Capítulo Dois

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Adeline Bowen;

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Adeline Bowen;

Acordei devagar, sem abrir os olhos de imediato. Permaneci alguns segundos deitada, sentindo o peso do corpo contra o colchão e tentando entender por que tudo ao meu redor parecia tão abafado. O ar estava quente demais, parado demais, como se não circulasse havia muito tempo. Respirei fundo, mas a sensação não melhorou. Pelo contrário, parecia que cada inspiração trazia junto um leve gosto de poeira.

Quando finalmente abri os olhos, não consegui enxergar quase nada. O quarto estava completamente escuro, envolto por uma penumbra densa causada pelas cortinas grossas que cobriam todas as janelas. Nenhum raio de sol conseguia atravessar aquele tecido pesado. Era como se eu ainda estivesse presa à noite, mesmo já sendo manhã. Pisquei algumas vezes, tentando me situar, até me lembrar de onde estava. A mansão. O quarto. O casamento. Darian. Tudo veio à minha mente de uma vez, fazendo meu estômago se contrair levemente.

Sentei-me na cama com calma, passando a mão pelo rosto ainda inchado de sono. Meus pés tocaram o chão frio, e isso me fez despertar um pouco mais. Caminhei lentamente até a janela, sentindo o tapete áspero sob os pés. Segurei as cortinas com as duas mãos e precisei fazer força para conseguir afastá-las. O tecido era pesado, grosso, claramente feito para impedir qualquer entrada de luz. Aos poucos, fui abrindo espaço até que a claridade da manhã começou a invadir o quarto, iluminando tudo de forma gradual.

Com o ambiente mais claro, pude finalmente observar onde estava dormindo.

O quarto era grande, mas vazio. As paredes tinham um tom apagado, sem quadros, sem enfeites, sem qualquer sinal de cuidado estético. A cama ocupava boa parte do espaço, mas parecia antiga, com a madeira levemente desgastada. A escrivaninha, próxima à parede, estava coberta por uma fina camada de poeira, assim como a cômoda e as prateleiras. O tapete tinha uma aparência velha, com a cor desbotada e algumas partes mais gastas. Tudo parecia ter sido colocado ali há muitos anos e depois simplesmente esquecido.

Respirei fundo novamente e percebi o cheiro com mais clareza. Era um odor de lugar fechado, misturado com poeira, madeira envelhecida e tecido guardado por tempo demais. Não era exatamente insuportável, mas era incômodo. Dava a sensação de que ninguém entrava naquele quarto com frequência. Talvez ninguém tivesse se preocupado em mantê-lo habitável antes de mim.

Caminhei devagar pelo espaço, observando cada detalhe. Passei a mão pela escrivaninha e vi a poeira grudar nos meus dedos. Abri o guarda-roupa e encontrei o interior praticamente vazio, limpo apenas superficialmente. As gavetas rangiam levemente ao serem puxadas. Tudo ali parecia funcional, mas sem cuidado. Era um quarto sem identidade, sem conforto, sem qualquer tentativa de torná-lo agradável.

Encostei-me na parede, cruzando os braços, pensativa.

Eu teria muito trabalho.

Se fosse obrigada a viver ali, não poderia continuar daquele jeito. Precisaria limpar, trocar cortinas, abrir as janelas todos os dias, talvez colocar alguns objetos pessoais, livros, plantas, qualquer coisa que desse um pouco de vida ao ambiente. Do contrário, aquele lugar continuaria parecendo um depósito esquecido dentro de uma mansão enorme.

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⏰ Last updated: Apr 05 ⏰

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Sangue da Meia-NoiteWhere stories live. Discover now