhados na prateleira, uma xícara de chá de ervas pela metade sobre a mesa e a manta do sofá cuidadosamente dobrada. Aqueles rituais matinais — arrumar a cama, organizar em silêncio a pequena cozinha, tomar devagar um gole de chá morno — a acalmavam. Davam ritmo ao dia, e esse ritmo era sereno, controlado.
Mas, por trás daquela calma aparente, havia um vazio que ressoava dentro dela. Já fazia algumas semanas que Sofia havia deixado o emprego anterior, e desde então seus dias pareciam ter perdido o sentido. A rotina diária numa grande empresa deixava sua alma faminta — era como viver no piloto automático, cumprindo tarefas sem qualquer eco interior. Por isso, numa noite, reunindo toda a coragem que tinha, Sofia escreveu seu pedido de demissão. O chefe se surpreendeu, mas não tentou impedi-la: ela sempre fora contida, responsável — a funcionária ideal, ao que tudo indicava. O que ninguém sabia era que, por trás daquela máscara impecável, o cansaço e a desorientação vinham se acumulando havia muito tempo.
Desde então, Sofia continuava acordando cedo, como de costume, mas agora a manhã já não a preparava para reuniões de escritório ou relatórios. Era vazia. Ela tinha tempo de sobra para deixar o apartamento brilhando e preparar o café da manhã, mas para quem? E para quê?
A solidão, que antes lhe parecia confortável, agora apertava seu peito. Sofia sabia: faltava-lhe um propósito, faltava-lhe... alguma coisa importante que ela ainda nem conseguia nomear.
Naquela quarta-feira, depois de terminar a limpeza, sentou-se à mesa da cozinha com o notebook. Procurar trabalho havia se tornado mais um de seus rituais matinais. A tela exibia uma lista de vagas todas iguais na mesma exigência sem alma. Gerente de vendas, assistente executivo, operadora de call center... Nenhuma daquelas ofertas despertava nela interesse ou resposta alguma. Sofia passou a ponta dos dedos pela borda da xícara, percebendo que estava enrolando — não queria mergulhar outra vez no mesmo redemoinho vazio do qual acabara de sair.
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Sombras da Submissão
RomanceSombras da Submissão é um romance sobre o momento em que você de repente entende: o que te atrai não é a liberdade... mas as regras. Sofia vai trabalhar na cafeteria Locus e quase imediatamente percebe em si uma reação estranha à proprietária - Anna...
