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BEATRIZ WONG RESPIROU FUNDO quando pegou mais uma flecha. Colocou-a no arco, puxando com toda a força, sentindo os dedos arder por mais um dia que não usou as proteções, tentando sentir as dores que tinha que sentir, achando que era isso o motivo por não conseguir um melhor sucesso.

A jovem era uma arqueira, sangue do grande Dylan Wong, então, era de esperar que a jovem fosse reconhecida pelo território como uma arqueira de respeito.

Só que... ela não tinha muito jeito com a pontaria. A visão falhava-lhe, mas treinava todos os dias para se tornar uma grandiosa como o seu pai foi.

Então, todos os dias estava ali. Todos os dias fazia o mesmo. E todos os dias errava as malditas maçãs. Já até perdeu a conta de quantas flechas acertaram pontos totalmente aleatórios e não a pequena fruta parada.

Sentia-se uma vergonha.

Uma vergonha ambulante que carregava um sangue tão honrado que era o do seu pai.

Puxou outra flecha, já irritada, gritando de raiva quando acertou também longe, surpreendentemente, mais longe e mais torta que a anterior lançada.

— Concentra-te, porra! — falou o palavreado baixo, vendo que a sua avó estava por perto, no varal ao lado da casa, estendendo roupa. Se a ouvisse falar palavreado calão, claramente iria levar uma surra de ralhetes por ser uma menina de boca suja.

Se ela soubesse, daria ralhetes a todo o minuto na jovem.

— Concentra-te. Concentra-te — repetiu várias vezes enquanto pegava outra flecha, apontando direitinho para a maçã, mas, quando lançou-a, ela foi muito mais a cima e com força a mais, indo para dentro do bosque.

Bufou, indo pegar as outras duas flechas que ainda tinha, entrando no bosque logo em seguida, não demorando para achar a bendita flecha perdida.

No entanto, um grito seu é ouvido na mesma hora que vê o seu objeto de tiro.

— Puta que pariu — soltou o palavreado enquanto estava alterada, talvez até alto demais, correndo rapidamente até ao que fez, embora não estivesse acreditando de primeira.

Eram asas translúcidas, manchadas por um fio de sangue depois da flecha ter sido arrancada bem à sua frente e cair no chão, assim como aquele ser. Sangue prateado e vermelho escorriam desse mesmo ser que ela jurava estava mesmo a ver, o que a deixou completamente pálida de extremo pânico, obviamente, mas não caiu para trás, mas porque se sentou quando ele tinha tirado a flecha e jogado perto de si.

— Esta doeu. — Ela ouviu a voz do ser, então, quando conseguiu sentir as pernas novamente, tentou se aproximar, vendo melhor o que era aquele ser ou sabe-se lá o que era.

Quer dizer... estava óbvio.

— Fada? Uma fada? Eu estou sonhando, né? Não é porque eu acredito em fadas no bosque igual tem a história da bruxa que amaldiçoou as pessoas que eu vou sonhar, né?

— Afaste-se! — O ser ignorou-a completamente, o que fez a jovem entender que além de falar sozinha, estava falando nada com nada, afastando-se rapidamente quando viu aquele ser ficar maior.

— O que... — Não conseguiu terminar a frase, gritando novamente e se afastando mais ao ver o tamanho ao qual aquela coisa estava se transformando.

Ajoelhou-se rapidamente, pedindo desculpas sem fim enquanto aquele ser supostamente só existindo em contos de fadas possivelmente iria matá-la por ter acertado uma flecha em si, ou coisa parecida, se realmente nada daquilo fosse um sonho.

As orelhas daquele ser arredondaram-se, o brilho da pele clara estava pálido, fora as asas que sumiram e tudo o que estava na sua frente parecia nada mais nada menos do que um corpo humano.

The Curse Where stories live. Discover now