plano de conquista da Hirata

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Letícia Hirata, com seu penteado do dia (duas tranças com lacinhos de veludo) e a postura impecável de quem fez balé, estava em seu trono: a carteira no meio do “Conselho dos Nerds”. Ao seu lado, Yasmin Campos, sua melhor amiga e cúmplice silenciosa, segurava sua mão, um gesto de conforto e cumplicidade.
— Amiga, olha ali o nosso projeto — Hirata sussurrou, apontando discretamente com os olhos para o fundo da sala. Samurai, com seus cabelos longos e óculos que escorregavam um pouco no nariz, estava absorto em um livro. Ele não era bonito no sentido tradicional, mas Hirata via a faísca.
Yasmin apertou a mão de Hirata. — Ele tem um ar misterioso.
— Mistério ou desleixo, tanto faz — Hirata revirou os olhos dramaticamente, mas um sorriso brotou em seus lábios. — O importante é o potencial. E ele tem de sobra, só precisa de um empurrãozinho meu.
Na frente delas, o conselho dos nerds estava em plena atividade. Davi, o gordinho que sentava na frente, resmungava sobre algo em seu caderno. Ao lado de Hirata, Paulo rabiscava sem parar, enquanto na frente de Paulo, Matheus (irmão da Ingrid) parecia em outro mundo. Atrás de Hirata, Fábio, o doce gay que ainda não se entendia, estava focado em sua própria leitura. E atrás do Fábio, ele: o Samurai. Atrás de Paulo, Hideki estava concentrado.
Hirata analisava o Samurai de soslaio. Ele precisava de um corte de cabelo e talvez umas roupas novas. "Um projeto interessante", pensou.
O Intervalo: As Reuniões de Clãs
Quando o sinal do intervalo tocou, Hirata e Yasmin Campos se juntaram às outras amigas no pátio, um ponto de encontro estratégico para as turmas separadas.
Ingrid chegou rindo, falando de alguma coisa engraçada que o Léo, seu namorado de outra escola, tinha aprontado. Lavínia veio logo atrás, com sua voz naturalmente alta e sem filtro.
— Gente, vocês não vão acreditar no que o Koji aprontou ontem! — Lavínia começou, antes mesmo de se sentar, e continuou com detalhes que fizeram Hirata dar um tapa leve em seu braço.
— Lavínia, pelo amor de Deus! — Hirata exclamou, rindo. — Menos! E falando em Koji, ele não para de engordar, né? Vai acabar virando uma bolinha.
Kamilly, a patricinha normal e carinhosa da turma, apenas sorria, ajeitando o cabelo. Logo, Maria Eduarda se aproximou, e não demorou para emendar:
— Vocês viram a nota da prova de cálculo? Eu tirei 9,8. O professor Moraes até elogiou meu método. Algumas pessoas poderiam aprender...
Hirata revirou os olhos com um suspiro discreto. — Que bom pra você, Maria. A gente não precisa de uma palestra de matemática agora.
A Manobra e o Encontro Inesperado
Hirata estava arquitetando seu plano. Ela precisava de uma desculpa para falar com o Samurai. E então, ele passou, indo em direção à biblioteca. Hirata agiu rápido.
— Yasmin, segura meu estojo. Já volto.
Ela se levantou com uma agilidade que só o balé proporciona, e caminhou em um ritmo calculado em direção ao Samurai. Quando estava a uma distância estratégica, "sem querer", deixou cair um de seus chaveiros fofos que balançava na sua mochila, um pequeno gatinho com um lacinho.
O chaveiro fez um barulhinho suave ao cair. O Samurai parou e se virou. Seus olhos, ligeiramente escondidos por trás das lentes, encontraram os dela. Ele se abaixou, pegou o chaveiro e estendeu-o para ela.
— Acho que isso é seu, Hirata.
A voz dele era um pouco mais suave do que ela esperava. Hirata sorriu, um sorriso genuíno que poucas pessoas viam.
— Ah, muito obrigada! Que desastrada eu sou. Você é um cavalheiro.
Ela se aproximou um pouco mais, e baixou a voz, como se fosse um segredo entre eles.
— Sabe, eu adoro acessórios fofos. E óculos. Você sabia que eu também uso? Ninguém sabe. Mas me ajuda a ver as coisas... com mais clareza. E eu vejo algo bem interessante em você.
Ela deu uma piscadinha atrevida, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. Virou-se elegantemente e voltou para suas amigas, sentindo o olhar dele em suas costas.
— Consegui o primeiro contato! — Hirata sussurrou para Yasmin Campos, apertando a mão da amiga.
Lavínia, que não perdia uma, soltou: — E aí, ele caiu na sua teia, aranha?
Hirata apenas sorriu, o olhar brilhando. — A gente só está começando a tecer. Mas ele já está prestando atenção.

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